Bloomberg Línea — De olho no mercado de armazenagem e logística (dentro das operações das empresas, a chamada intralogística), a Intralog quer crescer para além da sua controladora, a gigante JSL (JSLG3). Uma das avenidas de potencial de crescimento mapeadas pela companhia é a expansão na América Latina.
“O modelo de expansão vai depender do projeto. Só vamos [para outro país] se fizer sentido para o cliente e se for para fazermos melhor do que ele já faz”, disse o CEO da Intralog, Brunno Matta, em entrevista à Bloomberg Línea.
O executivo chegou há apenas três meses no grupo. Ele passou os últimos oito anos trabalhando em Cingapura, na Ceva Logistics (subsidiária da gigante da navegação CMA CGM), considerada uma das maiores empresas do mundo neste ramo.
Matta chega com o desafio de expandir a Intralog como uma empresa independente, apesar das sinergias óbvias que a JSL traz para as operações. “É independência, não isolamento”, diz.
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A Intralog nasceu da união da TPC – empresa de armazenagem da Bahia, comprada pela JSL em 2021 por R$ 288,6 milhões – com as operações de intralogística de sua controladora. Possui uma receita bruta anual de R$ 2,3 bilhões e atua, hoje, em 14 estados com quase 18 mil funcionários.
Atualmente, a Intralog tem uma carteira de 87 clientes de grande porte, como Petrobras (PETR3, PETR4), Natura (NATU3), Suzano (SUZB3) e Unilever.
A principal avenida de crescimento para a Intralog é aumentar o número de contratos dentro dos clientes já existentes. Matta enxerga ainda potencial de expansão dentro da carteira de logística da JSL – o chamado cross-selling.
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Como táticas, a Intralog aposta principalmente em soluções customizadas que envolvam padronização, novas tecnologias (incluindo IA), além de um foco significativo na gestão de dados.
A operação da Intralog é mais voltada para locação de ativos (armazéns e equipamentos), contudo, os projetos são desenhados de acordo com a necessidade dos clientes. “Nosso modelo é asset light, muito mais voltado para o aluguel”, diz. Essa virada está ocorrendo também na controladora JSL, que vem apostando mais na locação de caminhões.
Ações da JSL (JSLG3)
Neste contexto, o cenário de juros elevados tende a ter um impacto reduzido na companhia. “Costumamos dizer aqui no grupo que os juros fazem parte do preço, conseguimos precificar de forma assertiva”, diz.
Empresa de porte global
A Intralog considera como suas principais concorrentes no Brasil as multinacionais DHL, a Ceva, a KN (Kuehne+Nagel) e a ID Logistics. Matta pondera que a companhia tem todos os ingredientes nas mãos para ser uma empresa nacional com porte global, em um mercado potencial de R$ 415 bilhões, segundo levantamento da ILOS Consultoria.
“Temos muito a conquistar no Brasil, mas isso vai acabar expandindo para outros países, porque nossos clientes que são multinacionais querem fornecedores regionais fortes.”
No último dia 17 de julho, a JSL informou por meio de fato relevante que espera atingir receita bruta de R$ 21,4 bilhões em 2030, uma projeção de crescimento médio anual de 14% ao ano (a partir de 2025).
Ainda no documento, a JSL afirmou que a reorganização dos negócios em empresas independentes “fortalece a capacidade de execução da estratégia da companhia ao conferir eficiência operacional e agilidade comercial”.
Com base na estimativa de receita bruta, a JSL projeta alcançar uma geração de caixa (medida pelo Ebitda) de R$ 3,7 bilhões em 2030.
Sobre um possível IPO, Matta afirma que este não é um foco nem um objetivo da Intralog. “O grupo Simpar que vai avaliar, eventualmente, um IPO. Vamos analisar se faz sentido e se há janela para tanto.”
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