Vinci Compass vê BC manter ciclo de corte apesar da guerra

Maior gestora independente de fundos da América Latina reduziu ‘um pouco’ posições aplicadas em juros no Brasil, mas mantém sua aposta, disse Fernando Lovisotto, sócio e head de IP&S global à Bloomberg News

Fato de o Brasil ter independência energética traz resiliência para o mercado local, disse Fernando Lovisotto (Foto: Bloomberg)
Por Vanessa Dezem
13 de Março, 2026 | 06:06 PM

Bloomberg — A turbulência nos mercados globais gerada pela escalada dos preços internacionais do petróleo em meio à guerra no Irã não deve alterar as perspectivas para o ciclo de afrouxamento monetário no Brasil.

Essa é a avaliação de Fernando Lovisotto, sócio e head de IP&S global da Vinci Compass, responsável pelas estratégias de hedge funds e investment solutions. A maior gestora independente de fundos da América Latina reduziu “um pouco” posições aplicadas em juros no Brasil — que ganham com a queda —, mas mantém sua aposta de que o Banco Central vai conduzir o ciclo de cortes em 0,50 ponto percentual.

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“Mantemos a posição de que nesse ciclo dá para a gente cortar de 300 a 350 pontos neste ano”, disse Lovisotto em entrevista à Bloomberg News. “Mas com a guerra, a ideia de que o Banco Central poderia acelerar cortes, com certeza, saiu da frente”.

A elevação de quase 40% do preço do petróleo Brent desde o começo do conflito, em 28 de fevereiro, para acima de US$ 100 o barril, e os temores de uma pressão inflacionária fizeram com que a curva de juros aumentasse as chances de um corte de 0,25 ponto percentual na semana que vem, ante uma precificação majoritária de redução de 0,50 ponto percentual logo antes do início da guerra, segundo dados extraídos da curva dos contratos futuros de depósitos interfinanceiros.

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Nesta sexta-feira (13), os juros futuros dispararam, em meio à piora no cenário externo e a cautela antes do fim de semana, conforme o conflito prossegue no Oriente Médio.

Segundo Lovisotto, o fato de o Brasil ter independência energética traz resiliência para o mercado local. As exportações brasileiras de petróleo e a possibilidade de o dólar cair podem ajudar a compensar possíveis efeitos de um aumento da inflação.

“A guerra pega na curva de juros, principalmente na ponta mais longa. Vem a discussão sobre para onde vai a inflação e se a gente vai conseguir manter o ritmo de corte de juros que prevemos,” disse, citando que, por boa parte do conflito até agora, o real conseguiu manter relativa estabilidade.

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As políticas de Trump levaram investidores globais a buscarem diversificação, resultando em saídas dos EUA, em um movimento de rotação de ativos que beneficiou os mercados emergentes nos últimos meses. A tese de diversificação continua, segundo Lovisotto. O executivo não espera saída substancial de estrangeiros da bolsa brasileira nos próximos meses, se os impactos da guerra não se agravarem.

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“Eu prefiro ver filme. O filme ainda é o mesmo que vem desde o ano passado, dos investidores diversificando e tentando desconcentrar dos EUA,” disse. “As incertezas que as políticas de Trump trazem para o mercado não vão contra essa tese, vão a favor.”

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Em dezembro de 2025, a Vinci Compass possuía R$ 354 bilhões em ativos sob gestão e assessoria. A empresa tem onze escritórios na América Latina e nos EUA, atuando em private equity, crédito, imobiliário, infraestrutura, silvicultura, ações, produtos e soluções de investimento global e assessoria corporativa.

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