Mercado mais seletivo? UBS alerta que investidores devem olhar além da exposição à IA

‘O mercado está se tornando mais seletivo quanto às áreas onde serão gerados retornos’, disse Ulrike Hoffmann-Burchardi, diretora de investimentos para a América e diretora global de ações do Escritório de Investimentos da UBS

UBS Group AG Second Quarter Profit Beats Estimates

Leia esta notícia em

Espanhol

Bloomberg Línea — O UBS considera que o interesse pela inteligência artificial continua forte, mas alerta que o mercado está entrando em uma nova fase na qual a simples exposição a essas tecnologias já não será suficiente; em vez disso, a execução, os resultados e o retorno sobre o capital terão cada vez mais peso.

“O mercado está se tornando mais seletivo quanto às áreas onde serão gerados retornos. À medida que a temporada de divulgação de resultados se aproxima, acreditamos que os investidores devem estar atentos a três aspectos”, afirmou Ulrike Hoffmann-Burchardi, diretora de investimentos para a América e diretora global de ações do Escritório de Investimentos da UBS.

PUBLICIDADE

Esses fatores a serem considerados são a solidez dos principais negócios que sustentam o investimento em IA, qualquer aumento nos planos de despesas de capital e as perspectivas das empresas quanto ao retorno sobre o capital.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

De acordo com o UBS, as notícias recentes sobre inteligência artificial confirmam que o interesse dos investidores e a demanda continuam fortes, com grandes anúncios de investimento como os da Amazon (AMZN) na Anthropic e novas rodadas milionárias em startups de IA.

PUBLICIDADE
Anthropic e Infosys construirán agentes de IA personalizados para empresas

Esta semana, a Amazon anunciou que investirá até US$ 25 bilhões adicionais na Anthropic.

Por sua vez, a Anthropic, criadora do Claude, informou que planeja investir mais de US$ 100 bilhões nos próximos 10 anos em tecnologias de nuvem e chips da Amazon, conforme anunciado pelas duas empresas em um comunicado na segunda-feira.

Espera-se que a Anthropic, fundada em 2021 por vários ex-funcionários da OpenAI, abra o capital ainda este ano.

PUBLICIDADE

Leia também: ‘Mantenham seus investimentos’: o guia do UBS para lidar com choques geopolíticos

Por outro lado, o UBS observa que grandes empresas de tecnologia, como a Apple (AAPL) e a Adobe (ADBE), estão reajustando suas estratégias para responder à crescente concorrência no setor de IA.

Por um lado, a Apple promoveu seu diretor de hardware ao cargo de diretor executivo para substituir Tim Cook, “consolidando assim sua abordagem centrada nos produtos ao incorporar a IA”.

PUBLICIDADE

Enquanto isso, a Adobe lançou um novo pacote de IA para empresas voltado para o marketing digital e a interação com os clientes para “enfrentar os concorrentes que estão ganhando terreno no campo da IA”, segundo o relatório.

“No geral, os acontecimentos desta semana reforçam que a inteligência artificial continua a crescer em termos de financiamento, hardware e adoção corporativa, embora o mercado esteja se tornando mais seletivo quanto aos setores onde os retornos serão obtidos”, afirmou o UBS.

A consultoria International Data Corporation (IDC) indica que o investimento global em infraestrutura de IA aumentou para US$ 334 bilhões e continuará crescendo rapidamente até ultrapassar US$ 900 bilhões em 2029.

O apetite do capital privado

O UBS afirma que o setor de capital privado ainda prevê um longo ciclo de crescimento para a IA.

“Os últimos anúncios de investimentos em capital de risco e capital estratégico reforçam nossa visão de que a IA é um ciclo de investimento de vários anos, e não um breve surto de entusiasmo”, segundo a instituição financeira suíça. “Eles também sugerem que o capital privado continua disposto a financiar tanto infraestruturas essenciais quanto novos atores de pesquisa em grande escala.”

No entanto, sua análise dos mercados privados também identifica riscos, incluindo a concentração em temas populares relacionados à IA. “Recomendamos uma abordagem seletiva e diversificada na exposição a ativos privados, em vez de um otimismo generalizado”.

Demanda constante por IA

Em seu relatório, o UBS destaca que o setor de semicondutores demonstra solidez, com altas nos índices de bolsa nos EUA e na Coreia do Sul, impulsionadas por melhores dados de exportação.

De acordo com o UBS, o desequilíbrio entre oferta e demanda continua sustentando os preços elevados do hardware.

“Os dados sólidos sobre exportações no Nordeste Asiático, as iniciativas relacionadas a chips personalizados e os relatos de capacidade limitada em tecnologia avançada apontam para uma cadeia de suprimentos que continua sob pressão devido à demanda sustentada por IA”, indica o relatório.

“Mantemos uma visão positiva em relação à memória, aos semicondutores avançados e à infraestrutura facilitadora, com previsões até 2026 e 2027”.

No entanto, espera-se uma rotação dentro do setor à medida que os investidores passem a distinguir entre capacidade, preços e execução.

Vencedores e perdedores

A instituição financeira acredita que a adaptação será fundamental para distinguir entre vencedores e perdedores.

No setor de software e hardware de consumo, afirma-se que o foco já não está apenas em ter exposição à IA, mas em demonstrar capacidade real por meio de produtos, fluxos de trabalho e resultados.

“Esperamos que a diferença entre modelos de negócios resilientes e vulneráveis aumente, o que significa que os investidores devem se concentrar nas vantagens dos dados, nos custos de transição e nas formas de monetização, em vez de se deixarem levar pelas manchetes”, afirmou o UBS.