BTG Pactual quer facilitar a vida financeira de quem estuda no exterior, diz CEO

Roberto Sallouti detalha à Bloomberg Línea a parceria do banco com grupo de universitários brasileiros fora do país, que passam a ter conta em dólar e cartão sem IOF, sem exigência de histórico de crédito

Roberto Sallouti, chief executive officer of Banco BTG Pactual SA, poses for a portrait at the company's headquarters in Sao Paulo, Brazil, on Monday, Aug. 18, 2025. Shares of Banco BTG Pactual SA surged the most in more than five years to an all-time high in August after the Brazilian bank reported record revenue and profit for the second quarter. Photographer: Tuane Fernandes/Bloomberg
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Bloomberg Línea — O BTG Pactual (BPAC11) quer facilitar a vida financeira de brasileiros que estudam no exterior, segundo o CEO do maior banco de investimentos da América Latina, Roberto Sallouti, em entrevista à Bloomberg Línea.

Em uma parceria anunciada nesta segunda-feira (28) com a BRASA, associação de universitários brasileiros fora do país, o banco vai oferecer aos estudantes da rede a abertura de conta em dólar na operação americana do BTG Pactual, além de um cartão de crédito brasileiro sem IOF, que dispensa histórico de crédito no país de destino.

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“Queremos facilitar a vida deles. Ele já chega lá com um cartão de débito para comprar um sanduíche e um cartão de crédito para uma emergência”, ilustra Sallouti.

A BRASA foi criada em 2014 por estudantes brasileiros no exterior, com o que Sallouti chama de “cheque âncora” do BTG. A entidade reúne hoje mais de 15 mil membros em mais de 125 universidades e ajuda jovens a entrar em faculdades de fora, a se integrar no novo país e a encontrar trabalho no Brasil depois da formatura.


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O cartão, da linha BTG Pactual Black, tem limite de até US$ 6 mil e quatro anos sem anuidade. A dispensa de histórico de crédito responde a uma dificuldade comum para quem acaba de chegar ao exterior.

A conta em dólar vem com cartão de débito e movimentação local nos EUA, e o aplicativo do banco dá acesso a investimentos no Brasil e nos Estados Unidos. A adesão exige cadastro no BRASA ID, o sistema de membros da associação.

Leia também: BTG Pactual espera que banco nos EUA ganhe robustez no fim de 2027, diz CFO

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A oferta vale também para estudantes na Europa. O banco não divulga metas de clientes, ativos ou receita para a frente internacional.

Para o executivo, o que distingue o BTG dos bancos de Wall Street na disputa por esse cliente é ser “um banco global que entende quem é o brasileiro ou o latino”.

“Conseguimos servi-lo tanto na vida que ele leva lá quanto na vida que mantém aqui no Brasil”, afirmou Sallouti.

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Público de nicho

Os brasileiros são a décima maior nacionalidade entre estudantes estrangeiros em universidades americanas, com um total de 17.277 pessoas, segundo o relatório Open Doors. O estudo tem como base os dados de mais de 3.000 instituições no ano acadêmico de 2024/2025.

O CEO define o público do banco nos Estados Unidos como um nicho: brasileiros que têm parte da vida ou dos investimentos no país. O estudante é um deles, ao lado do expatriado, de quem tem segunda residência lá e de quem se mudou, mas mantém parte da vida no Brasil e, nas palavras dele, “quer um banco que entenda melhor quem ele é”.

Ele compara a iniciativa à Conta Kids, que os pais abrem para os filhos no Brasil: a ideia é começar cedo a relação com o cliente. “Queremos estar com eles e acompanhá-los ao longo de toda a vida”, disse o executivo.

Para a BRASA, a nova frente amplia uma relação que já passava por formação, mentoria e carreira.

“Ao incorporar a dimensão financeira, damos mais um passo para acompanhar o estudante em uma jornada que começa na universidade, passa pela construção profissional e pode incluir diferentes momentos entre o exterior e o Brasil”, afirmou Stephanie Passos, CEO da associação, em nota.

A parceria com o grupo é realizada no momento em que o BTG Pactual busca expandir suas operações nos Estados Unidos. O banco obteve licença bancária nos EUA em janeiro, com a conclusão da compra do M.Y. Safra, e já capta depósitos e concede crédito no país, segundo noticiou a Bloomberg Línea naquele mês.

O CFO, Renato Cohn, disse em entrevista coletiva para comentar resultados do segundo trimestre, em agosto, que a expectativa é que a operação bancária americana ganhe robustez ao fim de 2027.

Cerca de 20% da receita do banco vem de fora do Brasil, e a exposição externa da carteira de crédito se aproxima de 25%, ante 20% um ano antes, segundo Cohn. A controlada americana, BTG Pactual Bancorp, contribuiu com R$ 115,4 milhões no primeiro semestre, de acordo com o balanço.

Do cheque âncora ao conselho

Em 2014, um grupo de estudantes, entre eles uma ex-estagiária de verão do BTG Pactual, procurou Sallouti para apresentar a ideia de uma rede que mantivesse os brasileiros de universidades estrangeiras conectados ao país, para que depois voltassem. O executivo aprovou o aporte que ancorou a fundação da entidade.

“Sinceramente, foi muito mais bem-sucedido do que eu jamais imaginei”, disse o CEO.

Sallouti ocupou uma cadeira no conselho da associação, hoje com outro executivo do banco. O BTG apoia todos os anos a BRASA Summit Américas, maior encontro de estudantes brasileiros na América do Norte, além de iniciativas da associação no Brasil, na Europa e no Vale do Silício, mas deixa a gestão com os estudantes.

“A gente apoia com conhecimento, com dinheiro e estando presente nos eventos, afirmou o CEO, que vai ao encontro anual da associação em outubro, na Filadélfia.

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A parceria também alimenta a contratação: o banco recruta estudantes de universidades estrangeiras para o estágio de verão e contrata profissionais da rede.

Uma pesquisa da BRASA com mais de mil estudantes brasileiros no exterior mostra que a maioria pretende voltar ao Brasil após a formação e aponta o BTG como a empresa mais desejada para trabalhar.

Sallouti atribui parte dessa preferência à identificação com a trajetória dos sócios. Segundo ele, 36 anos atrás estava no mesmo lugar em que esses estudantes estão hoje.

“Quando a gente conta a nossa história, nós éramos eles, então eles conseguem se ver na gente”, disse.

Na avaliação do executivo, as boas faculdades brasileiras não ficam atrás das estrangeiras, e o diferencial de quem se forma no exterior está na vivência multicultural.

“Gostaríamos que todos voltassem para o Brasil, seja para o BTG ou não, porque o que o Brasil precisa é de talento”.

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