Bloomberg — O Morgan Stanley (MS) prevê mais um bom ano à frente para os mercados emergentes, se o Federal Reserve reduzir as taxas de juros e a economia dos Estados Unidos evitar um “pouso forçado”. Mas não se deve esperar que tudo seja um mar de rosas, escreveram os estrategistas liderados por James Lord em uma nota.
Após três semanas de reuniões com clientes, estão são as nove surpresas (boas ou ruins) que podem agitar os mercados em 2024, de acordo com os estrategistas.
1. Crédito soberano dos emergentes rendendo 0%
Se os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA aumentarem para 5% no final de 2024, os diferenciais dos mercados emergentes subirão para 450 pontos-base, eliminando os rendimentos positivos das dívidas. Como os estrategistas apontam, “esse cenário não deveria ser muito difícil de imaginar, dado que se desenvolveu há alguns meses”.
2. Altas das moedas locais
O Morgan Stanley prevê que os títulos em moeda forte dos mercados emergentes renderão 14% no próximo ano, enquanto a dívida em moeda local renderá 8%. No entanto, se as moedas dos mercados emergentes se recuperarem, os títulos em moeda local podem ter um desempenho ainda melhor. Isso só seria possível se os EUA evitassem um pouso forçado, que o crescimento europeu se recuperasse e que o crescimento da China melhorasse, elevando os preços das commodities.
3. Fluxos de entrada nos emergentes em alta
Embora seja provável que os fluxos de entrada permaneçam “moderados”, os diferenciais iniciais elevados, os retornos totais sólidos e o “ciclo de recorte induzido por um pouso suave” poderiam fazer com que os fluxos de entrada surpreendam o mercado, impulsionando um período mais longo de retornos estáveis.
4. Reestruturação da dívida do Egito
“Dado que há reservas suficientes para pagar as próximas obrigações de dívida externa em 2024, qualquer reestruturação provavelmente será de natureza preventiva. A relação despesa com juros/receitas relativamente alta e crescente até 2025 pode obrigar as autoridades a assumir o custo desde o início (pouco depois das eleições) para posteriormente se reestruturar”.
5. Produção de cobre no Panamá
As eleições de maio do ano que vem podem levar à reversão da decisão de fechar a mina de cobre da First Quantum no Panamá, o que ajudaria no crescimento econômico e evitaria um potencialmente custoso arbitramento.
6. Dívida argentina retorna a 100%
Esse resultado para a dívida argentina exigiria um ambiente externo extraordinariamente favorável e ajustes internos perfeitos. O presidente Javier Milei tomou posse no domingo e prometeu um programa de choque baseado em cortes drásticos nos gastos públicos.
7. Arábia Saudita reverte todos os cortes de produção
A Arábia Saudita assumiu grande parte dos cortes globais de produção este ano, prejudicando o crescimento e o equilíbrio fiscal. Isso começou a afetar a capacidade do governo de gastar nas reformas de se projeto Visão 2030 e pode pressioná-lo a aumentar a produção.
8. Peso colombiano supera novamente seus pares
“Embora tenhamos mantido uma visão baixista sobre o peso colombiano e tenhamos destacado que as avaliações parecem bastante caras, hesitamos em vendê-lo a descoberto devido ao alto carry e a certo nível de correlação com as entradas de bônus locais”.
9. Virada política na China
O terceiro mandato de Xi Jinping à frente do gigante asiático pode agir como um catalisador para o governo enviar um sinal mais forte de apoio à economia, incluindo suporte mais direto ao setor privado, um programa de empréstimos centralizado, que será aproveitado por promotores imobiliários qualificados, e um plano de reurbanização de bairros marginais mais robusto.
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