Barcelona, Espanha — O rebaixamento da nota soberana dos Estados Unidos pela Fitch amplia a aversão ao risco dos investidores, que já se mostravam reticentes neste início de mês. A resposta negativa nos mercados reflete também a percepção de que os estímulos da China estão sendo insuficientes para reanimar a economia.
Entre os futuros de índices dos EUA, S&P 500 e Nasdaq 100 caíam em torno de 1%, sinalizando uma queda acentuada em Wall Street após cinco meses de ganhos para as ações dos EUA. As bolsas europeias recuavam perto de 1%. Na Ásia, o fechamento também foi negativo, com perdas de mais de 2% nos principais índices do Japão e de Hong Kong.
Na Europa, as ações da alemã Siemens Healthineers AG recuavam após a empresa mostrar números aquém das estimativas. As ações da Hugo Boss também operavam em baixa devido à margem menor que o esperado e estoques altos no último trimestre.
Já as ações da Advanced Micro Devices (AMD) subiam após avisar sobre suas incursões em computação de inteligência artificial.
A reação à decisão da Fitch foi mais calma para o mercado de títulos e de dólar. Os prêmios permaneciam perto da estabilidade, com uma queda muito discreta.
“O último rebaixamento não reflete nenhuma nova informação fiscal e deve ter apenas um impacto limitado no mercado”, disse Mark Haefele, diretor de investimentos do UBS Global Wealth à Bloomberg.
No mercado de dívida, o prêmio do título norte-americano para 10 anos recuava muito pouco, para 4,028% às 6h44 (horário de Brasília). Entre as divisas, a libra operava perto da estabilidade e o euro se apreciava ligeiramente em relação ao dólar. Em outros mercados, os contratos de petróleo WTI, o ouro e o bitcoin se valorizavam.
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🇺🇸 Críticas e estranhamento. O rebaixamento, justificado pela Fitch por uma “erosão da governança” fiscal, foi considerado “arbitrário” e “desatualizado” por Janet Yellen, secretária do Tesouro dos EUA, e “bizarro e inepto” por seu antecessor Larry Summers. Entre os economistas, o Nobel de economia Paul Krugman avaliou em um tweet que a história por trás do downgrade “é sobre a Fitch e não sobre a solvência dos EUA”. Jason Furman, ex-assessor econômico de Barack Obama, considerou a decisão “absurda” e Mohamed El-Erian, consultor da Allianz, viu o rebaixamento como “uma jogada estranha”.
📈 Títulos em alta. A decisão da Fitch, que se soma à da agência S&P Global tomada em 2011, poderia criar um problema para fundos com mandato de investimentos apenas para ativos AAA, abrindo a possibilidade de vendas por conformidade. No entanto, os títulos da dívida dos EUA, tradicional refúgio contra crises, operam com valorização e estrategistas dizem que continuarão sendo a pedra angular das carteiras. Para Alec Phillips, do Goldman Sachs (GS), não deve haver detentores significativos de títulos que serão “forçados a vender” os papéis após o downgrade. O Tesouro fará uma prévia de seus planos de financiamento trimestrais nesta quarta-feira.
💲 Entusiasmo pela IA. A empresa de semicondutores do SoftBank Group, a Arm, pode alcançar uma avaliação de US$ 60 bilhões a US$ 70 bilhões com sua oferta pública inicial no próximo mês, segundo a Bloomberg. O valor se distancia do intervalo de US$ 30 bilhões a US$ 70 bilhões projetado por banqueiros no começo do ano e reflete o entusiasmo do mercado com a demanda do setor de inteligência artificial.
🇨🇳 Pequenos impulsos. Entre os movimentos para imprimir mais impulso à economia, a China está pressionando governos locais a acelerar as vendas de títulos para gastos com infraestrutura, e o banco central chinês apelou aos bancos para que cortem suas taxas de hipoteca para reanimar o mercado imobiliário.
🔜 AMD acelera. Além de superar as expectativas do mercado com vendas e lucro no segundo trimestre, a Advanced Micro Devices (AMD) divulgou seus aceleradores – um tipo de processador que acelera o desenvolvimento de software de IA –, o que ampliou a percepção de que a empresa pode ganhar terreno na competição com a Nvidia (NVDA).
📵 Bloqueio nas redes. A Meta (META) começa a bloquear notícias em suas plataformas Facebook e Instagram no Canadá nas próximas semanas. A decisão responde à Lei de Notícias Online do país, que deve entrar em vigor antes do final deste ano e exige que as plataformas digitais paguem aos meios de comunicação locais.
⏬ Perdas após balanço. As ações da Nomura, maior corretora do Japão, recuaram 8,5% em Tóquio, a maior queda em dois anos, após um lucro menor do que o estimado. Os altos custos e o baixo desempenho de suas operações globais não foram compensados pelo recente impulso do mercado de ações do país.

🟢 As bolsas ontem (01/08): Dow Jones Industrials (+0,20%), S&P 500 (-0,27%), Nasdaq Composite (-0,43%), Stoxx 600 (-0,89%), Ibovespa (-0,57%)
Enquanto os mercados aguardam pelo relatório de emprego na sexta-feira, as bolsas dos EUA fecharam mistas. Alguns balanços decepcionantes contribuíram para a pausa nos ganhos do S&P 500 e da Nasdaq.
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Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: Variação de Empregos Privados-ADP/Jul, Índice de Compras MBA, Pedidos de Hipotecas MBA, Estoques de Petróleo em Cushing
• Europa: Espanha (Taxa de Desemprego)
• Ásia: China (PMI do Setor de Serviços Caixin/Jul); Japão (PMI do Setor de Serviços/Jul, Investimentos Estrangeiros em Ações); Hong Kong (PMI Industrial/Jul)
• América Latina: Brasil (IPC-Fipe/Jul, Fluxo Cambial Estrangeiro, Decisão de Política Monetária BCB)
• Balanços: Qualcomm, PayPal Holdings, Ferrari, MetLife, CVS Health Corp
🗓️ Os eventos de destaque na semana →
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