Bloomberg Línea — Os gestores que alocam capital na América Latina reduziram a cautela em relação à bolsa brasileira, mas ainda hesitam quanto ao momento de aumentar a posição em ativos brasileiros às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, em 4 de outubro.
Levantamento do Bank of America (BofA) divulgado nesta terça-feira (15) mostra elevação nas projeções para o Ibovespa, aumento no apetite por risco e manutenção da preferência por ativos brasileiros frente aos mexicanos, ao mesmo tempo em que a maior parte dos gestores prefere esperar o resultado da eleição antes de ampliar posições.
Segundo o BofA, 73% dos participantes esperam o Ibovespa em 180 mil pontos ou mais até o fim de 2026, ante 34% no mês anterior. Outros 46% projetam o índice em 200 mil pontos ou mais, patamar que nenhum gestor havia indicado na pesquisa de agosto.
A pesquisa mensal foi realizada com 30 gestores latino-americanos com cerca de US$ 90 bilhões sob gestão.
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Apesar da revisão para cima nas projeções, apenas 30% dos entrevistados disseram que adicionariam exposição a ações brasileiras nos níveis atuais antes do primeiro turno.
O restante dos participantes prefere esperar uma correção de preços, o resultado da primeira etapa da votação ou o fim do processo eleitoral para tomar posição. O banco aponta juros mais altos nos Estados Unidos como o principal risco externo para os mercados da região.
Na comparação regional, cerca de 70% dos participantes apontam o Brasil como o mercado com melhor desempenho esperado na América Latina nos próximos seis meses, à frente do México.
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Selic com espaço para mais cortes
O levantamento mostra que 83% dos gestores esperam ao menos mais um corte da Selic neste ano, e cerca de metade dos entrevistados projeta continuidade do ciclo de afrouxamento além disso.
O BofA mantém projeção de cortes de 25 pontos-base por reunião até dezembro de 2027.
Entre os fatores citados pelos gestores como necessários para um ciclo de corte mais longo estão queda nas expectativas de inflação, melhora no quadro fiscal e no cenário político.
Para o real, a maior parte dos participantes projeta o câmbio entre R$ 4,81 e R$ 5,10 por dólar no fim do ano. Em relação ao PIB, a maioria dos gestores espera crescimento entre 1% e 2% em 2026, e 47% do painel não projeta revisão nas expectativas de lucro para setores domésticos.
Caixa acima da média histórica
O caixa médio dos fundos ficou em 6,0%, estável em relação ao mês anterior e acima da média histórica de 5,5%, segundo o levantamento. Dois terços dos gestores planejam elevar a alocação em ações nos próximos seis meses, proporção que o BofA classifica como a maior desde junho de 2025. O apetite por risco também subiu, para o nível mais alto desde março deste ano.
Entre as estratégias com maior expectativa de retorno, os gestores citam “high quality” — ações de empresas com balanços menos alavancados e lucros mais estáveis — e agora também “high beta”, termo usado para ações com maior sensibilidade a variações do mercado.
No recorte setorial, financeiro e utilities seguem como os setores com maior peso acima do benchmark nas carteiras, enquanto consumo discricionário e consumo básico permanecem como os mais subponderados.
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