Gestores elevam projeção para o Ibovespa antes da eleição, diz pesquisa do BofA

Levantamento do Bank of America (BofA) com 30 gestores de ativos latino-americanos mostra que 73% deles projetam o índice acima de 180 mil pontos ao final de dezembro; 46% veem o Ibovespa em 200 mil pontos ou mais

Painel de ações da B3: maior parte dos gestores prefere esperar o resultado da eleição antes de ampliar posições. (Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg)
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Bloomberg Línea — Os gestores que alocam capital na América Latina reduziram a cautela em relação à bolsa brasileira, mas ainda hesitam quanto ao momento de aumentar a posição em ativos brasileiros às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, em 4 de outubro.

Levantamento do Bank of America (BofA) divulgado nesta terça-feira (15) mostra elevação nas projeções para o Ibovespa, aumento no apetite por risco e manutenção da preferência por ativos brasileiros frente aos mexicanos, ao mesmo tempo em que a maior parte dos gestores prefere esperar o resultado da eleição antes de ampliar posições.

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Segundo o BofA, 73% dos participantes esperam o Ibovespa em 180 mil pontos ou mais até o fim de 2026, ante 34% no mês anterior. Outros 46% projetam o índice em 200 mil pontos ou mais, patamar que nenhum gestor havia indicado na pesquisa de agosto.

A pesquisa mensal foi realizada com 30 gestores latino-americanos com cerca de US$ 90 bilhões sob gestão.


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Apesar da revisão para cima nas projeções, apenas 30% dos entrevistados disseram que adicionariam exposição a ações brasileiras nos níveis atuais antes do primeiro turno.

O restante dos participantes prefere esperar uma correção de preços, o resultado da primeira etapa da votação ou o fim do processo eleitoral para tomar posição. O banco aponta juros mais altos nos Estados Unidos como o principal risco externo para os mercados da região.

Na comparação regional, cerca de 70% dos participantes apontam o Brasil como o mercado com melhor desempenho esperado na América Latina nos próximos seis meses, à frente do México.

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Leia também: Ações descontadas e juros altos aceleram êxodo de empresas da B3

Selic com espaço para mais cortes

O levantamento mostra que 83% dos gestores esperam ao menos mais um corte da Selic neste ano, e cerca de metade dos entrevistados projeta continuidade do ciclo de afrouxamento além disso.

O BofA mantém projeção de cortes de 25 pontos-base por reunião até dezembro de 2027.

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Entre os fatores citados pelos gestores como necessários para um ciclo de corte mais longo estão queda nas expectativas de inflação, melhora no quadro fiscal e no cenário político.

Para o real, a maior parte dos participantes projeta o câmbio entre R$ 4,81 e R$ 5,10 por dólar no fim do ano. Em relação ao PIB, a maioria dos gestores espera crescimento entre 1% e 2% em 2026, e 47% do painel não projeta revisão nas expectativas de lucro para setores domésticos.

Caixa acima da média histórica

O caixa médio dos fundos ficou em 6,0%, estável em relação ao mês anterior e acima da média histórica de 5,5%, segundo o levantamento. Dois terços dos gestores planejam elevar a alocação em ações nos próximos seis meses, proporção que o BofA classifica como a maior desde junho de 2025. O apetite por risco também subiu, para o nível mais alto desde março deste ano.

Entre as estratégias com maior expectativa de retorno, os gestores citam “high quality” — ações de empresas com balanços menos alavancados e lucros mais estáveis — e agora também “high beta”, termo usado para ações com maior sensibilidade a variações do mercado.

No recorte setorial, financeiro e utilities seguem como os setores com maior peso acima do benchmark nas carteiras, enquanto consumo discricionário e consumo básico permanecem como os mais subponderados.

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