Super El Niño aquece mercados de derivativos climáticos e de apostas sobre temperaturas

Centro de Previsão Climática dos EUA estima que há 75% de chance de as temperaturas superarem todos os recordes desde 1950; na Chicago Mercantile Exchange, as negociações para o inverno começaram três meses mais cedo do que o normal

A preocupação entre operadores é como se proteger contra um evento que não tem precedentes históricos claros para avaliar os riscos (Foto: Michael A. McCoy/Bloomberg)
Por Joe Wertz - Mary Hui
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Bloomberg — Os operadores globais do mercado climático têm se apressado em apostar que um El Niño excepcionalmente forte resultará em um inverno ameno no Hemisfério Norte.

A previsão é que o fenômeno climático eleve as temperaturas globais, com 75% de probabilidade de superar todos os recordes registrados desde 1950, de acordo com o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos.

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Isso se reflete no mercado pouco conhecido, mas em crescimento, de derivativos climáticos, onde empresas de energia, fundos de hedge e operadores independentes podem apostar nas temperaturas com meses de antecedência ou se proteger contra elas.

Os movimentos mais evidentes no mercado ocorrem nos EUA, onde o potencial para um El Niño histórico é mais forte e os operadores começaram a se posicionar com uma antecedência incomum, afirmam corretores e emissores de derivativos climáticos.

Mesmo antes do El Niño surgir oficialmente em junho, os operadores já estavam assumindo posições em maio relacionadas à próxima temporada de aquecimento.

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Essas negociações de inverno na Chicago Mercantile Exchange ocorreram cerca de três meses mais cedo do que o normal, disse Tim Boyce, chefe de derivativos climáticos da região EMEA na TP ICAP Group, em Londres.

Boyce atribui essas apostas — as mais precoces que já viu — a uma confiança excepcionalmente alta de que um El Niño forte trará um clima mais ameno aos EUA durante o pico da temporada de aquecimento.

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“Tivemos aquela profecia autorrealizável, em que houve uma enxurrada de operações de hedge, aliada a algumas jogadas especulativas”, afirmou ele.

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A Europa está se mostrando mais difícil de negociar. O El Niño costuma ter efeitos menos pronunciados na região, enquanto a volatilidade dos preços do gás significa que mesmo uma breve onda de frio pode sair cara.

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Essa tensão está levando as concessionárias de energia e os operadores a buscar proteção mais flexível: a demanda por operações de hedge climáticas personalizadas, que podem ser ajustadas conforme as condições mudam, mais que triplicou este ano, de acordo com Theresa Kammel e Pierre Buisson, da Munich Re.

Os preços dos derivativos climáticos — que pagam com base em um resultado meteorológico pré-acordado, como a temperatura — têm refletido, nos últimos meses, cada vez mais as expectativas de um inverno quente, afirma Nicholas Ernst, diretor-gerente de derivativos climáticos da BGC Financial.

As negociações relacionadas ao clima no Japão têm sido relativamente limitadas este ano, em linha com os níveis observados nos últimos anos, embora alguns operadores esperem que um panorama mais claro sobre a cobertura contra variações de temperatura no inverno surja até novembro.

A Munich Re afirmou que seus preços para derivativos de balcão ainda seguem, em grande parte, as distribuições históricas, mas o potencial de um El Niño recorde é significativo o suficiente para que até mesmo a Europa esteja acompanhando o fenômeno de perto.

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Embora não haja dois El Niños iguais, um evento forte aumenta as chances de impactos climáticos mais severos. As perdas no primeiro semestre provocadas por desastres naturais atingiram US$ 112 bilhões, segundo a Munich Re, mas esse valor não reflete o impacto do El Niño, que, segundo a resseguradora, traz uma “combinação perigosa” quando associado às forças das mudanças climáticas.

O fenômeno está levando os principais operadores em mercados voláteis, como o Brasil, a aprimorar seus conhecimentos meteorológicos para ajudar as empresas a lucrar com a volatilidade do mercado.

Ernst afirma que a maior questão em aberto entre os operadores de mercado climático é como se proteger contra um El Niño que, segundo as previsões, será tão forte que não há referência histórica para precificar os riscos.

“Como não vimos um El Niño tão forte nos tempos modernos, em que há registros, será que ele se comportará como supomos?”

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