Economias na América Latina estão mais resilientes a choques globais, avalia Itaú

Em entrevista à Bloomberg Línea, o economista-chefe para a região, Andrés Pérez, diz que, apesar do impacto de tensões geopolíticas e das incertezas, países do continente estão em geral apoiados em pilares macroeconômicos mais sólidos

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27 de Janeiro, 2026 | 11:19 AM

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Bloomberg Línea — O economista-chefe do Itaú para a América Latina, Andrés Pérez, considera que o continente enfrenta o cenário externo com maior resiliência do que nas décadas anteriores, apoiada em marcos macroeconômicos mais sólidos.

“Olhando para o futuro, a região deve se beneficiar de condições financeiras globais mais flexíveis, termos de troca favoráveis, uma renovada valorização do crescimento econômico e medidas que fortalecem o investimento”, disse Andrés Pérez à Bloomberg Línea.

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De modo geral, Pérez percebe estruturas macroeconômicas mais robustas, que têm ajudado as economias a enfrentar choques externos, “evitando recessões profundas e persistentes”.

Segundo o Itaú, essa combinação poderia amortecer os choques externos, desde que a região mantenha o equilíbrio entre crescimento, controle da inflação e sustentabilidade fiscal.

Nesse contexto, Pérez considera que o dólar caminha para um “enfraquecimento progressivo” em nível global, em um contexto de cortes nas taxas pelo Federal Reserve, de acordo com projeções do Itaú.

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A equipe de Pesquisas Econômicas antecipou, em sua mais recente análise sobre o panorama econômico global, dois cortes de 25 pontos-base por parte do banco central dos Estados Unidos para 2026.

Em dezembro, o Federal Reserve reduziu novamente as taxas de juros, marcando sua terceira queda consecutiva, situando a taxa de referência entre 3,5% e 3,75%.

A economia dos Estados Unidos encerrou 2025 com uma inflação anual de 2,7%, ligeiramente acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve.

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O Itaú indica que a inflação mostra uma tendência de moderação após os altos níveis dos últimos anos.

No último ano, o índice DXY, que reflete a força ou fraqueza do dólar em relação a uma cesta de moedas globais, caiu 9,60%.

No início desta semana, o dólar enfraqueceu novamente em relação à maioria das principais moedas.

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Os investidores analisavam o impacto da possível participação dos EUA em uma intervenção cambial no Japão, enquanto aguardavam a decisão de política monetária do Federal Reserve nesta semana.

De acordo com a Bloomberg, os sinais de apoio dos Estados Unidos para impulsionar o iene reabrem o debate sobre uma possível intervenção monetária coordenada para orientar o dólar para baixo em relação aos seus principais parceiros comerciais.

A ideia é que um acordo desse tipo ajudaria os exportadores americanos a competir com rivais como a China e o Japão.

Moedas mais fortes

Diante dos eventos recentes, a principal cesta de moedas da América Latina avançou em relação ao dólar, com algumas exceções.

As moedas mais valorizadas no acumulado do ano na região até 26 de janeiro são o peso chileno (4,14%), o peso mexicano (3,78%), o real brasileiro (3,61%), o peso uruguaio ( 3,06%) e o peso colombiano (2,60%).

Mais abaixo estão o peso argentino (0,97%), o sol peruano (0,36%) e o peso dominicano (0,31%).

Por outro lado, o lempira hondurenho (-0,04%), o quetzal guatemalteco (-0,04%), o colón costarriquenho (-0,11%) e o guaraní paraguaio (-1,60%) desvalorizaram-se mais em relação ao dólar.

O Itaú afirma que a economia global inicia o ano em meio a tensões geopolíticas e um processo gradual de normalização financeira, com o dólar continuando fraco em nível global.

“Em relação ao dólar, é provável que se observe uma diversificação gradual para outras moedas, o que sustentaria uma valorização das moedas emergentes”, segundo Pérez.

Paula Chaves, analista de mercados da corretora global HFM, disse à Bloomberg Línea que a combinação de um dólar mais fraco, diferenciais de taxas atraentes e expectativas de relativa estabilidade “impulsionou estratégias de carry trade, fortalecendo moedas locais e valorizações bolsistas”.

“Essa rotação de capital para mercados emergentes e commodities responde a um ciclo mais amplo que, de uma perspectiva estrutural, poderia se estender por vários anos, potencialmente até um horizonte próximo a três anos, embora com correções e recuos normais dentro do movimento”, disse a analista da HFM.

Panorama econômico

De acordo com as projeções mais recentes do Banco Mundial, o crescimento da América Latina e do Caribe “aumentará gradualmente” nos próximos dois anos e atingirá 2,3% em 2026 e 2,6% em 2027.

A estimativa do Banco Mundial é que a economia da América Latina e do Caribe cresceu 2,2% em 2025, abaixo dos 2,4% registrados em 2024.

Em 2026, o crescimento será limitado por uma demanda interna que permanece em níveis baixos em alguns países, “o que irá neutralizar em parte o efeito positivo da flexibilização das condições financeiras”.

Além disso, o Banco Mundial indicou que as tensões comerciais e a incerteza que elas acarretam “continuam elevadas”.

A economia com melhor desempenho este ano seria a da Guiana, que cresceria 19,6%, seguida pela República Dominicana (4,5%), Panamá (4,1%) e Argentina (4%).