Capital privado cresce na América Latina e movimenta mais de US$ 25 bilhões por ano

A região captou US$ 8,57 bilhões em novos recursos e investiu US$ 25,6 bilhões em 2025, impulsionada pela disponibilidade de capital global e por retornos que continuam competitivos em relação a outras classes de ativos

Buildings in Mexico City, Mexico, on Thursday, Sept. 22, 2022. Mexico's inflation came in above expectations in early September, giving the central bank minimal room to reduce the pace of interest rate hikes at its meeting on September 29. Photographer: Cesar Rodriguez/Bloomberg

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Bloomberg Línea — O segmento de capital privado e capital empreendedor manteve atividade relevante na América Latina em 2025, em um contexto global marcado por uma recuperação gradual do fundraising, abundante capital disponível para investir e um ambiente mais seletivo para desinvestimentos.

A região captou US$ 8,57 bilhões, registrou investimentos de US$ 25,6 bilhões e consolidou Brasil, México e Colômbia como os principais destinos do capital alternativo.

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Em nível global, a indústria de ativos alternativos atingiu US$ 16,4 trilhões em ativos sob gestão, enquanto o capital disponível para investir chegou a US$ 3,9 trilhões — volume que continua sustentando a atividade de gestores e investidores, apesar de um ambiente influenciado por fatores geopolíticos, mudanças regulatórias e novas dinâmicas tecnológicas.

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O balanço regional mostra uma indústria que mantém capacidade de atrair recursos e executar investimentos, ainda que distante dos picos observados no período pós-pandemia.

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“A capacidade de transferir, interpretar e conectar dados estratégicos e transacionais torna-se fundamental para antecipar necessidades, tomar decisões mais embasadas e construir relações mais sólidas e sustentáveis ao longo do tempo”, afirmou Francisco O’Bonaga, sócio-diretor da Região Andina na Deloitte Spanish Latin America.


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Na América Latina, o fundraising totalizou US$ 8,57 bilhões em 2025 — cifra inferior aos picos registrados em 2022 e 2023, mas que reflete a continuidade do interesse de investidores institucionais pelos mercados latino-americanos.

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América Latina mantém o fluxo de investimento

A evolução da indústria regional ocorre em um contexto em que o capital privado continua oferecendo retornos competitivos frente a outras classes de ativos.

Entre 2018 e 2024, a taxa interna de retorno (TIR) média do capital privado em nível global chegou a 14,34%, enquanto o capital empreendedor registrou 13% e infraestrutura, 9,19%.

Esse desempenho ajuda a explicar por que a região segue captando recursos, mesmo diante de exigências crescentes dos investidores em termos de rentabilidade, liquidez e qualidade dos ativos.

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A disponibilidade global de US$ 3,9 trilhões em dry powder — capital já comprometido pelos fundos junto a seus investidores, mas ainda não investido — também é um fator relevante para entender a atividade regional.

A existência desses recursos comprometidos, mas ainda não alocados, permite que os gestores mantenham capacidade para executar novos investimentos e acompanhar empresas em diferentes estágios de crescimento.

Ainda que o fundraising latino-americano tenha se moderado em relação a anos anteriores, a indústria seguiu mostrando estabilidade relativa. O relatório destaca que a captação de recursos permaneceu em níveis relevantes e refletiu a consolidação de gestores e estratégias de investimento na região.

Além da captação, o dado que melhor reflete a profundidade do mercado é o volume de investimentos executados. Em 2025, a América Latina registrou US$ 25,6 bilhões distribuídos em 947 transações — sinal de que os gestores continuaram encontrando oportunidades em diferentes setores e geografias da região.

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A manutenção desse fluxo é especialmente relevante porque mostra que a atividade não depende apenas de novas captações. Ela também reflete a utilização de recursos previamente comprometidos e a continuidade de estratégias de longo prazo em setores como infraestrutura, crescimento empresarial, mercado imobiliário, impacto e capital empreendedor.

Em paralelo, o ecossistema global segue incorporando novas prioridades ligadas a inteligência artificial, cibersegurança, sustentabilidade e governança corporativa — fatores que estão modificando os critérios de avaliação de investimentos e a gestão de portfólios.

Brasil, México e Colômbia concentram a atenção

A distribuição dos investimentos regionais mostra uma concentração expressiva nos principais mercados latino-americanos.

O Brasil continua sendo o mercado de maior escala, sustentado pelo tamanho de sua economia, pela profundidade de seu mercado financeiro e pela diversidade de oportunidades de investimento. O México mantém posição de destaque graças à integração com os Estados Unidos e à dinâmica de setores ligados a manufatura, logística e serviços.

A Colômbia aparece entre os mercados mais relevantes para a indústria regional, apoiada pela presença de gestores especializados, pelo desenvolvimento institucional do ecossistema e por mais de uma década de consolidação de veículos de investimento.

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A relevância desses países não se explica apenas pelo tamanho de suas economias. Ela também reflete a existência de marcos regulatórios, redes de investidores institucionais e gestores capazes de estruturar operações de médio e longo prazo.

“Hoje vemos uma indústria muito mais sofisticada, com maior diversificação de verticais, novas capacidades de estruturação e uma presença territorial ampla”, afirmou Paola García Barreneche, diretora executiva da ColCapital.

Nesse contexto, a atividade regional segue mostrando diversificação crescente entre estratégias de aquisição e crescimento, infraestrutura, mercado imobiliário, impacto e capital empreendedor, reduzindo a dependência de um único setor ou tipo de ativo.

A evolução do investimento estrangeiro direto na região também oferece sinais sobre a atratividade relativa dos diferentes mercados.

Na América Latina, os fluxos de IED totalizaram US$ 171,4 bilhões em 2025, alta de 3,4% em relação ao ano anterior. Na Colômbia, o IED somou US$ 11,47 bilhões, com participação de destaque de serviços financeiros, petróleo e manufatura.

Colômbia amplia seu ecossistema

O caso colombiano ocupa lugar de destaque no relatório pelo crescimento acumulado da indústria e pelo peso que alcançou dentro do mercado regional.

Segundo a ColCapital, o ecossistema supera US$ 31,8 bilhões em capital comprometido, acumula mais de US$ 23,6 bilhões investidos historicamente e apoiou mais de 2.100 ativos e projetos no país.

Esses números revelam uma transformação relevante da indústria em relação às suas primeiras fases de desenvolvimento.

O capital privado ampliou sua presença em segmentos como infraestrutura, mercado imobiliário, aquisição e crescimento, impacto e capital empreendedor, contribuindo para financiar projetos e empresas em diferentes fases de expansão.

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Em 2025, a Colômbia registrou investimentos de US$ 2,75 bilhões em 86 transações, consolidando-se como um dos mercados mais ativos da região. A dimensão alcançada pelo ecossistema também se reflete no número de participantes: a ColCapital identificou 167 gestores com interesse ativo na Colômbia e 410 veículos de investimento vinculados ao mercado colombiano.

“Esses números refletem a capacidade do capital privado de mobilizar investimento de longo prazo, fortalecer empresas e gerar impacto econômico e social na Colômbia”, disse García.

O desenvolvimento institucional da indústria permitiu ampliar as fontes de financiamento disponíveis para empresas e projetos, ao mesmo tempo que fortaleceu a participação de investidores nacionais e internacionais.

No front macroeconômico, o relatório aponta que a economia colombiana cresceu 2,6% em 2025 e projeta expansão de 2,8% para 2026. Embora o crescimento permaneça em níveis moderados, setores como entretenimento, comércio, agroindústria e manufatura mostram sinais de dinamismo que podem continuar gerando oportunidades para gestores e investidores.

A combinação entre um ecossistema mais amplo, uma base crescente de gestores especializados e a disponibilidade de capital global é um dos fatores que explicam a consolidação da Colômbia dentro da indústria latino-americana.

A evolução do fundraising regional, a capacidade de executar desinvestimentos em um ambiente mais exigente, a mobilização do dry powder disponível globalmente e o impacto que tecnologias como a inteligência artificial terão sobre os modelos de negócio estão entre as variáveis que marcarão a próxima etapa de desenvolvimento do capital privado e empreendedor na América Latina.

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