Bloomberg — Investidores voltaram a aplicar em fundos de índice (ETFs) de mercados emergentes na semana passada, liderados por ações latino-americanas, após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã estimular o apetite ao risco e interromper uma sequência de quatro semanas de saídas que superavam US$ 5,6 bilhões.
Gestores injetaram mais de US$ 1,1 bilhão em ETFs de mercados emergentes listados nos EUA na semana encerrada em 10 de abril, segundo dados compilados pela Bloomberg.
O ingresso de capital ajudou o índice MSCI de ações de mercados emergentes a registrar seu maior avanço semanal desde junho de 2020.
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Os ativos latino-americanos, em particular, se consolidaram como porto seguro para os gestores, impulsionados por um conjunto de países exportadores de petróleo e por alguns dos juros reais mais altos do mundo.
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O ETF iShares Latin America 40, com patrimônio de US$ 4,9 bilhões, recebeu mais de US$ 293 milhões em recursos novos só na semana passada, à medida que alguns investidores aproveitaram a oportunidade para aumentar a exposição a regiões com menor vulnerabilidade ao conflito no Oriente Médio.
Brasil lidera captação
O Brasil se destacou entre seus pares. O ETF iShares MSCI Brazil, com patrimônio de US$ 10,9 bilhões, liderou as captações entre todos os ETFs de mercados emergentes listados nos EUA acompanhados pela Bloomberg, com entrada de mais de US$ 394 milhões em sua melhor semana desde 23 de janeiro.
A sexta-feira respondeu pela maior parte desse valor, quando o ETF registrou US$ 241 milhões em novos recursos — seu melhor fluxo diário desde 2019.

“O Brasil é um dos pouquíssimos mercados no mundo que sai desta crise como um beneficiário duplo, porque não só a economia é uma beneficiária líquida, como o mercado de ações tem um dos maiores pesos globais em ações de petróleo”, disse Ben Laidler, chefe de estratégia de ações do Bradesco BBI. “Está ficando mais resiliente quanto mais avançamos nesse cenário.”
Estrangeiros já injetaram R$ 60 bilhões na bolsa
As ações da maior economia da América Latina atraíram investidores neste ano, com estrangeiros aportando mais de R$ 60 bilhões na bolsa até 9 de abril, em apostas otimistas na queda dos juros e de olho na eleição presidencial de outubro.
O Ibovespa acumula alta de mais de 22% em reais no ano, renovando sucessivamente suas máximas históricas e figurando entre os dez mercados de ações de melhor desempenho no mundo.
“Seguimos construtivos em relação ao mercado de ações brasileiro”, disse Roberto Knoepfelmacher, sócio e gestor de fundos de ações da Vinci Compass.
“Quando olhamos para o cenário global, acreditamos que o Brasil tem se beneficiado de uma série de tendências, especialmente no front geopolítico, pois o país está em uma região com relativamente poucos conflitos e mantém relações sólidas tanto com o Ocidente quanto com o Oriente.”
Embora os mercados se agarrem a qualquer sinal de desescalada no Oriente Médio, o cenário permanece incerto.
O fracasso das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã no fim de semana pesou sobre o sentimento do mercado e elevou a demanda por ativos considerados porto seguro na segunda-feira.
A guerra entra agora em sua sétima semana, e a nova disparada dos preços do petróleo ameaça prolongar as pressões inflacionárias — o que reforça as expectativas de que os juros ao redor do mundo possam permanecer elevados por mais tempo.
“O risco real para minha visão otimista nos mercados emergentes é se o Fed for forçado a subir os juros e isso provocar uma valorização sustentada do dólar”, disse Laidler. “Essa é uma das únicas coisas que me tiram o sono.”
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