BlackRock recalcula rota e coloca América Latina como principal aposta entre emergentes

Axel Christensen, estrategista-chefe da BlackRock para LatAm, destaca região como foco de diversificação após gestora reduzir recomendação para ações emergentes de overweight para neutra após rali liderado pela Ásia

BlackRock Hits $11.5 Trillion Of Assets With Private-Market Push
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Bloomberg Línea — A BlackRock revisou sua estratégia para mercados emergentes para a segunda metade de 2026 e elegeu a América Latina como a região preferida dentro dessa classe de ativos. A meta é aumentar a diversificação global dos portfólios da empresa, que estão cada vez mais expostos à inteligência artificial.

Embora os ganhos com IA sigam como a principal tese da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo busca algum grau de descorrelação no portfólio – papel que os mercados latino-americanos cumprem muito bem, segundo Axel Christensen, estrategista-chefe da BlackRock para a região.

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“O comportamento de vários mercados da região é menos atrelado à IA e tem menor exposição ao conflito no Oriente Médio. São movimentos explicados principalmente por fatores idiossincráticos ou locais, o que representa uma boa diversificação nesse cenário”, afirmou Christensen a jornalistas, na manhã desta quinta-feira (2).


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A descorrelação da América Latina com o resto do mundo ganha ainda mais força em um ambiente em que há grande exposição global à inteligência artificial.

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O S&P500, um dos principais índices de ações dos Estados Unidos, já conta com 44 empresas ligadas ao ecossistema de IA que, juntas, concentram cerca de 45% da capitalização do índice e 71% de seu crescimento de lucros.

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Já o índice MSCI de ações de mercados emergentes têm peso de quase 80% para economias asiáticas, que também estão com alta concentração no setor de tecnologia. No final de junho, o rali ligado à inteligência artificial impulsionou o indicador a seu melhor trimestre desde 2009.

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A BlackRock rebaixou sua recomendação para ações de mercados emergentes amplos de overweight (equivalente à compra) para neutra em reação ao forte desempenho recente dos papéis e também por causa do risco de concentração em nomes ligados à IA nos mercados de Taiwan e Coreia do Sul.

A gestora, no entanto, mantém uma preferência relativa pela América Latina dentro do universo emergente. “Acreditamos que abordagens granulares, voltadas para setores específicos, são fundamentais para alcançar a diversificação de que necessitamos. E a América Latina se destaca claramente nessa abordagem [...] por esse elemento idiossincrático”, afirmou.

O estrategista cita como exemplo o mercado da Colômbia, que realizou sua eleições presidencial no final de junho. “O desempenho do peso colombiano frente ao dólar, e os movimentos de títulos públicos e mercado de ações foram pouco impactados [pelo cenário internacional]. O que realmente movimentou os ativos colombianos no último ano foram as expectativas em torno do resultado das eleições”.

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A próxima grande eleição na região será realizada no Brasil, em outubro. Christensen afirmou que BlackRock adota postura agnóstica quanto ao resultado. Independentemente de quem será eleito, o estrategista destaca que a trajetória de juros será fator decisivo para os investidores, especialmente por viabilizar investimentos em infraestrutura.

Onde investir na América Latina

A aposta mais forte da gestora em mercados emergentes está na renda fixa. Em seu relatório de recomendações para o segundo semestre, a BlackRock mantém recomendação overweight (equivalente à compra) em dívida emergente, com preferência por títulos em moeda local.

A gestora aponta Brasil e Colômbia como países que oferecem alguns dos maiores rendimentos reais do mundo e margem para maior normalização monetária, mesmo que a evolução do cenário fiscal permaneça como ponto de atenção.

Peru e Chile, por sua vez, se beneficiam de dinâmicas de inflação mais favoráveis ​​e da crescente demanda por metais, enquanto o México continua apresentando fundamentos macroeconômicos relativamente estáveis, apesar de uma perspectiva de crescimento mais moderada.

“A recuperação da Argentina também merece atenção, à medida que as reformas começam a se traduzir em maiores investimentos”, escreveu Christensen no relatório.

No segmento de ações, o foco são setores que devem se beneficiar de investimentos em IA, eletrificação e diversificação das cadeias de suprimentos, como cobre, lítio, infraestrutura energética, logística e cadeias de suprimentos industriais.

“Mantemos a cautela em relação a alocações regionais amplas, preferindo oportunidades específicas por país, a seleção ativa de ativos e a exposição temática”.

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