Ações globais caem enquanto petróleo WTI sobe mais de 6% com ataques no Oriente Médio

Escalada no Golfo eleva o risco para o fluxo global de petróleo, e investidores temem impacto prolongado sobre inflação e crescimento

NO RADAR DOS MERCADOS
12 de Março, 2026 | 06:42 AM

Bloomberg — As ações globais operam em queda nesta quinta-feira (12), enquanto os preços do petróleo continuam subindo em meio a interrupções no transporte do fóssil no Oriente Médio.

Os futuros do S&P 500 caíram 0,6%, enquanto as ações europeias recuaram 0,7%. Um índice de ações asiáticas caiu 1,3%. O Brent voltou brevemente a superar US$ 100 por barril após o Iraque suspender operações em um terminal de petróleo depois de um ataque a dois navios-tanque. Omã evacuou temporariamente um importante hub de exportação, enquanto o Irã intensificou ataques contra Dubai.

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O petróleo dispara à medida que aumentam os temores de que a guerra no Oriente Médio possa interromper os mercados de energia por um período prolongado, com esforços para amenizar o impacto oferecendo pouco alívio até agora. A commodity tem influenciado os mercados em geral, alimentando receios de que preços mais altos de energia reacendam a inflação e prejudiquem o crescimento econômico.

O conflito está gerando uma turbulência sem precedentes no mercado de petróleo, afetando 7,5% da oferta global e uma parcela ainda maior das exportações, segundo a Agência Internacional de Energia.

“O que estamos vendo é o mercado precificando um cenário prolongado de preços elevados do petróleo”, disse Karen Georges, gestora de fundos de ações da Ecofi, em Paris. “A segurança do transporte marítimo na região é uma grande preocupação, enquanto a liberação de reservas estratégicas de petróleo pode oferecer apenas um alívio temporário.”

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O dólar permaneceu como principal ativo de proteção, subindo 0,2%. O ouro ficou estável. Os rendimentos dos títulos europeus acompanharam a alta observada na Ásia. Os Treasuries dos EUA tiveram pouca mudança, com a taxa do título de 10 anos em 4,23%.

Um índice da Bloomberg que acompanha o retorno total de títulos corporativos e governamentais de grau de investimento agora está estável em 2026. O indicador chegou a subir até 2,1% neste ano até 27 de fevereiro, pouco antes de EUA e Israel atacarem o Irã.

Qualquer aceleração sustentada das pressões inflacionárias pode dificultar que o Federal Reserve justifique a retomada dos cortes de juros nos próximos meses, com o mercado prevendo apenas uma redução em 2026.

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“Não há onde se esconder com segurança”, escreveu Ipek Ozkardeskaya, analista sênior da Swissquote.

“Tomando os preços do petróleo e da energia como dados, quanto mais tempo permanecerem elevados, mais curtas tendem a ser as recuperações do mercado e maior será o risco de uma correção significativa.”

Veja a seguir outros destaques desta manhã de quinta-feira (12 de março):

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- Passagem de navios por Ormuz. A Índia negocia com o Irã a passagem segura de mais de 20 navios-tanque pelo Estreito de Ormuz, paralisado desde o início da guerra no Golfo. As embarcações, carregadas com petróleo, GLP e GNL, estão paradas após ataques dos EUA e de Israel ao Irã.

- Honda ajusta estratégia. A montadora prevê até US$ 15,7 bilhões em encargos e pode registrar seu primeiro prejuízo anual desde 1977, após revisar sua estratégia para veículos elétricos. “A situação mudou muito mais rápido do que esperávamos”, disse o CEO Toshihiro Mibe em teleconferência de resultados.

- Compras chinesas de soja. A oleaginosa provavelmente estará na pauta da próxima reunião entre autoridades comerciais dos EUA e da China em Paris no próximo fim de semana. O mercado tenta entender quando Pequim retomará compras significativas do grão americano, após meses de paralisação.

Ações globais nesta quinta-feira (12)
🔘 As bolsas ontem (11/03): Dow Jones Industrials (-0,61%), S&P 500 (-0,08%), Nasdaq Composite (+0,08%), Stoxx 600 (-0,59%), Ibovespa (+0,28%)

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-- Com informações da Bloomberg News.

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