Bloomberg — A Copa do Mundo está transformando os mercados de previsão em um registro público de apostas milionárias, expondo grandes ganhos e perdas expressivas à medida que o torneio atrai mais recursos para um setor em rápida expansão.
Mais de US$ 5 bilhões foram negociados em apostas relacionadas à Copa do Mundo nas plataformas internacionais da Polymarket e da Kalshi, regulada nos Estados Unidos, em 2026, segundo análise da Bloomberg News com base em dados da Dune Analytics e registros das empresas.
O boom produziu vencedores multimilionários e algumas perdas dolorosas, incluindo uma aposta malsucedida na vitória da Bélgica sobre o Egito que custou a um usuário da Polymarket quase US$ 9 milhões.
As apostas oferecem uma visão em tempo real dos riscos e dos potenciais retornos de uma indústria que avança para além de eleições e eventos econômicos e passa a ocupar espaço nos esportes de massa.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
Também mostram por que alguns usuários veem os mercados de previsão mais como uma forma de entretenimento do que como uma maneira de ganhar dinheiro.
A competição, com 104 partidas, ganha ritmo à medida que avança a fase de grupos e se aproximam os confrontos eliminatórios.
Leia também: ‘O plano A é trabalhar de forma construtiva com o governo’, diz Luana Lara, da Kalshi
A Copa do Mundo e as Finais da NBA já levaram a Kalshi a registrar sua primeira sequência de três dias com volume diário de negociações acima de US$ 1 bilhão, afirmou o diretor-presidente da empresa, Tarek Mansour, em um evento da Bloomberg na terça-feira.
“Tudo o que vimos até agora durante a Copa do Mundo sugere que os mercados de previsão continuam em uma trajetória agressiva de crescimento”, disse Chris Grove, analista da Eilers & Krejcik Gaming.

As principais plataformas não são as únicas beneficiadas. A DraftKings, que expandiu sua atuação para os mercados de previsão em 2025, afirmou que o último fim de semana foi o maior de sua história para contratos de eventos, superando inclusive o Super Bowl de fevereiro.
O número total de clientes cresceu mais de 200% em relação ao fim de semana anterior, segundo publicação da empresa nas redes sociais, enquanto o volume negociado aumentou 100% no mesmo período.
Leia também: Trader perde quase US$ 1 milhão com empate inesperado de Cabo Verde diante da Espanha
A possibilidade de oferecer mercados de previsão em estados americanos onde as apostas esportivas tradicionais são proibidas, como Califórnia e Texas, permitiu que empresas do setor, como a DraftKings, alcançassem consumidores que antes estavam fora de seu alcance, segundo Jordan Bender, analista de pesquisa de ações do setor de jogos da Citizens.
Tanto a DraftKings quanto a Kalshi investiram pesadamente em campanhas publicitárias em redes sociais e televisão para atrair novos clientes.
Leia também: Kalshi recorre a agente de IA para revisar contratos de mercados de previsão
A DraftKings divulga anúncios que promovem seu “aplicativo esportivo” como disponível em todo o território americano, enquanto a Kalshi trabalha com atletas de destaque durante o torneio, incluindo o meio-campista croata Luka Modrić e o argentino Lionel Messi.
“Basicamente, o que está acontecendo aqui é uma corrida sem regras claras”, afirmou Bender.
Lucro não é a regra
A relativa transparência de algumas bolsas de mercados de previsão oferece uma rara oportunidade de observar os tipos de apostas feitas na Copa do Mundo, permitindo acompanhar a atividade dos usuários de uma forma que não é possível nas casas de apostas tradicionais.
Uma pesquisa realizada por Bender e seus colegas da Citizens concluiu que clientes de varejo em mercados de previsão normalmente perdem dinheiro no longo prazo e apresentam desempenho pior do que apostadores que utilizam casas de apostas esportivas.
Das 20 apostas mais lucrativas realizadas na plataforma internacional da Polymarket nos últimos sete dias, apenas duas não estavam relacionadas à Copa do Mundo, segundo registros da empresa e da blockchain.
Além dos resultados das partidas, os usuários podem apostar em quem conquistará a Chuteira de Ouro de artilheiro do torneio — o francês Kylian Mbappé é o favorito — e se o presidente Donald Trump comparecerá à final da competição (87% acreditam que sim).
A aposta mais lucrativa da Copa do Mundo na Polymarket até agora foi feita por uma conta identificada como “GRIMDRIP”, que transformou US$ 6 milhões em US$ 13,6 milhões com duas apostas na partida entre República Tcheca e África do Sul. Outro usuário, “mintblade”, dobrou seu dinheiro ao apostar US$ 7 milhões que o Irã não venceria a Nova Zelândia.
Uma conta conhecida como “endlessFate”, que ganhou US$ 5,6 milhões na partida entre Arábia Saudita e Uruguai, obteve mais US$ 2,7 milhões ao apostar que a Colômbia derrotaria o Uzbequistão.
O histórico do usuário, no entanto, é misto: ele também registrou uma perda de US$ 1,2 milhão ao apostar no empate entre Estados Unidos e Paraguai na semana passada.

Esses dados nem sempre refletem o quadro completo. Os usuários podem operar várias contas no Polymarket e podem ter registrado perdas em outros lugares que não são visíveis imediatamente.
A Polymarket não realiza verificações de identidade em sua bolsa internacional, o que dificulta a identificação de outras posições.
Os investidores também podem proteger suas apostas por meio de negociações em outras plataformas onde a atividade individual fica oculta, como casas de apostas tradicionais e plataformas de mercado de previsões regulamentadas nos EUA.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Da fofoca sobre celebridades aos bilhões: a trajetória de Luana Lopes Lara na Kalshi
©2026 Bloomberg L.P.








