Bloomberg Línea — A Seara fez dos congelados uma das principais avenidas de crescimento do negócio nos últimos anos. A companhia diz ter assumido a liderança da categoria em 2018 e, desde então, vem ampliando o portfólio, que inclui pizzas, lasanhas e refeições prontas, ou, simplesmente “panelinhas”.
Agora, a aposta nos congelados segue uma tendência que a própria JBS, dona da Seara, já vinha identificando em suas marcas de carne in natura. Executivos da companhia afirmaram que a maior procura por proteína tem contribuído para sustentar as vendas — movimento que a Seara agora tenta capturar também no freezer.
“Congelado foi a primeira categoria em que viramos líder, lá em 2018”, disse Rafael Palmer, diretor de marketing da Seara, em entrevista à Bloomberg Línea. “Vamos continuar trabalhando bastante na categoria de congelados.”
Em julho do ano passado, a empresa lançou três versões das panelinhas sob o selo Seara Protein. Cerca de um ano depois, elas já respondem por aproximadamente 25% das vendas da linha de panelinhas, de acordo com Palmer.
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“Em um ano, ela ditou esse crescimento. Ela trouxe o crescimento da linha.”
Neste mês, a companhia decidiu ampliar o portfólio da Seara Protein de três para 13 produtos, levando a proposta para categorias como massas, pizzas, hambúrgueres e empanados.
A ideia é aproveitar categorias em que a Seara já tem produção e distribuição para testar até onde a procura por mais proteína pode abrir novas ocasiões de consumo.
“Vemos congelados como uma das grandes avenidas de crescimento da Seara”, disse o CEO João Campos, em resposta enviada por escrito à Bloomberg Línea.
Segundo Palmer, a empresa estuda trazer outros produtos Seara para a linha proteica, mas por enquanto não há nada definido. “Estamos estudando outras categorias, sim. Não tem nada batido o martelo, mas a gente tem estudado como fazer isso”, afirmou.
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Na visão do executivo, a Seara Protein pode deixar de ser uma linha concentrada em refeições prontas para aparecer em diferentes partes do portfólio. “Acho que a gente vai vê-la como uma nova categoria transversal.”
Da panelinha à pizza e ao hambúrguer
A aposta da Seara agora é entender se o interesse por proteína também pode impulsionar categorias como pizzas, massas e hambúrgueres, tradicionalmente mais ligadas à conveniência e ao sabor.
“O grande desafio é não perder o sabor”, disse Palmer. “O consumidor quer sabor, [e também] quer indulgência.”
Para adicionar maior teor proteico nos alimentos, a companhia pode adicionar proteína à massa ou aumentar a quantidade de ingredientes como carne e queijo, disse Palmer.
Em itens que naturalmente já contêm mais proteína, como os hambúrgueres, e a formulação é ajustada para elevar esse teor. Os 13 produtos da linha têm entre 15 e 36 gramas de proteína por porção, segundo a companhia.
Os primeiros resultados dos lançamentos mais recentes ainda são preliminares. Lasanha e fettuccine Protein têm apresentado giro cerca de 10% superior ao de itens similares sem o atributo, de acordo com Palmer.
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O executivo evitou projetar se pizzas, massas e hambúrgueres poderão alcançar uma participação semelhante aos 25% registrados pela Protein dentro da linha de panelinhas.
“Eu espero e acredito muito que vai representar uma bela fatia. Agora, falar para você quantos por cento vai ser um chute irreal”, afirmou.
O desafio de levar proteína para mais consumidores
As primeiras panelinhas Protein chegaram ao mercado cerca de 10% mais caras que as versões tradicionais, segundo o diretor da empresa. Nos dez novos produtos, que incluem pizzas e hambúrgueres, a empresa quer evitar esse adicional.
“Na linha que estamos lançando agora, queremos evitar esse aumento de preço”, disse Palmer.
Isso não significa, porém, que produzir um alimento com mais proteína custe o mesmo. No caso das panelinhas, Palmer explica que o maior teor proteico elevou o custo de produção.
“Na panelinha, sim. Nos outros, estamos tentando manter a equação de custo.”
As soluções encontradas pela empresa variam de produto para produto e envolvem as equipes de pesquisa e desenvolvimento. A companhia não detalhou o impacto dessas mudanças sobre suas margens.
Campos disse que a estrutura já existente da Seara nessas categorias ajuda nessa conta.
“A Seara já tem presença nessas categorias, já tem estrutura industrial, distribuição e conhecimento do consumidor”, afirmou, por escrito.
“Isso permite desenvolver produtos com maior teor proteico aproveitando capacidades que já existem, sem depender de uma expansão física específica para essa linha.”
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A intenção, segundo o CEO, é evitar que os produtos com maior teor de proteína fiquem restritos a um segmento disposto a pagar mais por esse atributo.
Embora preços possam variar de acordo com produto, canal e mercado, a companhia pretende mantê-los próximos aos das versões tradicionais.
“Proteína não pode ser uma proposta restrita a nicho”, disse Campos. “A oportunidade está justamente em levar esse benefício para produtos de consumo amplo.”
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