Bloomberg — Os Estados Unidos detalharam planos para exercer maior controle sobre uma operadora privada no âmbito de um acordo histórico para assumir o controle das reservas de petróleo da Venezuela, incluindo preferência para comprar uma parcela significativa da produção de petróleo bruto e poder de veto sobre nomeações para o conselho de administração.
Um documento divulgado pela Casa Branca na segunda-feira (31) apresenta pela primeira vez publicamente os termos do acordo, anunciado inicialmente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, sete meses após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar sigilosa.
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A Casa Branca afirmou que a North American Blue Energy Partners, empresa de capital fechado que recebeu concessões de 100 anos para 17 campos de petróleo na Venezuela, concederá ao Departamento de Estado dos Estados Unidos o direito de comprar 20% garantidos do petróleo comercializado pela companhia em campos atuais e futuros, fornecidos a preço equivalente ao custo de produção.
Os Estados Unidos também terão preferência para comprar os 80% restantes da produção de petróleo da NABEP a preços justos de mercado.
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Os Estados Unidos terão poder de veto sobre a nomeação de qualquer integrante do conselho de administração da NABEP, e a maioria dos membros do conselho terá de ser formada por cidadãos americanos, segundo o documento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vangloriou-se do acordo — que chamou de “talvez o melhor acordo já feito” — na segunda-feira e afirmou que pretende usar o petróleo para ajudar a recompor os estoques de emergência dos Estados Unidos.
“Uma das coisas que quero fazer com todo esse petróleo que agora temos é encher essas reservas estratégicas, e faremos isso com bastante rapidez”, disse Trump durante um evento no Salão Oval.
“Vamos retirar esse petróleo. Tudo virá para os EUA, para as refinarias”, acrescentou.
A NABEP afirmou que pretende elevar a produção das operações no Lago Maracaibo e no Cinturão do Orinoco, na Venezuela, para mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia — uma meta ambiciosa em um país cuja produção nacional diária atual é de cerca de 1,1 milhão de barris.
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O acordo de petróleo entre Estados Unidos e Venezuela é resultado da política do presidente Trump de ampliar a influência no Hemisfério Ocidental, apelidada de “Doutrina Donroe”. Ao criar um novo empreendimento diretamente controlado pelos Estados Unidos, o governo busca dar mais confiança aos produtores para que se comprometam com o desenvolvimento dos 17 campos de petróleo envolvidos no acordo.
Autoridades dos Estados Unidos afirmaram explicitamente que os contribuintes não terão de arcar com os custos do empreendimento. Em vez disso, a participação americana no acordo está concentrada no Office of Strategic Capital, do Pentágono, que terá uma participação acionária de 35% na controladora da NABEP, segundo o documento. A Casa Branca afirmou que isso representa até centenas de bilhões de dólares em valor e dividendos para os Estados Unidos.
Não está claro se alguma petroleira conseguiria elevar rapidamente a produção de petróleo bruto da Venezuela, especialmente na escala descrita pelas autoridades americanas e pela NABEP. Apesar da riqueza petrolífera do país — que detém algumas das maiores reservas comprovadas do mundo —, décadas de corrupção e falta de investimentos deixaram uma rede de oleodutos enferrujados, derramamentos de petróleo e equipamentos danificados.
O acordo de Trump também enfrenta desafios políticos. Persistem dúvidas sobre se o arranjo seria plenamente respaldado por um futuro presidente americano ou sobre como poderia sobreviver a eventuais turbulências políticas na Venezuela.
Alguns integrantes da oposição venezuelana também demonstraram preocupação de que um acordo entre os Estados Unidos e a presidente interina Delcy Rodríguez possa reduzir as chances de uma transição política ao consolidar o controle dela sobre o poder e diminuir o incentivo do governo Trump para pressionar por mudanças.
A Casa Branca reafirmou na segunda-feira que apoia reformas políticas por meio de negociações entre o atual governo, que chamou de “autoridades interinas”, e um setor da oposição. Uma segunda rodada de negociações deve começar em setembro.
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