Bloomberg — Um ano excepcional para os títulos de mercados emergentes deve ficar ainda melhor, à medida que o retorno do chamado “debasement trade” - isto é, apostas que ganham com a desvalorização do dólar - amplia os fluxos para essa classe de ativos, afirmam gestores de fundos.
Os títulos de mercados emergentes registraram alta neste mês de agosto, acompanhando o ouro e o bitcoin, à medida que a crescente ansiedade em relação aos déficits fiscais dos Estados Unidos estimulou a demanda por alternativas ao dólar.
Essa rotação de ativos está sendo impulsionada pelo temor de que o dólar perca seu poder de compra, daí o uso do termo “debasement” (desvalorização, degradação).
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Os fluxos de capital para os mercados emergentes justificam-se por sua gestão fiscal superior e pelo controle rigoroso da inflação, segundo a JPMorgan Asset Management, a Invesco e a Marlborough Investment Management.
“Estamos muito otimistas quanto ao que a continuação da tendência de desvalorização do dólar significa” para os títulos de mercados emergentes, afirmou Swa Wu, chefe da equipe de especialistas em investimentos em renda fixa da Ásia (exceto Japão) da JPMorgan Asset Management em Hong Kong.
“Os bancos centrais dos mercados emergentes têm se mostrado muito mais disciplinados em relação às metas de inflação do que seus homólogos dos mercados desenvolvidos.”

Os títulos de mercados emergentes em moeda local se valorizaram 3,3% neste ano, enquanto seus equivalentes dos países desenvolvidos caíram 1,9%, de acordo com os índices de retorno total da Bloomberg.
Os títulos de mercados emergentes apresentaram desempenho superior mesmo após sofrerem uma queda de 3,8% em março devido ao início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã.
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A tendência de desvalorização do dólar ressurgiu nos últimos meses, à medida que a dívida nacional dos Estados Unidos subiu para US$ 40 trilhões, minando o apelo do dólar como reserva de valor.
Essa estratégia ganhou ainda mais força em meados de agosto, após o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciar planos de recompra de títulos do Tesouro com vencimentos mais longos, limitando efetivamente o retorno potencial da manutenção de ativos em dólar de longo prazo.
Enquanto nações desenvolvidas, como os Estados Unidos, a França e a Alemanha, enfrentam déficits fiscais elevados, muitos mercados emergentes aprenderam as lições de episódios anteriores de turbulência financeira, como a crise da dívida latino-americana da década de 1980 e a crise financeira asiática de 1997-98. Isso os tornou mais determinados a aderir à disciplina fiscal.
Mais atraentes
A adoção de políticas ortodoxas torna os mercados emergentes mais atraentes, de acordo com a Marlborough Investment Management, com sede no Reino Unido.
“Venho afirmando publicamente há anos — se busco ortodoxia política, recorro aos mercados emergentes, e não aos desenvolvidos”, disse James Athey, gestor de recursos da empresa de investimentos.
“Não possuímos um único título de dívida pública europeia, nem títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento superior a 10 anos”, disse Athey. “A maior parte de nossa duração está na Austrália, na Nova Zelândia e nos mercados emergentes”, incluindo dívida pública do México e do Chile, afirmou ele.
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O fluxo de recursos para os mercados emergentes lembra a alguns investidores a virada em direção a essa classe de ativos que ocorreu após os aumentos de tarifas do “Dia da Libertação”, anunciados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em abril do ano passado.
“Após o ‘Dia da Libertação’, os investidores preferiram ativos fora dos Estados Unidos na alocação de suas carteiras, e observamos uma forte rotação para ativos de mercados emergentes”, disse Wim Vandenhoeck, codiretor de dívida de mercados emergentes da Invesco em Nova York.
É provável que a rotação atual continue, pois “os mercados emergentes são mais fortes e mais diversificados do que as pessoas imaginam”, afirmou ele.

Os investidores injetaram um total acumulado de US$ 440 milhões no fundo negociado em bolsa VanEck J.P. Morgan EM Local Currency Bond, de US$ 5 bilhões, entre abril e junho de 2025 — marcando o maior influxo desde o primeiro trimestre de 2019.
Embora os títulos de mercados emergentes estejam tendo um ano excepcional, eles ainda enfrentam uma série de riscos.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de 10 anos vêm subindo nos últimos meses e estão atualmente em 4,71%, próximos ao limiar-chave de 5%, o que pode atrair fundos de volta para ativos em dólar.
A mais recente alta nos preços globais do petróleo também é um alerta de que as finanças públicas dos mercados emergentes permanecem relativamente expostas a custos mais elevados de energia.
Além disso, o dólar também obteve uma certa trégua na sexta-feira, após a promessa do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, de combater a inflação, o que impulsionou as apostas em aumentos das taxas de juros neste ano.
Por enquanto, porém, os gestores de recursos veem a tendência de desvalorização do dólar como um motivo válido para redirecionar mais recursos para os mercados emergentes.
As recentes preocupações com a desvalorização do dólar nos Estados Unidos reacenderam os incentivos do mercado para diversificar o posicionamento excessivo em dólar americano para outros ativos, incluindo moedas e taxas de juros dos mercados emergentes, afirmou Leonard Kwan, gestor de carteiras da Estratégia de Títulos de Renda Fixa de Mercados Emergentes Dinâmicos da T. Rowe Price.
“Temos mantido uma posição positiva” e construtiva em relação às taxas da América Latina, e esse tema da desvalorização proporciona um impulso adicional à nossa posição, afirmou ele.
-- Com a colaboração de Ruth Carson.
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