Abertura aos EUA? O que esperar do setor petrolífero venezuelano nos próximos meses

Os Estados Unidos ampliaram as autorizações para que empresas internacionais operem, negociem contratos e invistam na Venezuela; atualmente, a produção de petróleo na Venezuela é de aproximadamente 1,2 milhão de barris por dia – insuficiente para atender às demandas de recuperação do setor

Exxon y Chevron mantienen cautela en Venezuela pese a presión de Trump para producir más

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Bloomberg Línea — O setor petrolífero venezuelano entrou em uma fase de maior abertura ao capital internacional, com novas regras, o fim de várias restrições impostas pelos Estados Unidos e o retorno gradual de empresas estrangeiras aos projetos de petróleo e gás.

Após a captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro deste ano, o governo Trump ampliou, ao longo deste ano, as autorizações para que empresas internacionais operem, negociem contratos e invistam na Venezuela.

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Em março, Washington emitiu uma licença geral que ampliou significativamente as operações de empresas americanas com a Petróleos de Venezuela (PDVSA), enquanto o novo marco venezuelano de hidrocarbonetos, aprovado no final de janeiro, abriu mais espaço para a participação privada.

A resposta das empresas tem sido cautelosa, mas já começam a surgir medidas concretas. A Chevron aumentou sua produção em suas joint ventures com a PDVSA para cerca de 280 mil barris por dia durante o primeiro semestre de 2026 e estima que, nos próximos 18 a 24 meses, a produção de petróleo na Venezuela possa aumentar em 15%.

Enquanto isso, outras empresas internacionais avançaram em novos projetos.

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No setor de gás, o sinal mais recente é o acordo firmado entre a BP, a XRG e a UCC para desenvolver a segunda fase do campo offshore de Loran, com acesso a cerca de 4 TCF (trilhões de pés cúbicos, em inglês) de gás recuperável, após a Shell ter assumido a primeira fase.

No entanto, o aumento da produção ainda é modesto em comparação com as necessidades de recuperação do setor. A produção venezuelana gira atualmente em torno de 1,2 milhão de barris por dia, de acordo com o recente relatório da OPEP divulgado em agosto, enquanto persistem grandes restrições de infraestrutura e as empresas internacionais continuam exigindo condições que justifiquem investimentos em maior escala.

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O próprio CEO da Chevron (CVX), Mike Wirth, afirmou em março que ainda eram necessárias mudanças para atrair o nível de investimento necessário para a recuperação do setor.

É justamente nesse ponto que ganham relevância as perspectivas apresentadas pelo ex-ministro da Energia e Minas, Humberto Calderón Pietri, durante o webinar sobre as perspectivas do setor petrolífero da Venezuela, realizado em meados de agosto.

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Calderón, que compartilhou suas visões durante a apresentação de uma hora, afirmou que a recuperação deverá se concentrar, em grande parte, na Faixa do Orinoco, onde se encontra a maior parte dos recursos de petróleo pesado. No entanto, o desenvolvimento desses recursos exige investimentos em grande escala e tecnologia especializada.

Um dos principais desafios é aumentar o fator de recuperação, que ele estimou atualmente em cerca de 6% a 7%. Cada ponto percentual adicional representa milhões de barris recuperáveis; portanto, a pesquisa e a adoção de tecnologia serão fundamentais.

A experiência venezuelana demonstra a margem existente. Calderón citou casos de poços que passaram de uma produção de cerca de 150 barris por dia para 600 barris por meio da injeção de vapor e, posteriormente, atingiram entre 1.800 e 2.000 barris por dia com perfuração horizontal e multilateral.

Outro desafio imediato será dispor de diluentes suficientes para transportar os petróleos brutos pesados, especialmente se os melhoradores deixarem de ser um elemento central do esquema de produção.

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Regras claras

O aumento da produção nos próximos meses dependerá não apenas da disponibilidade de capital, mas também das condições sob as quais esse capital poderá ser injetado.

Calderón considera que a atual estrutura tributária não é suficientemente competitiva para projetos complexos como os da Faixa. Uma taxa de regalia de 30%, combinada com outros impostos e um imposto de renda de 50%, pode limitar o apelo para as grandes empresas internacionais.

Sua proposta é avançar na elaboração de uma Lei de Hidrocarbonetos que estabeleça uma taxa de regalia de 20% como teto máximo, com flexibilidade para reduzi-la quando as condições econômicas de um projeto assim o exigirem.

A discussão sobre as regras não é pouca coisa. As próprias empresas internacionais alertaram que ainda existem questões regulatórias e contratuais que precisam ser resolvidas antes de se comprometerem com investimentos de grande magnitude.

Campos maduros

Enquanto os grandes projetos exigem investimentos de bilhões de dólares, parte da recuperação poderia ocorrer mais rapidamente nos campos maduros.

Calderón destacou que, somente na região do Oriente, existem mais de 70 campos e cerca de 3 mil jazidas, muitas delas pequenas demais para as grandes empresas, mas potencialmente atraentes para operadores privados venezuelanos.

Ele identifica aqui uma oportunidade para os profissionais venezuelanos que trabalharam durante anos no exterior. A ideia, segundo ele, seria criar mecanismos que lhes permitam retornar como empresários e operadores, levando em conta sua experiência e conhecimento técnico, além de sua capacidade financeira.

De acordo com as estimativas citadas por ele, os campos maduros da região Oriental poderiam, eventualmente, atingir cerca de 500 mil barris por dia.

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Gás como protagonista

O outro grande fator nas perspectivas para os próximos meses é o gás. A Venezuela possui cerca de 200 TCF de reservas, mas precisa acelerar a exploração e desenvolver recursos que ainda não estão em produção.

A plataforma continental concentra boa parte dessas oportunidades. Calderón lembrou que a Venezuela possui cerca de 500 mil km² de plataforma continental e citou áreas como Paria, La Blanquilla, Falcón e o Golfo da Venezuela, além das descobertas de Perla, Mejillones, Dragón e Patao.

O desenvolvimento do projeto Rio Caribe e dos projetos de gás offshore assume especial importância, pois o gás não representa apenas uma oportunidade de exportação: ele também é necessário para recuperar a geração termoelétrica e, com ela, a capacidade produtiva da indústria.

Recuperando a infraestrutura

A magnitude do deterioramento explica por que o crescimento não será imediato. No setor de refino, Calderón estima que, diante de uma capacidade instalada histórica de 1,25 a 1,30 milhão de barris por dia, atualmente apenas cerca de 200 mil barris por dia estão disponíveis.

A proposta é reconstruir e modernizar as refinarias existentes com participação privada, em vez de necessariamente iniciar novos projetos do zero.

Algo semelhante ocorre com a infraestrutura petrolífera do Lago de Maracaibo e com os serviços associados à produção. A recuperação da produção exigirá, simultaneamente, a recuperação de poços, equipamentos, instalações, serviços petrolíferos e fornecedores nacionais.

A abertura promovida pelos Estados Unidos e o interesse renovado das empresas internacionais mudaram o cenário. No entanto, os primeiros acordos ainda não significam uma reconstrução do setor. O desafio dos próximos meses será transformar essa abertura em investimentos efetivos e em uma recuperação sustentável da produção.

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