Bloomberg — O governo espanhol ordenou um destacamento militar de emergência para um dos dois enclaves do país no Norte da África, após a entrada de milhares de imigrantes ilegais nos últimos dias.
O jornal El País e outros meios de comunicação espanhóis informaram que mais de 40 mil pessoas entraram na cidade de Ceuta nos últimos dias, sendo que o maior número chegou na quinta-feira. Ceuta e outro enclave espanhol, Melilha, são as únicas conexões terrestres diretas entre a África e a Europa, e entrar em qualquer um deles significa que os migrantes estão em solo europeu.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez deve fazer uma declaração pública ainda nesta sexta-feira em Ceuta, após reuniões com as forças de segurança e autoridades locais.
A agência de notícias pública espanhola EFE informou nesta sexta-feira que milhares de pessoas que haviam cruzado a fronteira começaram a retornar ao Marrocos na quinta-feira, enquanto o El País informou que pelo menos 27 pessoas morreram durante a travessia para a Espanha. Os migrantes podem tentar pular as cercas ou nadar contornando um grande quebra-mar.
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A crise na fronteira tem atraído a atenção de toda a Europa, incluindo uma ameaça da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, de suspender o acordo de livre circulação da União Europeia com a Espanha. A ministra do Interior da Finlândia, Mari Rantanen, pediu nesta sexta-feira que os países europeus apoiem a proposta de Meloni.
O ministro da Defesa espanhol afirmou em comunicado na noite de quinta-feira que soldados serão enviados para “reforçar” as forças de segurança em Ceuta. A Guarda Civil e a Polícia Nacional — as duas principais forças de segurança da Espanha — também receberão reforços para ajudá-las a proteger a fronteira, incluindo barcos e mergulhadores adicionais, informou o comunicado.
No início do dia, o presidente local de Ceuta, Juan Jesús Vivas, membro do Partido Popular, da oposição, afirmou que a cidade precisa de mais recursos e infraestrutura para lidar com o afluxo de migrantes. O primeiro-ministro Pedro Sánchez declarou em uma postagem no X que o governo está “focado em oferecer uma solução imediata para a situação em Ceuta”.
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“As imagens que chegam de Ceuta” demonstram “que a imigração ilegal descontrolada representa uma ameaça real à segurança das fronteiras da Europa”, disse Meloni. “A Itália não ficará de braços cruzados. Estamos convocando as autoridades competentes e, após essas reuniões, estamos preparados para tomar medidas extraordinárias para defender nossas fronteiras e garantir a segurança de nossos cidadãos, incluindo a suspensão do Acordo de Schengen com a Espanha.”
“A proteção das fronteiras externas da União Europeia é uma parte crucial de nossos esforços para combater a migração ilegal. Estamos em contato com as autoridades competentes sobre a evolução da situação em Ceuta”, afirmou Magnus Brunner, comissário da UE para Assuntos Internos e Migração, em uma postagem no X.

Ceuta e Melilha situam-se ambas na costa africana do Mar Mediterrâneo, compartilhando suas únicas fronteiras terrestres com o Marrocos. As duas cidades frequentemente precisam lidar com um grande número de migrantes que tentam entrar ilegalmente, mas os números de pessoas que chegaram nos últimos dias não eram observados há vários anos.
O governo de Sánchez tem adotado uma abordagem muito mais aberta em relação à imigração do que a maioria dos países da UE. Recentemente, propôs um plano de regularização em massa que deverá conceder documentos a cerca de 1 milhão de migrantes sem documentação. Embora o governo tenha se mostrado aberto a atrair migrantes, tem buscado principalmente latino-americanos.
--Com a colaboração de Chiara Albanese e Zoe Schneeweiss.
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