Empresas brasileiras prospectam oportunidades de negócios na Venezuela, dizem fontes

Delegação organizada pela Embaixada do Brasil e pela ApexBrasil reúne executivos e entidades setoriais para encontros com autoridades e empresários venezuelanos; JBS, PetroReconcavo e Toyota estão entre as participantes, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News

Um pedestre passa em frente ao edifício do Conselho Nacional Eleitoral, no centro de Caracas (Foto: Carlos Becerra/Bloomberg)
Por Fabiola Zerpa

Bloomberg — As empresas brasileiras estão correndo para marcar presença na Venezuela, à medida que o país ressurge após mais de uma década de isolamento.

Uma delegação de executivos brasileiros está se reunindo com autoridades venezuelanas em Caracas nesta semana, apresentando seus produtos e serviços na expectativa de aproveitar a onda de recuperação econômica.

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Representantes de cerca de 30 empresas brasileiras, incluindo a produtora de carne JBS e a fabricante de aeronaves Embraer, foram convidados a participar de reuniões na terça e na quarta-feira com altas autoridades venezuelanas e grupos empresariais, segundo fontes a par dos planos que falaram à Bloomberg News.

Alguns dos executivos se reuniram na terça-feira com Calixto Ortega, vice-presidente de Economia da Venezuela, disse uma das fontes. A Embraer, no entanto, não enviou nenhum representante às reuniões, informou um porta-voz da empresa à Bloomberg.

A visita ressalta os esforços do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aprofundar os laços econômicos com a vizinha Venezuela após anos de estagnação comercial.

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O comércio bilateral totalizou cerca de US$ 837 milhões no ano passado, abaixo do pico de US$ 5,1 bilhões registrado em 2008, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil.

Outros vizinhos da Venezuela, especialmente a Colômbia, também buscam restabelecer laços comerciais e de investimento.

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(Fonte: Bloomberg, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC))

A JBS não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

As reuniões foram organizadas pela Embaixada do Brasil em Caracas e pela Agência Brasileira de Promoção de Comércio e Investimento.

A lista de convidados brasileiros incluía a cimenteira Sementes Aliança, a fabricante de tubos de aço Tenaris, a produtora de petróleo PetroRecôncavo, as empresas farmacêuticas Biolab Sanus Farmacêutica e Grupo Eurofarma, e as montadoras Toyota, General Motors e Scania, segundo as fontes. Não ficou claro de imediato quais empresas participaram das reuniões.

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Entre os grupos setoriais convidados estavam a Associação Brasileira de Produtores de Carne (ABPA), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), a Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Bovina (ABIEC), as associações de produtores de arroz e grãos Abiarroz e IBRAFE, e as associações de fabricantes de peças automotivas e veículos Sindipecas e ABIMAQ.

“A Venezuela já foi um importante parceiro comercial do Brasil”, afirmou o diretor de Assuntos Estratégicos da ABIEC, Julio Ramos.

“Portanto, vemos este momento como uma oportunidade para um recomeço — um novo capítulo nas relações entre o Brasil e a Venezuela, especialmente no que diz respeito à carne bovina brasileira.”

Alguns dos executivos do setor de carne bovina estavam avaliando terras na Venezuela para a pecuária, disse uma das fontes.

O comércio bilateral expandiu-se rapidamente durante a década de 2000, nos governos de Lula e do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, impulsionado pela afinidade política e pela crescente demanda por produtos manufaturados e alimentos brasileiros.

Desde então, os fluxos comerciais se contraíram, à medida que a crise econômica da Venezuela e as sanções internacionais pesaram sobre as atividades.

O Ministério do Comércio do Brasil encaminhou as perguntas ao Ministério das Relações Exteriores, que não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O Ministério da Informação da Venezuela, responsável por atender às perguntas da mídia, também não respondeu.

--Com colaboração de Beatriz Reis, Dayanne Sousa, Barbara Nascimento, Rachel Gamarski e Leonardo Lara.

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