Da Turquia ao Brasil: os países com as maiores taxas de juros reais do mundo

Brasil tem juro real de 9,51% e ocupa a segunda posição global, atrás apenas da Turquia, segundo levantamento da MoneYou e Lev Intelligence

Inflação resistente mantém juros reais elevados e coloca países emergentes no topo do ranking
19 de Março, 2026 | 10:14 AM

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Bloomberg Línea — Brasil, Argentina, México e Colômbia estão entre os 10 com as maiores taxas de juros reais do mundo — ou seja, as taxas ajustadas pela inflação —, de acordo com um levantamento divulgado pela MoneYou e pela Lev Intelligence.

Com uma taxa real de aproximadamente 9,51%, o Brasil consolida-se na segunda posição do ranking mundial, atrás da Turquia (10,38%).

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Seguem-se a Rússia e a Argentina (ambas com 9,41%), o México ( 5,39%), a África do Sul (5,22%), a Indonésia (3,31%), a Hungria ( 3,02%), a Colômbia (2,99%) e as Filipinas (2,81%).

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Hong Kong (uma região administrativa especial da China) ocupa a 11ª posição, com uma taxa de 2,71%, seguida pela Polônia ( 2,61%), Israel (2,39%), Chile (2,23%), República Tcheca ( 2,20%), Cingapura (2,10%) e Índia ( 2%).

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Completam o top 20 da lista a Austrália (1,62%), a Tailândia ( 1,51%) e a Coreia do Sul ( 1,35%).

A média mundial entre os países analisados é de 2,18%, de acordo com o Ranking mundial das taxas de juros reais.

E, em termos nominais, o Brasil continua na quarta posição ( 14,75%), atrás da Turquia (37%), da Argentina (29%) e da Rússia (15,50%).

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Outros países com altas taxas nominais no mundo são a Colômbia ( 10,25%) e o México (7%).

O analista financeiro Gregorio Gandini explicou à Bloomberg Línea que o nível das taxas de juros nesses países depende principalmente de seus índices de inflação, especialmente no caso da Argentina.

O diretor da empresa Gandini Análisis acrescentou que o Brasil e a Colômbia também enfrentam uma inflação persistente, o que levou seus bancos centrais a adotarem políticas monetárias restritivas, situando suas taxas entre as mais altas da região.

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Ele observou que, quando a inflação é mais elevada, as taxas nominais devem ser ajustadas para cima, o que, por sua vez, também eleva as taxas reais.

A Lev Intelligence explica que as perspectivas inflacionárias foram, em sua maioria, revisadas para cima nos países da lista.

Dos 164 países analisados, 79,27% mantiveram as taxas, 3,05% as aumentaram e 17,68% as reduziram.

Na lista — que inclui 40 países —, 82,50% mantiveram, 7,50% aumentaram e 10,00% reduziram as taxas até março de 2026.

Desafios para conter a inflação

Compradores en el Mercado Municipal de Uruguaiana, en el centro de Río de Janeiro, Brasil, el martes 5 de abril de 2022. Aunque el banco central de Brasil lleva meses aplicando una agresiva campaña de endurecimiento monetario, la tasa de inflación del país seguía siendo del 11,3% en marzo.

No caso do Brasil, o economista-chefe da empresa Lev Intelligence, Jason Vieira, observou que o elevado nível das taxas reais reflete as dificuldades do Banco Central em conter a inflação.

Ele indicou que a autoridade monetária tem mantido uma postura conservadora diante da persistência das pressões inflacionárias.

“E com esse nível de taxas de juros reais, fica claro que aqui no Brasil continuamos enfrentando muitas dificuldades”, afirmou Vieira à Bloomberg Línea.

“O Banco Central tem mantido uma postura conservadora porque a situação é complicada. Não estamos conseguindo controlar a inflação, e isso já há algum tempo vem sendo um problema para as autoridades monetárias”, afirmou.

De acordo com o relatório, no Brasil, o cenário de incerteza inflacionária local “persiste devido à situação fiscal e a um mercado de trabalho restrito, que geram tensões”.

A esses fatores soma-se a guerra no Oriente Médio, que “aumenta a incerteza e complica as decisões de política monetária, com uma inflação que mantém uma tendência qualitativa negativa, apesar de alguns alívios pontuais em setores relevantes”.

Sobre o México e a Colômbia, ele explicou que, embora ambos apresentem taxas nominais elevadas, o ponto-chave é quanto desse rendimento permanece após descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses.

Ele observou que não se trata tanto de uma questão de prêmio de risco, mas sim de como se está agindo em relação ao nível de inflação, que continua persistente ou “teimosa”.

No caso da Argentina, ele indicou que as taxas nominais dos “poucos títulos” que ainda são negociados no mercado (principalmente com vencimento em um ano) são altas e que a inflação projetada continua em níveis elevados.

Isso limita o rendimento em termos reais, mesmo que o ritmo de aumento dos preços tenha diminuído durante o governo de Javier Milei.

Diferencial de taxas

Prédio do Banco Central do Brasil em Brasília, ao fundo

Jason Vieira disse que a principal diferença nos fluxos de capital reside nas taxas de juros reais.

Ele explicou que os investidores tendem a direcionar seus recursos para os países que oferecem maiores retornos ajustados pela inflação.

Entre as economias latino-americanas, ele afirmou que o Brasil se destaca como um destino em potencial.

No cenário mundial, ele argumentou que a Turquia apresenta alta volatilidade, enquanto a Rússia enfrenta restrições e a Argentina também mantém limitações, inclusive relacionadas aos títulos emitidos recentemente.

No entanto, ele precisou que uma parte significativa desses fluxos tem se direcionado mais para os mercados de ações do que para instrumentos de dívida, “mas, obviamente, o carry trade faz a diferença”.

Mesmo assim, ele disse que o diferencial de taxas, aliado à valorização da moeda, tem sido um fator determinante para atrair capital estrangeiro, embora tenham ocorrido algumas saídas no curto prazo.

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Esses países “podem atrair fluxos provenientes de operações de carry trade das economias desenvolvidas para investidores dispostos a aumentar seu apetite pelo risco”, observou Gregorio Gandini.

Esta é a lista das 10 taxas de juros reais mais altas do mundo:

  1. Turquia – 10,38%
  2. Brasil – 9,51%
  3. Rússia – 9,41%
  4. Argentina – 9,41%
  5. México – 5,39%
  6. África do Sul – 5,22%
  7. Indonésia – 3,31%
  8. Hungria – 3,02%
  9. Colômbia – 2,99%
  10. Filipinas – 2,81%

E esta é a lista das 10 taxas de juros mais altas em termos nominais:

  1. Turquia — 37,00%
  2. Argentina — 29,00%
  3. Rússia — 15,50%
  4. Brasil — 14,75%
  5. Colômbia — 10,25%
  6. México — 7,00%
  7. África do Sul — 6,75%
  8. Hungria — 6,25%
  9. Índia — 5,25%
  10. Indonésia — 4,75%