Bloomberg Línea — A platina e o paládio se consolidaram como dois dos metais preciosos de melhor desempenho no ano passado, em meio à incerteza provocada pela guerra comercial, mas em 2026 recuam diante de um forte ajuste de portfólios e de mudanças na demanda associadas à guerra no Irã.
O banco suíço UBS passou a adotar uma visão menos otimista para o desempenho do paládio e da platina em 2026.
O paládio teve forte valorização em 2025, com alta de 77%, mas agora acumula queda de 8,48% no ano até as 12h (ET) de segunda-feira, 4 de maio, segundo a Bloomberg.
Leia também: Investir em ouro? UBS vê oportunidade em mineradoras com menor volatilidade do metal
O uso do paládio segue altamente concentrado em um único mercado — o de catalisadores automotivos — o que o torna especialmente sensível às mudanças na indústria automobilística, segundo o UBS.
O mercado de catalisadores para veículos a gasolina respondeu por entre 80% e 85% da demanda nos últimos seis anos.
De acordo com o UBS, o metal também é utilizado em outras áreas, como componentes elétricos, produtos químicos, odontologia, biomedicina e controle de poluição, que juntos representam entre 15% e 17% da demanda.
Já a demanda em joalheria é de apenas 1%, enquanto a demanda para investimento oscilou entre -2% e +2% (saídas versus entradas de capital).
Leia também: Investir em ouro? UBS vê oportunidade em mineradoras com menor volatilidade do metal
“Com a eletrificação da indústria automotiva em curso, uma grande parte da demanda está em risco”, afirma o UBS.
Nesse contexto, o banco diz que os maiores produtores de paládio do mundo têm buscado novos mercados finais para o metal.
Por exemplo, a gigante russa Nornickel reiterou em março a meta de criar cerca de 1,7 milhão de onças troy de nova demanda anual de paládio fora dos autocatalisadores.
A produção de fibra de vidro na China aparece como uma das principais fontes dessa nova demanda.
“Outras aplicações possíveis incluem ligas à base de paládio para buchas, além de novos mercados potenciais em energia solar, microeletrônica e transporte elétrico”, disseram os estrategistas do UBS.
Ainda assim, as perspectivas permanecem cautelosas.
“Embora esses novos usos ajudem a compensar a queda nos autocatalisadores, as 1,7 milhão de onças adicionais ainda representariam apenas uma fração das 8 milhões de onças utilizadas nesse setor”, afirma o banco.
Diante de preocupações com o crescimento econômico global e da possibilidade de o paládio entrar em excedente estrutural nos próximos anos, o UBS reduziu suas projeções para 2026.
“Dadas as preocupações persistentes com o crescimento econômico e a perspectiva de que o metal entre em um excedente estrutural nos próximos anos, reduzimos nossas projeções para todos os horizontes em US$ 200 por onça, para US$ 1.600” no fim de 2026, disseram Giovanni Staunovo e Wayne Gordon, estrategistas do UBS Global Wealth Management.
Projeções para a platina
“Ao analisar diferentes indicadores do mercado de platina, observa-se uma redução no apetite por investimento”, explicam os estrategistas do UBS.
No ano passado, a platina subiu 122%, mas em 2026 acumula queda de 5,22%, segundo dados da Bloomberg.
De acordo com o UBS, embora as posições líquidas permaneçam positivas, as participações em ETFs de platina diminuíram em quase 300 mil onças, para 2,9 milhões de onças no acumulado do ano.
“O único indicador que ainda mostra força são as importações de platina na China, que superaram 10 toneladas métricas em março, ante entre 4,5 e 4,7 toneladas em janeiro e fevereiro”, detalhou.
Os estrategistas afirmam que a restrição do mercado físico observada nos últimos 12 meses começou a aliviar, com queda nas taxas de leasing (agora próximas de 6%, ante quase 19% no início do ano).
Nesse contexto, considerando um mercado menos apertado e os riscos para o crescimento econômico, o UBS reduziu suas projeções em US$ 200 por onça, para US$ 2.300.
Ainda assim, mantém uma visão moderadamente construtiva, sustentada pela expectativa de preços mais altos do ouro.









