Bloomberg Línea — A argentina Belo captou US$ 14 milhões em rodada série A, liderada pela Tether, conhecida como uma das principais emissoras de stablecoins do mundo.
Criada em 2021, a fintech faz uso da tecnologia das stablecoins para oferecer seus serviços e nasceu com um modelo de negócios cross-border com foco em latino-americanos que trabalham para empresas no exterior, ganhando em dólar ou euro, competindo com empresas como a Wise.
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A startup atua oficialmente no Brasil desde o ano passado, quando inaugurou um escritório em São Paulo. A relação com o país começou bem antes, no entanto, e por conta do Pix, quando os fundadores da Belo buscavam entender os hábitos de pagamentos mais recentes do fluxo de brasileiros que visitam a Argentina, em destinos como Buenos Aires, Mendoza e Ushuaia.
“Os comerciantes queriam uma forma de poder aceitar pagamentos com maior conveniência”, afirmou Manuel Beaudroit, co-fundador e CEO da Belo, em entrevista recente à Bloomberg Línea.
A oportunidade ainda atraiu também gigantes como o Mercado Pago, a fintech do Mercado Livre, que desenvolveu uma solução para que brasileiros possam pagar com Pix na Argentina por meio de QR Code em maquininhas Point Smart.

Em direção contrária, quando os turistas argentinos começaram a retornar às praias brasileiras, a startup surfou a onda, processando milhões em compras feitas por eles no país vizinho.
Por meio de app, os usuários depositam pesos em suas contas e o sistema processa automaticamente os valores para reais a cada transação, seja via QR code ou número de telefone.
“O corredor entre Brasil e Argentina segue sendo um caso de uso relevante, especialmente para turismo, educação e usuários que circulam entre os dois países”, disse Beaudroit.
“Mas, um pouco como comentamos antes, a estratégia da Belo não se limita a esse fluxo. A companhia vem ampliando sua proposta para diferentes casos de uso, como recebimento de renda do exterior, uso local de recursos e operações entre múltiplas moedas dentro de uma mesma experiência”, afirmou.
A startup tem hoje a Argentina, onde começou a operação, e o Brasil como os principais mercados, seguidos pelo México, a segunda maior economia da região. E opera no lucro há três anos, segundo dados internos.
Com o aporte, a Belo se prepara para acelerar a atuação em países como Chile, Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai. A base de usuários está hoje com 3,3 milhões, distribuídos por vários países da América Latina.
“A recente rodada deve acelerar esse crescimento, com foco em expansão regional, obtenção de licenças, integração com sistemas de pagamento locais e evolução do produto”, diz o CEO. A captação teve a participação também do Titan Fund, The Venture City, Mindset Ventures, G2 e outros investidores no cap table desde 2021.
A startup procura se posicionar como um negócio da região e que entende as demandas financeiras de profissionais da América Latina. E, diferentemente de plataformas como Wise ou Deel, atuantes em dores como transferências internacionais ou pagamento de trabalhadores, a argentina procura integrar recebimento, conversão e uso do dinheiro no varejo em um único fluxo.
A vantagem do negócio, com infraestrutura baseada em stablecoins e integrações locais como Pix no Brasil ou CVU na Argentina, está na menor fricção e na potencial redução dos custos, ao ter menos intermediários da cadeia de valor.
“As tarifas podem variar de acordo com o tipo de operação, moeda, país e infraestrutura utilizada. A proposta da companhia é que o custo final seja claro para o usuário, evitando surpresas típicas dos sistemas tradicionais”, afirma Beaudroit.
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