CEOs de petrolíferas pressionam presidente da Venezuela por garantias a investimentos

Reunião é a indicação mais clara de que o interesse entre as petroleiras dos EUA está se ampliando além da Chevron e de outras grandes empresas em resposta ao chamado do presidente dos EUA para reativar a produção no país

'A Venezuela está de volta ao mapa', disse Sheffield, sócio-gerente da Formentera Partners (Foto:  Maryorin Mendez/AFP/Getty Images)
Por Fabiola Zerpa - Ari Natter - Mitchell Ferman

Bloomberg — Um grupo de executivos do setor de petróleo dos EUA se reuniu na semana passada com a presidente interina da Venezuela, em Caracas, e pressionou por garantias de que o país é seguro para investimentos, enquanto o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, os incentiva a reconstruir o combalido setor de energia venezuelano.

O grupo, acompanhado por um alto funcionário do Departamento de Energia dos EUA, incluindo o CEO da Continental Resources, Doug Lawler, o empresário do setor petrolífero do Texas Bryan Sheffield e o ex-presidente da Câmara dos Representantes Kevin McCarthy, que atualmente integra o conselho da empresa de perfuração Aspect Holdings, sediada em Denver.

PUBLICIDADE

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


Os executivos pressionaram a presidente interina Delcy Rodríguez por detalhes sobre como a estatal de petróleo da Venezuela estruturaria os contratos, como seriam os royalties e se poderiam investir sem o risco de terem seus ativos confiscados, segundo uma das pessoas que participaram do encontro.

A reunião é, até agora, a indicação mais clara de que o interesse entre as petroleiras dos EUA está se ampliando além da Chevron e de outras grandes empresas, em resposta ao chamado do presidente dos EUA, Donald Trump, para reativar a produção na Venezuela.

PUBLICIDADE

Russell Freeman, diretor-presidente da HKN Energy, com sede em Dallas, participou e afirmou estar encorajado pelo potencial do país latino-americano.

“Tivemos discussões positivas com a liderança da Venezuela”, disse Freeman, cuja empresa tem como investidor Ross Perot Jr. e opera no Iraque, em comunicado enviado por e-mail.

“A HKN Energy traz experiência na atuação em ambientes complexos e veria com bons olhos a oportunidade de contribuir para o crescimento econômico da Venezuela.”

PUBLICIDADE

Leia também: Mercosul pode rever suspensão da Venezuela após novo cenário político, diz Alckmin

Executivos de várias das empresas — incluindo Continental, HKN e Aspect — participaram de uma reunião na Casa Branca, em janeiro, quando Trump instou o setor a investir bilhões de dólares na Venezuela após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro.

O encontro da semana passada sucede uma reunião semelhante realizada no mês passado em Caracas pelo secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, com executivos do setor de petróleo e autoridades do governo.

PUBLICIDADE

“A Venezuela está de volta ao mapa”, disse Sheffield, sócio-gerente da Formentera Partners, firma de investimentos com sede em Austin, Texas, em mensagem de texto. “As peças finalmente estão se encaixando.”

A Venezuela possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, mas sua infraestrutura energética está em ruínas após anos de negligência e corrupção.

Leia também: Apoiada pela Galapagos, Alvorada amplia a aposta no petróleo da Venezuela

As empresas têm sido cautelosas em atender ao apelo do presidente dos EUA para ajudar a reconstruí-la, diante da instabilidade política e do histórico de nacionalizações — o país confiscou ativos de companhias petrolíferas na década de 1970 e novamente em 2007.

Nos pouco mais de três meses desde que forças dos EUA capturaram Maduro, os EUA assumiram o controle das vendas de petróleo da Venezuela, aliviaram gradualmente as sanções e emitiram uma série de licenças permitindo que mais empresas estrangeiras operem no país. Autoridades venezuelanas, por sua vez, reformularam a lei de hidrocarbonetos para atrair de volta companhias internacionais.

Durante a reunião com executivos do setor, Rodríguez afirmou que os EUA precisam ir além da emissão de licenças de curto prazo e oferecer um alívio amplo e duradouro das sanções para estimular investimentos de longo prazo, de acordo com um breve vídeo do encontro exibido pela televisão estatal venezuelana.

Sheffield afirmou que, para ele, a viagem a Caracas teve um caráter pessoal. Seu avô estava prestes a assumir a presidência das operações da Arco na Venezuela antes de o país assumir o controle do setor de petróleo em meados da década de 1970.

“Rodríguez apenas reforçou minha convicção no potencial da Venezuela e o motivo pelo qual estou entusiasmado em investir novamente no país”, disse.

Veja mais em bloomberg.com