Apoiada pela Galapagos, Alvorada amplia a aposta no petróleo da Venezuela

Em entrevista à Bloomberg News a partir de Caracas, o CEO Paulo Buzanelli disse que o grupo de energia irá ampliar a produção em três blocos no país e vê oportunidades em serviços, logística e processamento; ‘Estamos entrando em uma nova fase’, disse ele

Oil Spills At Venezuelan's PDVSA Facilities
Por Peter Millard - Fabiola Zerpa
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Bloomberg — Uma perfuradora de petróleo brasileira decidiu expandir suas operações na Venezuela, apostando que o alívio das sanções estimulará a combalida indústria do país, destacando o apetite regional por participar da retomada liderada pelos Estados Unidos.

A Alvorada Heavy Industries, apoiada pela Galapagos Capital — gestora fundada por um ex-sócio do BTG Pactual — irá ampliar a produção em três blocos na borda nordeste do vasto cinturão do petróleo de Orinoco e negocia assumir áreas adicionais, disse o presidente do conselho, Paulo Buzanelli, em entrevista à Bloomberg News.

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A empresa também avalia oportunidades em serviços de petróleo, logística e processamento.

“Estamos entrando em uma nova fase”, afirmou Buzanelli por telefone desde Caracas, capital venezuelana, onde estava em viagem de negócios. “Estamos em uma expansão estruturada, em escala maior.”


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Fundada em 2023, a Alvorada faz parte de um grupo de petroleiras brasileiras posicionadas para crescer na Venezuela após a captura do líder Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro e o subsequente afrouxamento das sanções.

Leia também: Conselheiro da Petrobras critica perdas por controle de preços de combustíveis

As vastas reservas de petróleo e gás da Venezuela oferecem oportunidades potenciais para empresas independentes brasileiras que têm enfrentado dificuldades para expandir no mercado doméstico depois que a estatal Petrobras reduziu a venda de ativos sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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A Alvorada produz cerca de 4 mil barris por dia em seus três blocos venezuelanos e planeja atingir 20 mil barris diários em até dois anos.

Diferentemente da maior parte do petróleo extrapesado do Orinoco, o óleo produzido é de qualidade média, o que permite diluir tipos mais pesados de outros projetos para facilitar o escoamento por oleodutos, disse Buzanelli.

Outro projeto venezuelano avaliado pela Alvorada pode elevar a produção total para 30 mil barris por dia em poucos meses.

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A empresa negocia com outros investidores internacionais além da Galapagos, que tem cerca de US$ 4,2 bilhões sob gestão e foi fundada em 2019 por Carlos Fonseca, ex-chefe de private equity do BTG.

Embora anos de negligência e má gestão limitem o potencial de curto prazo da produção venezuelana, a recuperação do setor ganhou nova relevância à medida que a guerra com o Irã eleva os preços internacionais do petróleo e pressiona a oferta global.

Em 12 de abril, Donald Trump sugeriu que a China poderia enviar petroleiros à Venezuela após o fechamento do Estreito de Ormuz.

Buzanelli já apostava em uma retomada venezuelana quando a Alvorada adquiriu os contratos de produção há três anos.

“Entendemos que poderia haver uma abertura semelhante ao que aconteceu após a queda da União Soviética”, disse. “O que estamos vendo hoje é a concretização dessa tese.”

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-- Com a colaboração de Cristiane Lucchesi.

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