Bloomberg Línea — O Banco do Brasil (BBAS3) abriu o BB Day 2026, evento para investidores e analistas de mercado, com o diagnóstico de que 2025 foi “o ano mais desafiador da história recente do banco”, segundo o CFO Geovanne Tobias.
O lucro anual do BB caiu 45,4% em 2025, impactado principalmente pelo aumento do risco de crédito com a ampliação das provisões.
O volume trimestral de provisões praticamente triplicou na comparação com a média dos últimos 11 anos, que girava em torno de R$ 5 bilhões. O custo do risco saltou de 2,5% em 2014 para 5,1% em 2025.
“Sem dúvida alguma foi um ano completamente fora da curva”, disse o CFO. “Passar por 2025 exigiu da nossa administração muita transparência”.
O grande vilão dos resultados do BB foi o agronegócio – segmento que já foi fortaleza do banco e representa um terço de sua carteira de crédito. Apenas no último trimestre de 2025, R$ 10 bilhões dos R$ 18 bilhões de provisões totais vieram desse segmento.
Tobias listou uma combinação de fatores que prejudicaram os resultados do agro: conflito Rússia-Ucrânia e seus reflexos nas commodities agrícolas, a alavancagem excessiva do produtor rural, inflação de custos, Selic elevada, queda no preço da soja em 2023 e os eventos climáticos severos no Rio Grande do Sul em 2024.
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A solução de curto prazo foi suspender o guidance apresentado para 2025 e reformular toda a esteira de cobrança e exigência de garantias, passando a priorizar a alienação fiduciária no lugar do penhor e da hipoteca, que são instrumentos historicamente mais utilizados na carteira rural.
O BB também reforçou a aposta em outras linhas de crédito, além de diminuir a perspectiva de apetite no agronegócio. O guidance para 2026 tem projeção de crescimento zero da carteira de agro no ponto médio do guidance (projeção), que vai de -2,0% a +2,0%.
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Conglomerado como estratégia
Ainda é cedo, no entanto, para projetar como será a recuperação da carteira agro. Até lá, o Banco do Brasil espera usar seu conglomerado como estratégia para manter a rentabilidade apesar dos desafios de crédito.
Tobias reforçou que a instituição opera como um conglomerado com mais de 80 empresas, e que foi essa estrutura que permitiu sustentar retorno sobre patrimônio de dois dígitos mesmo em meio à crise de crédito.
“Estamos falando de um banco que vai muito além de financiar a agricultura”, afirmou.
“As empresas do grupo vem somando 52% do resultado. Essa estratégia foi fundamental para criar essa musculatura para que o conglomerado do Banco do Brasil enfrentasse 2025″.
Entre as empresas do grupo estão a BB Seguridade, líder em seguros rurais com 62% de participação de mercado e com posições relevantes em previdência e capitalização; a BB Consórcios, que hoje administra R$ 150 bilhões em carteira e 1,7 milhão de cotas ativas; e o BV, atualmente maior financiador de veículos do país.
O Banco do Brasil conta ainda parceria com o UBS no mercado de capitais, uma joint venture que já gerou R$ 1 trilhão em volume desde seu lançamento em 2020, e a BB Asset Management, que é atualmente a maior gestora de investimentos do Brasil com R$ 1,8 trilhão sob gestão.
No segmento de meios de pagamento, o banco concluiu o fechamento de capital da Cielo em 2024, junto ao Bradesco, que também é controlador da empresa. A bandeira Elo, a plataforma de benefícios Alelo e a empresa de fidelidade Livelo completam o ecossistema.
O CFO reforçou ainda que o BB pretende avançar na internacionalização. O banco lançou o PIX na Argentina via Banco Patagônia em março de 2026 e agora pretende replicar a experiência nos Estados Unidos, onde o BB Américas mantém mais de US$ 3 bilhões em ativos, sendo cerca de US$ 2 bilhões em financiamentos imobiliários para brasileiros na Flórida.
O CFO destacou também o programa de venture capital do BB, com investimentos em 51 startups entre fintechs, agritechs, govtechs e finanças verdes, que conta com capital investido superior a R$ 500 milhões.
“Apesar de termos enfrentado o maior desafio da história do Banco do Brasil nesses últimos 20 anos, nós acreditamos na capacidade do BB continuar gerando resultados sustentáveis no médio e longo prazo, dado toda essa estratégia de conglomerado que nós implementamos”, afirmou.
A próxima etapa anunciada é a criação de uma diretoria estatutária dedicada exclusivamente à gestão das participações estratégicas do conglomerado.
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