Bloomberg Línea — A América Latina está absorvendo “relativamente bem” o impacto da guerra no Irã graças a estruturas econômicas mais sólidas, amortecedores externos e maior credibilidade institucional, segundo o UBS (UBS).
“Em nossa opinião, a América Latina está absorvendo relativamente bem, até o momento, o impacto da guerra no Irã”, disse Alejo Czerwonko, diretor de investimentos (CIO) para Mercados Emergentes das Américas no UBS Chief Investment Office.
Ele explicou que os marcos econômicos, as reservas externas e a credibilidade institucional construídos na última década “estão se mantendo”.
De modo geral, afirma ele, as agências de classificação de risco percebem um panorama de estabilidade nas classificações da América Latina.
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“É importante ressaltar que, embora a exposição ao petróleo seja um fator diferenciador, a qualidade das decisões de política interna é igualmente importante, se não mais”, observou Czerwonko. Em nossa opinião, “o clima entre os responsáveis pela formulação de políticas parecia ser de otimismo cauteloso”.
De acordo com o UBS, os bancos centrais mantêm um tom restritivo e vigilante diante de possíveis efeitos inflacionários, e o Peru se destaca por sua resiliência, enquanto a Colômbia surge como o caso mais complexo da região.
No âmbito fiscal, afirma que prevalece a prudência, apesar de “algumas exceções”.

A Argentina mantém sua disciplina fiscal, o Chile e o Peru têm margem para consolidação, o Brasil apresenta menor pressão, o México busca equilibrar crescimento e disciplina, e a Colômbia enfrenta desafios maiores.
“A Colômbia encontra-se no extremo oposto, com as autoridades focadas em reduzir os custos com juros, dada a margem limitada para cortar gastos antes das eleições”, segundo o relatório do UBS.
Para a instituição financeira suíça, a política continua sendo o principal fator de incerteza na região.
Segundo ele, “há menos confiança entre os especialistas de que a região avance de maneira uniforme em direção a governos de tendência conservadora”.
O analista financeiro Gregorio Gandini observou que, inicialmente, alguns países foram beneficiados pelo aumento dos preços do petróleo, como o Brasil, o México e a Colômbia, por serem produtores, embora tenha alertado que, à medida que o conflito se prolonga, seus efeitos começam a se tornar evidentes.
Ele explicou que, por exemplo, o Chile — por ser importador de petróleo e gasolina — já está registrando aumentos nos preços.
No caso do Brasil, o impacto poderia ser sentido em sua agroindústria, dada a sua elevada dependência da importação de fertilizantes, parte dos quais transita pelo Estreito de Ormuz.
De qualquer forma , “para os investidores, a região se torna uma fonte de diversificação de risco”, observou Gandini.
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Perspectivas do UBS por país

Com base no recente relatório do FMI, o UBS explica que o Brasil mantém disciplina fiscal e cautela monetária, mas a eleição presidencial poderia forçar concessões que afetem a credibilidade.
“O risco é que a disputa eleitoral de outubro, bastante acirrada, force concessões fiscais que prejudiquem a credibilidade conquistada nos últimos anos”, explica ele.
O Ministério da Fazenda mantém a disciplina fiscal e o Banco Central do Brasil não demonstra pressa em reduzir as taxas, embora a eleição presidencial possa causar tensão em ambas as frentes, segundo o relatório.
Por enquanto, segundo o UBS, o impacto da guerra está sendo bem absorvido no país, com os subsídios aos combustíveis financiados integralmente por receitas extraordinárias do petróleo.
O banco descreve que, em meio às tensões globais, o México busca impulsionar o crescimento sem comprometer a disciplina fiscal, em meio à incerteza em relação ao T-MEC e às dúvidas sobre o ritmo da política monetária.
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“Em nossa opinião, é provável que a Moody’s altere a perspectiva negativa da classificação soberana do México este ano; embora reconheçam os avanços fiscais e as condições comerciais favoráveis para a Pemex, a agência destacou o aumento da dívida e os riscos fora do balanço”, afirma o UBS. “Acreditamos que o grau de investimento do México não esteja em dúvida, mas sua posição exata dentro da categoria é menos clara”.
Enquanto isso, na Argentina, o programa do FMI visa consolidar as reformas até 2026, antes da volatilidade eleitoral prevista para 2027.
O Chile chega mais fortalecido para enfrentar os choques externos, com inflação controlada e credibilidade institucional, embora possa moderar seu ajuste fiscal.
No Peru, o resultado eleitoral gera incerteza diante da entrada de um candidato de esquerda na disputa.
Embora a Colômbia se beneficie do petróleo, o país enfrenta desafios maiores devido a tensões internas, à divisão entre o governo de Gustavo Petro e o banco central do país e aos riscos institucionais.
Na opinião dos analistas do UBS, a Colômbia caminha para uma eleição bastante acirrada.
“Embora tudo indique uma virada em favor das forças de centro-direita nas próximas eleições, acreditamos que, mesmo assim, a disputa será acirrada, devido às preocupações com a segurança e ao fato de que as recentes tensões entre [Gustavo] Petro e o Banco Central provavelmente tenham diminuído a popularidade de [Iván] Cepeda entre os eleitores moderados”, afirma o relatório.
A Venezuela considera possível uma transição política, mas enfrenta grandes desafios em relação à dívida e à atração de investimentos para o setor petrolífero.
“A recuperação depende do setor petrolífero, mas a falta de um marco legal claro impede os investimentos. Nem o governo nem os EUA parecem priorizar, por enquanto, a reestruturação da dívida”, indica o relatório.
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