Bloomberg — O presidente dos EUA, Donald Trump, e seus aliados retomaram a ofensiva para remodelar o Federal Reserve depois que a Suprema Corte dos EUA bloqueou nesta semana a tentativa de demitir a diretora Lisa Cook.
Integrantes do alto escalão do governo e aliados externos avaliam ativamente formas de afastar membros do conselho de diretores (governors) do Fed, em Washington, para abrir espaço a mais indicações do presidente, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News.
Cook continua na mira depois que a Suprema Corte permitiu, por enquanto, que ela permanecesse no cargo. O mesmo vale para o ex-presidente da instituição Jerome Powell, disseram as fontes, que falaram sob condição de anonimato.
Embora a decisão da Suprema Corte tenha reforçado a independência do Fed em relação ao Poder Executivo, observadores da instituição destacaram o alcance limitado da decisão e alertaram que ela não protege completamente o banco central de futuras investidas políticas. Sem se intimidar, aliados de Trump veem a decisão como um roteiro processual para conseguir afastar Cook e intensificaram seus esforços nesse sentido, segundo pessoas com conhecimento do assunto.
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Trump afirmou à CNBC na quinta-feira (2) que a decisão da Corte se baseou em questões processuais, e não no mérito, e que seu governo iniciará um novo processo para remover Cook do banco central.
“Vamos iniciar o processo e faremos tudo com o procedimento e o devido processo perfeitos”, afirmou.
O governo também vê a vaga na presidência do Federal Reserve de Atlanta como outra oportunidade para exercer influência sobre o banco central.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, acionou sua rede de contatos em busca de potenciais candidatos, disseram as fontes. A presidência do Fed de Atlanta é considerada estratégica pela equipe econômica de Trump por causa das análises amplamente acompanhadas que a instituição produz sobre crescimento econômico e outros temas.
O presidente do Fed de Atlanta também votará sobre juros em 2027.
O porta-voz da Casa Branca Kush Desai não comentou diretamente os pontos abordados nesta reportagem.
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“O presidente Trump e integrantes do governo têm afirmado de forma consistente a mesma coisa: todos confiam no presidente Kevin Warsh e, apesar das interrupções temporárias nos mercados de energia, as políticas voltadas para a oferta adotadas pelo governo Trump estão reduzindo a inflação e abrindo caminho para cortes de juros”, afirmou Desai. O Departamento do Tesouro não respondeu a um pedido de comentário.
Powell permanece
Trump continua irritado com Powell por permanecer no Conselho de Governadores do Fed após o fim de seu mandato como presidente da instituição, segundo várias pessoas próximas ao presidente.
Trump ficou especialmente incomodado quando Powell recebeu, no fim de maio, o prêmio John F. Kennedy Profile in Courage por sua condução do Fed e elogiou o Congresso por ter decidido, de forma acertada, “isolar as decisões de política monetária da pressão política”.
Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, destacou publicamente o crescente desconforto em relação a Powell e reforçou as críticas nesta semana.
“Estou preocupado com a permanência de Jay Powell”, afirmou à Fox Business na quarta-feira. “Há uma maioria de pessoas no Fed que talvez não vote por patriotismo, mas porque quer prejudicar Trump — e teremos de acompanhar isso de perto.”
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Tradicionalmente, presidentes do Fed deixam a instituição ao fim de seus mandatos, mas Powell permanece em sua função de governador, cujo mandato termina em 2028. Powell afirmou que manterá um perfil discreto, mas citou a pressão jurídica exercida pelo governo sobre o Fed ao anunciar que permaneceria no cargo.
Ele tomou essa decisão depois que o Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal sobre sua condução da reforma de US$ 2,5 bilhões da sede do Fed em Washington, projeto que registrou forte aumento de custos.
Powell caracterizou a investigação como consequência da recusa do Fed em definir os juros conforme as preferências de Trump. Um relatório do inspetor-geral sobre a reforma é esperado para este mês.
Embora a procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, tenha afirmado em abril que encerraria a investigação, ela disse que analisará as conclusões do inspetor-geral, deixando claro que o caso poderá ser reaberto.
Seja utilizando o relatório do inspetor-geral ou outro caminho, integrantes do governo Trump e seus aliados esperam encontrar uma brecha que permita à Casa Branca afastar Powell, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Pressão sobre Cook
Cook, indicada durante o governo Biden, também continua na mira.
Trump tomou a medida sem precedentes de tentar afastar uma diretora do Fed em agosto do ano passado, ao afirmar que demitiria Cook por acusações de fraude hipotecária, que ela nega.
O caso chegou à Suprema Corte depois que Cook entrou com uma ação para impedir sua demissão, e a maioria dos ministros decidiu na segunda-feira que ela poderá permanecer no cargo enquanto o processo principal segue em tramitação.
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Em seu voto, o presidente da Suprema Corte, John Roberts, afirmou que a decisão foi tomada com base em fundamentos “restritos”, porque Trump não ofereceu a Cook o procedimento adequado para contestar as acusações.
Quase imediatamente após a decisão, Trump e seus aliados sinalizaram que pretendiam continuar tentando afastá-la.
A Suprema Corte evitou decidir se as acusações contra Cook, caso sejam verdadeiras, constituiriam fundamento jurídico suficiente para sua demissão do Fed. Isso significa que qualquer nova tentativa de Trump de afastá-la poderá voltar a ser analisada pelos tribunais.
Fed de Atlanta
O governo também voltou sua atenção para os 12 bancos regionais do Fed, incluindo a vaga em Atlanta. Alguns aliados de Trump veem a abertura como uma oportunidade para nomear alguém ideologicamente alinhado ao presidente, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
Bessent e outros importantes integrantes da equipe econômica acompanham de perto o processo de escolha do novo presidente.
Os presidentes dos bancos regionais do Fed, que participam de forma rotativa das votações sobre juros, são escolhidos por seus respectivos conselhos de administração locais, formados por executivos e líderes empresariais da região, excluindo representantes de instituições financeiras. Os nomes precisam ser aprovados posteriormente pelo Conselho de Governadores do Fed em Washington.
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O Fed de Atlanta já estava em estágio avançado do processo de seleção em maio, segundo pessoas com conhecimento do assunto. No entanto, quando a confirmação de Warsh pareceu iminente, a vice-presidente de Supervisão do Fed, Michelle Bowman, e o então diretor Stephen Miran — ambos indicados por Trump — pediram que o processo fosse suspenso até que Warsh tomasse posse, para que pudesse participar da escolha.
O processo de seleção foi retomado recentemente. Warsh procura candidatos com experiência de liderança no setor privado, segundo duas pessoas familiarizadas com o assunto.
A vaga surgiu depois que o ex-presidente do Fed de Atlanta Raphael Bostic, que frequentemente alertava para os riscos persistentes da inflação, deixou o cargo em fevereiro, decisão anunciada por ele em novembro do ano passado.
Procurado para comentar, o Fed de Atlanta repetiu uma declaração divulgada em junho.
“Continuamos concentrados em selecionar o melhor candidato para servir ao Sexto Distrito, preservando a integridade do processo”, afirmou Greg Haile, presidente do conselho de administração do Fed de Atlanta e do comitê de busca pelo novo presidente. “Divulgaremos atualizações relevantes sobre essa importante posição de liderança quando for apropriado.”
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