Bloomberg Línea — O reconhecimento internacional recebido pela Luigi Bosca no Wine Star Awards 2025, da revista Wine Enthusiast, funciona menos como um ponto de chegada e mais como a validação pública de uma estratégia construída ao longo de mais de um século, segundo a bodega argentina.
Eleita “Vinícola do ano Novo Mundo” pela publicação, a casa argentina passou a integrar um grupo restrito de produtores que receberam o prêmio uma única vez na história, um selo permanente de reputação na indústria global do vinho.
Segundo Alberto Arizu, CEO da vinícola e representante da quarta geração da família fundadora, a decisão da Wine Enthusiast se justifica por três pilares. “Nossa trajetória, que está prestes a completar 125 anos, nossa inovação, sobretudo a partir dos anos 1960 com estudos de precisão de solos, e nosso trabalho contínuo na produção de vinhos de alta qualidade, que eles chamam de vinhos de luxo”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.
Para ele, o reconhecimento extrapola a marca. “Eu acredito que esse prêmio também é um reconhecimento para os vinhos argentinos, principalmente de Mendoza”, explicou.
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O peso do prêmio está no seu caráter definitivo. Diferentemente de rankings anuais, o título não é revisado nem substituído. “É um reconhecimento que você ganha uma vez na vida. Não é um ranking em que você sobe ou desce. Isso faz com que você passe a fazer parte da elite dos vinhos internacionais”, disse Arizu. Ele comparou o impacto simbólico ao de uma consagração definitiva.
“É como entrar para o hall da fama. Uma vez que você entra, fica para sempre.”
Do ponto de vista de negócios, a distinção passa a integrar o currículo da vinícola em mercados estratégicos, sobretudo nos Estados Unidos, onde a publicação tem maior influência.
Mas Arizu avalia que o efeito também deve ser relevante no Brasil, um mercado que acompanha de perto a mídia especializada internacional. “Acredito que no Brasil também será importante, porque o consumidor brasileiro acompanha muito os meios internacionais e é bastante informado”, disse.
A trajetória que levou à premiação está ancorada em decisões técnicas tomadas décadas atrás. A Luigi Bosca foi uma das protagonistas na criação da Denominação de Origem de Luján de Cuyo, movimento que ajudou a estruturar o sistema de indicações geográficas da Argentina e a diferenciar o Malbec por terroir. Para Arizu, esse processo foi decisivo para evitar a transformação da variedade em um produto indiferenciado e de baixo valor agregado.
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Segundo ele, o portfólio reflete uma lógica de evitar a segmentação como vinhos de “luxo”. A Luigi Bosca opera com vinhos entre cerca de US$ 20 e US$ 35 como base de distribuição internacional, enquanto mantém uma produção limitada de rótulos de coleção, com preços mais elevados e volumes restritos.
“Seguimos sendo conceitualmente uma bodega boutique, que produz muitos vinhos em quantidades muito exclusivas”, disse Arizu.
Nesse desenho, o Brasil ocupa posição central, de acordo com o CEO. A relação com o país começou há quase três décadas, com a importadora Decanter, e se consolidou como uma das parcerias internacionais mais antigas da vinícola.
Hoje, o país responde por um volume anual entre 150 mil e 200 mil garrafas da marca Luigi Bosca, além de ser o principal mercado global da La Linda, rótulo de maior escala do grupo, com vendas entre 600 mil e 700 mil garrafas por ano.
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Para o executivo, o mercado brasileiro reúne características difíceis de replicar em outras regiões. “Hoje o Brasil é um mercado muito importante, estável, saudável e estratégico para nós”, afirmou. A proximidade cultural e o fluxo de turismo também pesam. “Nossos principais visitantes em Mendoza são brasileiros”, disse.









