Bloomberg — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por supostas acusações de corrupção e tráfico de influência, informou a Folha de S.Paulo.
A Polícia Federal havia solicitado autorização para abrir uma investigação formal a fim de apurar se o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, cometeu algum crime relacionado à autorização da comercialização de cannabis medicinal no âmbito de programas vinculados ao Ministério da Saúde.
Os investigadores suspeitam que o tráfico de influência tenha envolvido a Presidência da República, segundo o jornal, que citou a Polícia Federal.
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O próprio presidente Lula não foi acusado de irregularidades nem vinculado ao caso. O líder de esquerda busca um novo mandato nas eleições de outubro no Brasil, uma disputa que, segundo as pesquisas, o colocará frente a frente com o senador de direita Flávio Bolsonaro em um segundo turno.
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Na semana passada, Mendonça autorizou as autoridades federais a investigar as ligações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, que está no centro de uma investigação sobre uma fraude bancária em grande escala, depois que o senador reconheceu, em maio, ter solicitado dinheiro ao banqueiro para um filme sobre seu pai. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, negou qualquer irregularidade.
Em março, o ministro Flávio Dino, indicado para o tribunal por Lula após ter atuado como seu ministro da Justiça, anulou uma ordem que teria concedido a uma comissão do Congresso, responsável por investigar alegações de fraude no sistema previdenciário do país, acesso aos registros bancários de Lulinha.
A Polícia Federal também investiga se Lulinha atuou como sócio oculto de um lobista suspeito de orquestrar deduções indevidas dos pagamentos de aposentadoria.
Guilherme Suguimori, advogado de Lulinha, afirmou em comunicado que não poderia comentar nem avaliar a legalidade da investigação, pois não havia tomado conhecimento do inquérito.
Ele questionou por que o Supremo Tribunal Federal tem jurisdição sobre o caso e sugeriu que a abertura de uma nova investigação poderia ser uma “caça às bruxas” ilegal, com o objetivo de prolongar a investigação para fins políticos antes das eleições.
Os negócios de Lulinha já haviam causado dificuldades políticas para seu pai anteriormente. Em 2005, sua empresa de jogos eletrônicos foi acusada de receber investimentos de uma das maiores operadoras de telecomunicações do país, um caso que posteriormente foi arquivado.
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