Moraes acusa Mendonça de conduzir investigação política

Ministro do STF diz que apuração envolvendo Daniel Vorcaro busca incriminá-lo e favorecer um grupo político nas eleições de outubro

Supremo Tribunal Federal enfrenta a crise mais grave de que se tem memória recente  (Foto: Arthur Menescal/Bloomberg)
Por Daniel Carvalho
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Bloomberg — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou ser alvo de uma investigação ilegal e politicamente motivada poucas semanas antes da eleição presidencial.

Ele apresentou, na noite de segunda-feira, um documento de 44 páginas no qual expõe sua defesa no caso envolvendo Daniel Vorcaro. Moraes afirmou que a investigação conduzida pelo ministro André Mendonça é motivada, acima de tudo, por interesses eleitorais.

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“Por motivos políticos-eleitorais, houve direcionamento do magistrado relator para incriminar colega do STF, bem como o presidente do Senado Federal e favorecer determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026”, escreveu Moraes.


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O Supremo Tribunal Federal enfrenta a crise mais grave de que se tem memória recente e deve decidir nesta terça-feira se, pela primeira vez em seus 135 anos de história, autorizará investigação sobre um de seus próprios integrantes.

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A crise também agita a disputa presidencial no país, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é frequentemente visto como aliado de Moraes. O presidente tem tentado repetidamente se distanciar da turbulência ao defender transparência.

Moraes, que ganhou notoriedade pelos embates com Elon Musk e o presidente dos EUA, Donald Trump, em sua luta contra a desinformação e por condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro por uma tentativa de golpe de Estado, está no centro da sessão desta terça-feira.

Leia também: Fachin substitui Moraes no inquérito das fake news para tentar conter crise no STF

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A audiência ocorre após Mendonça tornar públicas mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, a um número de telefone que investigadores atribuíram a Moraes.

Em uma manifestação separada em resposta ao presidente do Supremo, Edson Fachin, Mendonça negou qualquer irregularidade na investigação. Ele afirmou que a ordem para que a Polícia Federal identificasse integrantes da suposta rede de influência de Vorcaro foi um desdobramento de uma investigação que já durava meses sobre mensagens que indicavam que o banqueiro tinha acesso antecipado a investigações sigilosas e tentava influenciar autoridades.

O gabinete de Mendonça não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

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“Mentiras criminosas”

Mendonça foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, é amigo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e foi acusado por Lula de vazar seletivamente trechos de investigações sob sua relatoria.

Em sua defesa, Moraes chamou atenção para o momento escolhido por Mendonça para retirar o sigilo das mensagens supostamente enviadas ao número atribuído a ele.

A decisão ocorreu pouco antes de uma manifestação convocada pelo senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e atual candidato à Presidência da República.

Moraes afirmou na manifestação que não cometeu qualquer irregularidade nem ajudou Vorcaro. Segundo ele, a investigação de Mendonça não apresenta provas de que soubesse antecipadamente da operação que levou à prisão do ex-banqueiro.

Ele também negou ter trocado mensagens com Vorcaro. O material divulgado por Mendonça não contém nenhuma mensagem supostamente enviada por Moraes.

“Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras”, afirmou Moraes em sua defesa.

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