Brasil revisa plano climático até 2035 com desmatamento como foco no corte de emissões

Primeira revisão desde 2008 amplia escopo para adaptação e implementação, com uso da terra no centro da estratégia; Marina Silva diz que plano busca proteger populações mais vulneráveis

Diferentemente da maioria dos países, a principal fonte de poluição por carbono no Brasil é a mudança no uso da terra
Por Fabiano Maisonnave
17 de Março, 2026 | 08:01 AM

Bloomberg — O Brasil apresentou na segunda-feira (17) uma versão atualizada de seu plano climático nacional. Trata-se da primeira revisão da principal política do país para redução de emissões de dióxido de carbono e adaptação ao aquecimento global desde 2008.

O plano revisado, que vai até 2035, reafirma sua ênfase no fim do desmatamento como a principal estratégia para reduzir as emissões.

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Diferentemente da maioria dos países, a principal fonte de poluição por carbono no Brasil é a mudança no uso da terra, que resulta na perda de florestas, principalmente na região amazônica.

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A mudança no uso da terra é responsável por quase metade das emissões do país. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva comprometeu-se a eliminar o desmatamento até 2030.

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O país é um dos dez maiores emissores globais de carbono. Sua promessa no Acordo de Paris é reduzir suas emissões em 59% a 67% abaixo dos níveis de 2005 até 2035, e chegar a zero líquido até 2050.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que reduzir as emissões e fortalecer a resiliência às mudanças climáticas “significa proteger a vida daqueles que já sofrem com as fortes chuvas, secas e ondas de calor extremas que a emergência climática está tornando mais intensas e frequentes”.

Em uma avaliação preliminar, o Observatório do Clima, uma rede de grupos ambientais e da sociedade civil, bem como de instituições de pesquisa, elogiou o plano por envolver muitos ministérios do governo e abordar prioridades transversais, mas disse que ele não demonstrava ambição suficiente para fazer a transição para longe dos combustíveis fósseis.

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Claudio Angelo, coordenador de políticas internacionais do Observatório do Clima, disse que o plano atualizado é muito mais abrangente do que a versão de 2008.

“O novo plano abrange todos os setores, inclui adaptação e começa a tratar da implementação. Não é ruim”, disse Angelo. “

Mas ainda está longe de proporcionar a transformação econômica de que precisamos para que o Brasil dê sua contribuição justa para um mundo 1,5C.”

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