EUA dizem que China concordou em comprar US$ 17 bi em produtos agrícolas por ano

Segundo a Casa Branca, valor seria o compromisso dos chineses em compras anuais até 2028; na véspera, Ministério do Comércio da China falou em cortes mútuos de tarifas sobre certos produtos, mas não forneceu detalhes

Colheitadeira nos EUA: esforços anteriores de Trump para fazer a China comprar mais produtos americanos ficaram aquém. (Foto: Rory Doyle/Bloomberg)
Por Yash Roy

Bloomberg — A China concordou em comprar pelo menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos anualmente até 2028, disse a Casa Branca numa ficha informativa detalhando a cúpula de dois dias do presidente Donald Trump na China.

Um dia antes, o Ministério do Comércio chinês divulgou seu próprio resumo da reunião, que disse que os Estados Unidos e a China adotarão uma série de medidas, incluindo cortes mútuos de tarifas sobre certos produtos.

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A China não forneceu detalhes, acrescentando que equipes de ambos os países ainda negociavam pormenores, e o comunicado da Casa Branca ficou em silêncio sobre tarifas.


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Trump sugeriu anteriormente que tarifas não surgiram em suas reuniões com o presidente chinês Xi Jinping.

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“Não discutimos tarifas”, disse Trump a repórteres na sexta-feira (15) a bordo do Air Force One. “Eles estão pagando tarifas substanciais, mas não discutimos.”

Leia também: China promete compras agrícolas dos EUA, mas falta de detalhes derruba soja e algodão

A visita de Trump a Pequim foi a primeira visita à China de um presidente americano em quase uma década, e ambos os líderes adotaram tom positivo sobre as relações Estados Unidos-China.

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Esforços anteriores de Trump para fazer a China comprar mais produtos americanos ficaram aquém, levantando questões sobre se os últimos compromissos serão cumpridos.

A China não cumpriu seus compromissos sob acordo que Trump negociou em 2020 para comprar US$ 200 bilhões extras em produtos agrícolas, energéticos e manufaturados americanos num período de dois anos. A pandemia de covid-19 complicou esse esforço, mas críticos disseram que as metas eram irrealistas.

Os US$ 17 bilhões em compras anuais chinesas de produtos agrícolas seriam além dos compromissos de compra de soja feitos no outono passado, disse a Casa Branca.

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A China recentemente recorreu à soja brasileira mais barata após cumprir volume inicial de compra dos Estados Unidos acordado na trégua comercial do ano passado entre Washington e Pequim.

Leia também: Do arroz ao café: El Niño coloca em risco alimentos da cesta básica na América Latina

Após a cúpula, a China restaurou acesso ao mercado para carne bovina americana ao renovar os registros expirados de mais de 400 instalações de carne, segundo a Casa Branca. A China também trabalhará com reguladores americanos para restaurar importações de aves americanas.

A Bloomberg News reportou antes da cúpula que a China havia renovado licenças de importação de carne bovina. Pequim deixou centenas de autorizações de importação para exportadores americanos de carne expirarem em meio à guerra tarifária de Trump.

O resultado mostra que ambos os países “podem encontrar soluções para os problemas por meio de diálogo e cooperação”, disse o Ministério do Comércio da China no sábado, notando que os termos foram discutidos durante conversas comerciais na Coreia do Sul antes da reunião de Xi com Trump.

Os Estados Unidos também disseram que a China abordará preocupações americanas sobre escassez de fornecimento e restrições de exportação ligadas a terras raras e outros minerais críticos.

Na ficha informativa, a Casa Branca disse que ambos “os líderes concordaram que o Irã não pode ter arma nuclear, pediram reabertura do Estreito de Ormuz, e concordaram que nenhum país ou organização pode ter permissão para cobrar pedágios.”

Ambos os líderes também “confirmaram seu objetivo compartilhado de desnuclearizar a Coreia do Norte.” Durante seu voo de volta aos Estados Unidos da Ásia, Trump disse que havia discutido suspender sanções sobre empresas petrolíferas chinesas que compram petróleo iraniano.

A Casa Branca também reiterou planos para Xi visitar os Estados Unidos neste outono no Hemisfério Norte.

-- Com a colaboração de Sam Kim e Jordan Fabian.

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