Bloomberg — A Moelis foi contratada por detentores de debêntures da distribuidora de medicamentos Elfa para assessorar em uma reestruturação da dívida, segundo um documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários.
A Elfa, controlada por fundos do Patria Investmentos, trabalha com o escritório de advocacia E.Munhoz Advogados, especializado em reestruturações de dívida, disseram pessoas a par do assunto, que falaram com a Bloomberg News e pediram para não serem identificadas ao discutir informações não públicas.
A estratégia na mesa no momento é tentar negociações amigáveis e, apenas no pior cenário, recorrer a uma reestruturação extrajudicial, disseram as fontes.
Representantes da Moelis e do E.Munhoz não quiseram comentar.
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O Grupo Elfa disse em mensagem à Bloomberg News que mantém negociações com os detentores de suas debêntures com o objetivo de adequar seu perfil de endividamento e fortalecer sua estrutura financeira.
A empresa “segue operando normalmente, gerando caixa e comprometida com rígidos padrões de governança corporativa”, disse.
A companhia acrescentou que permanece comprometida em desenvolver novos fornecedores, com foco em seu negócio principal e na otimização de negócios de melhor margem.
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O Patria adquiriu sua primeira participação na Elfa em novembro de 2014, sem divulgar o valor da transação. Desde então, a empresa adquiriu várias outras companhias do mesmo setor.
Em 2023, o Patria realizou dois aportes de capital na Elfa, totalizando um valor de mais de R$ 870 milhões, e, em 2026, injetou mais R$ 160 milhões na empresa na tentativa de reduzir a alavancagem, segundo a Bloomberg Línea.
A Elfa vem reestruturando sua dívida há anos. Mas, no início deste mês, a Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da empresa, passando de B- para C, afirmando que um “processo semelhante a um default teve início” após a suspensão temporária, pela Elfa, dos pagamentos de suas obrigações financeiras — incluindo juros — por um período de 40 dias, o chamado “standstill”.
O período de standstill começou em 13 de julho e foi ampliado até o dia 1 de outubro em um encontro de debenturistas ontem.
“A flexibilidade financeira da Elfa se deteriorou fortemente devido a um persistente consumo de caixa por elevados pagamentos de juros e pela indisponibilidade de linhas crédito revolventes de curto prazo,” disse a Fitch. A dívida total da empresa era de R$ 1,8 bilhão, incluindo títulos locais, segundo a Fitch.
A Elfa distribui uma ampla gama de produtos, incluindo medicamentos oncológicos e fármacos que exigem controle rigoroso de temperatura, bem como produtos hospitalares. A empresa também atua em logística hospitalar, oferecendo gestão de ponta a ponta da cadeia de suprimentos.
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