Banco Safra se antecipa a novo imposto no Brasil e paga dividendos de R$ 11 bilhões

Valor é mais de sete vezes superior ao pagamento de 2024 e mais que o dobro do lucro de R$ 4,4 bilhões obtido em 2025. Empresas no país tentam evitar a nova tributação de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil

Muitas empresas no Brasil pagaram dividendos recordes no ano passado para evitar a nova tributação (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Pui Gwen Yeung - Matheus Piovesana - Cristiane Lucchesi - Filipe Pacheco
06 de Março, 2026 | 04:59 PM

Bloomberg — O Banco Safra pagou R$ 11 bilhões em dividendos e juros sobre o capital aos acionistas controladores do banco em 2025, antecipando-se ao aumento de impostos que entrará em vigor neste ano.

Do total, o maior desde pelo menos 2016, 60% corresponde a lucros de anos anteriores retidos no patrimônio líquido do banco, segundo o balanço da instituição. O valor é mais de sete vezes superior ao pagamento de 2024 e mais que o dobro do lucro de R$ 4,4 bilhões obtido em 2025.

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 Valor de dividendos do Banco Safra cresceu no ano passado

Muitas empresas no Brasil pagaram dividendos recordes no ano passado para evitar a nova tributação.

Anteriormente, os investidores não pagavam Imposto de Renda sobre dividendos, enquanto os juros sobre o capital distribuídos aos acionistas eram tributados em 15%. A partir deste ano, os dividendos acima de R$ 50 mil passaram a ser tributados em 10% e os juros sobre o capital em 17,5%.

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O Itaú teve lucro de R$ 46,9 bilhões no ano passado, e seus dividendos e juros sobre o capital pagos totalizaram R$ 48,3 bilhões.

O Banco Safra não respondeu aos pedidos de comentários.

Os dividendos pagos pelo Banco Safra, com sede em São Paulo, nas últimas décadas, contribuíram para impulsionar a fortuna de um clã do ramo bancário e de gestão de patrimônio com atuação no Brasil, nos Estados Unidos e na Suíça. Vicky Safra, de 73 anos, chefia a família com uma fortuna de cerca de US$ 27,3 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg.

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Nascida na Grécia, em uma família que se mudou para o Brasil na década de 1950, Vicky é viúva de Joseph Safra, um dos herdeiros de um império bancário iniciado em meados do século XIX em Aleppo, na Síria. Os antecessores de Joseph começaram o negócio financiando caravanas de camelos durante o Império Otomano.

Após a morte dele em 2020, Vicky e seus quatro filhos assumiram o controle dos ativos mais valiosos da família, incluindo o J. Safra Sarasin, com sede em Basileia, na Suíça, que atualmente administra quase US$ 288 bilhões em ativos.

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Jacob J. Safra, o filho mais velho, é o chairman do J. Safra Sarasin, que recentemente adquiriu uma participação majoritária na empresa dinamarquesa de investimentos e negociação online Saxo Bank.

No ano passado, a única filha de Joseph e Vicky, Esther Safra Dayan, vendeu uma participação nos negócios da família para Jacob e seu irmão mais novo, David, que reside no Brasil. Isso aconteceu após uma longa disputa judicial iniciada por outro irmão, Alberto, sobre a herança do pai.

No acordo com a família, Alberto disse que se desvincularia de sua participação no J. Safra Group e seguiria seus negócios por meio de sua própria empresa de investimentos, o ASA, com sede em São Paulo.

O portfólio imobiliário da família inclui o arranha-céu conhecido como Gherkin, em Londres, e o edifício 660 Madison Avenue, em Nova York.

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