EUA criam 253 mil vagas em abril, acima das expectativas, em sinal para o Fed

Economistas consultados pela Bloomberg previam a criação de 185 mil empregos; taxa de desemprego caiu em abril para 3,4%, o que mostra uma atividade ainda aquecida

NYSE

Bloomberg Línea — Os Estados Unidos criaram 253 mil vagas de emprego em abril, segundo o relatório de empregos (payroll), divulgado nesta sexta-feira (5) pelo Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA. De acordo com o relatório, a taxa de desemprego no país ficou em 3,4% em abril, ante 3,5% em março.

O número veio acima das expectativas do mercado, que previam a criação de 185 mil empregos, segundo o consenso da Bloomberg. Os economistas também previam uma taxa de desemprego de 3,6%. Em março, foram criados 165 mil empregos líquidos (contratações menos demissões), segundo dado revisado.

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Os dados são divulgados dois dias depois da decisão do Fed de aumentar a taxa de juros do país em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 5,00% a 5,25%, o mais alto desde 2007.

Dados de força da economia americana, por um lado, podem servir como argumento extra para que o Fed siga com sua campanha de aperto monetário, a mais intensa desde a era de Paul Volcker nos anos 1980. Por outro lado, amenizam os temores de uma recessão, sinalizando a resiliência da maior economia do mundo.

Os índices futuros de Nova York operavam em alta antes da divulgação do payroll, às 9h22, no horário de Brasília. O S&P 500 subia 0,67%, o Nasdaq, 0,67% e o Dow Jones tinha alta de 0,51%. Minutos depois da divulgação, às 9h42, os ganhos estavam em 0,56%, 0,42% e 0,44%.

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Nesta semana, também foram divulgados os pedidos iniciais de seguro-desemprego dos EUA, mostrando que houve o maior aumento em seis semanas, sinalizando, por outro lado, alguma desaceleração em um mercado de trabalho que continua relativamente resiliente.

A decisão do Fed

Na quarta-feira (3), o Federal Reserve elevou as taxas de juros em um quarto de ponto percentual e sugeriu que pode ser o movimento final na campanha de aperto mais agressiva desde a década de 1980, à medida que os riscos econômicos aumentam.

“O comitê monitorará de perto as informações recebidas e avaliará as implicações para a política monetária”, disse o Comitê Federal de Mercado Aberto em comunicado na quarta-feira. Ele omitiu uma linha de sua declaração anterior em março que dizia que o comitê “previa que alguma política adicional poderia ser apropriada”.

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Em vez disso, o FOMC levará em consideração vários fatores “para determinar até que ponto uma política adicional pode ser apropriada”.

“Essa é uma mudança significativa que não estamos mais dizendo que prevemos novos aumentos”, disse o presidente Jerome Powell em entrevista coletiva após a decisão, quando perguntado se a declaração é um sinal de que as autoridades estão preparadas para interromper os aumentos de taxas em junho. “Portanto, seremos guiados pelos dados recebidos, reunião após reunião, e abordaremos essa questão na reunião de junho.”

Se essa taxa será alta o suficiente para trazer a inflação de volta à meta de 2% do Fed será uma “avaliação em andamento” com base nos dados recebidos, disse Powell, acrescentando posteriormente que as perspectivas das autoridades do Fed para a inflação não apoiam cortes nas taxas.

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- Com informações da Bloomberg News.

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