Rali da Nvidia perde força com temor de avanço de rivais em chips para IA

Ações da Nvidia caíram 9% em seis sessões mesmo após balanços reforçarem o boom da IA, em meio a temores de maior concorrência no mercado de chips; balanço financeiro referente ao primeiro trimestre da empresa será divulgado em 20 de maio

Cresce no mercado o temor de que rivais e clientes reduzam o poder de precificação e a liderança da Nvidia em chips para inteligência artificial (Foto: David Paul Morris/Bloomberg)
Por Ryan Vlastelica

Bloomberg — Esta temporada de balanços trouxe uma série de notícias positivas para o mercado de inteligência artificial, mas, em vez de impulsionar as ações da Nvidia, os investidores passaram a vendê-las.

A Nvidia, cujas unidades de processamento gráfico (GPUs) dominam o mercado de chips para IA, caiu 9% nas últimas seis sessões após fechar em máxima recorde em 27 de abril.

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No período, o papel foi o terceiro pior desempenho do índice Philadelphia Semiconductor, que avançou mais de 5%.

O motivo é que, mesmo com gigantes de tecnologia continuando a prometer mais gastos com infraestrutura computacional, cresce a percepção de que o domínio da Nvidia no mercado de processadores de IA enfrenta ameaças cada vez maiores de outros fabricantes de chips e também de seus maiores clientes.

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Na terça-feira, o site The Information informou que a Anthropic, que já é grande cliente dos chips do Google, planeja gastar cerca de US$ 200 bilhões com a companhia controlada pela Alphabet nos próximos cinco anos.

Isso ocorre uma semana após a Alphabet anunciar que começará a oferecer seus chips tensor processing unit (TPU) a clientes selecionados para uso em seus próprios data centers.

A Amazon.com, por sua vez, afirmou que sua linha de chips personalizados de IA Trainium já acumula mais de US$ 225 bilhões em compromissos de receita e anunciou recentemente um acordo multibilionário com a Meta Platforms, que também prepara a implementação de chips próprios de IA.

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Enquanto isso, a Intel se beneficia do crescimento da IA, e a Qualcomm também avança no mercado de data centers.

“O problema de ter basicamente 100% de participação de mercado é que só existe uma direção possível para ela, e certamente parece que essas empresas podem se tornar concorrentes relevantes”, disse Bill Stone, diretor de investimentos da Glenview Trust Company.

Até o momento, há poucas evidências que sugiram que a Nvidia esteja perdendo terreno significativo para os rivais.

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A participação da empresa no mercado de aceleradores de IA foi de 86% em 2025, sem alteração em relação a 2024, de acordo com dados compilados pela Bloomberg Intelligence.

Mas a ameaça está levantando dúvidas sobre as perspectivas de seu crescimento a longo prazo e fazendo com que outras ações pareçam relativamente mais atraentes.

Leia também: Samsung iguala marco da TSMC e supera US$ 1 trilhão em valor de mercado

As ações da Nvidia subiram 5% este ano, praticamente em linha com o S&P 500, mas o ganho é insignificante em comparação com outras empresas relacionadas a chips.

O índice de semicondutores da Filadélfia deu um salto de 55%, deixando a Nvidia com o pior desempenho entre os 30 componentes do índice de referência em 2026.

“Se começarmos a ter a sensação de que a Nvidia está perdendo negócios marginais, que os rivais estão diminuindo sua participação no mercado ou seu poder de precificação, isso poderá começar a corroer o ímpeto de seus lucros e, como resultado, poderemos ver as ações caírem”, disse Stone, que ajuda a supervisionar US$ 18 bilhões em ativos.

Um representante da Nvidia se recusou a comentar, citando um período de silêncio.

A demanda insaciável por equipamentos de computação de IA alimentou a ascensão da Nvidia para se tornar a empresa mais valiosa do mundo, com um valor de mercado de US$ 4,8 trilhões.

Mas ela está perto de ser ultrapassada pela Alphabet, que viu seu valor de mercado disparar mais de US$ 2,5 trilhões no último ano em meio ao entusiasmo com seus serviços de IA, que incluem seu popular chatbot Gemini, bem como negócios de computação em nuvem e chips.

A Alphabet fechou na terça-feira com um valor de mercado de cerca de US$ 4,7 trilhões.

É claro que o crescimento da receita da Nvidia ainda está em alta.

A expansão projetada de 70% em seu atual ano fiscal, que termina em janeiro, supera o crescimento esperado de outras megacaps e seria um aumento em relação aos 65% do ano passado.

No entanto, espera-se que o crescimento diminua para 32% no ano fiscal de 2028, antes de diminuir ainda mais nos dois anos seguintes.

A empresa está programada para divulgar o balanço financeiro referente ao primeiro trimestre em 20 de maio.

Até agora, há poucas evidências de que a Nvidia esteja perdendo participação relevante para concorrentes. A fatia da empresa no mercado de aceleradores de IA foi de 86% em 2025, estável em relação a 2024, segundo dados compilados pela Bloomberg Intelligence.

Ainda assim, a ameaça levanta dúvidas sobre as perspectivas de crescimento de longo prazo da companhia e torna outras ações do setor relativamente mais atraentes.

As ações da Nvidia sobem 5% neste ano, desempenho próximo ao do S&P 500, mas bem inferior ao de outras empresas ligadas a chips.

O índice Philadelphia Semiconductor avançou 55%, deixando a Nvidia como a pior performance entre os 30 componentes do indicador em 2026.

“Se começarmos a perceber que a Nvidia está perdendo negócios marginais, que rivais estão corroendo sua participação de mercado ou seu poder de precificação, isso pode reduzir o ritmo de crescimento dos lucros e provocar queda das ações”, afirmou Stone, que ajuda a supervisionar US$ 18 bilhões em ativos.

Um representante da Nvidia se recusou a comentar, citando o período de silêncio antes da divulgação de resultados.

A demanda insaciável por infraestrutura computacional voltada à IA impulsionou a Nvidia ao posto de empresa mais valiosa do mundo, com valor de mercado de US$ 4,8 trilhões.

Mas a companhia está perto de ser ultrapassada pela Alphabet, cujo valor de mercado cresceu mais de US$ 2,5 trilhões no último ano, em meio ao entusiasmo com seus serviços de IA — incluindo o popular chatbot Gemini — além dos negócios de computação em nuvem e chips. A Alphabet fechou a terça-feira avaliada em cerca de US$ 4,7 trilhões.

Claro que o crescimento da receita da Nvidia continua acelerado.

A expansão projetada de 70% para o atual ano fiscal, encerrado em janeiro, supera amplamente o crescimento esperado para outras megacaps e representa aceleração em relação aos 65% registrados no ano passado.

Ainda assim, a previsão é de desaceleração para 32% no ano fiscal de 2028, com redução adicional nos dois anos seguintes. A empresa divulgará os resultados do primeiro trimestre em 20 de maio.

(Foto: Bloomberg e UBS)

--Com a ajuda de Subrat Patnaik e Neil Campling.

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