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O otimismo em torno da entrega do novo arcabouço fiscal contribuiu para uma expectativa por parte de observadores do mercado de que o Banco Central possa cortar a taxa Selic nos próximos meses.
A expectativa pelo movimento dovish veio junto com a crise bancária dos Estados Unidos e da Europa nas últimas semanas, com apostas em manutenção dos juros pelo Federal Reserve após a ação coordenada global para aliviar a crescente instabilidade financeira. Para João Scandiuzzi, estrategista-chefe do BTG Pactual, no entanto, o processo de alívio monetário no país é pouco provável.
“O Banco Central do Brasil não trabalha com propostas, mas com fatos políticos já consolidados. Portanto, uma fase de implementação e credibilidade não é algo que advogaria para um corte muito prematuro [da Selic]”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.
⇒ Leia mais: Corte da Selic ganha força com exterior, mas é improvável com Fed ativo, diz BTG

No Radar
As preocupações mais imediatas sobre o sistema financeiro global se dissipam e dão espaço para um tom mais calmo nos mercados. Os investidores monitoram a perspectiva maiores garantias federais ao setor bancário enquanto esperam pela decisão sobre os juros, amanhã, pelo Federal Reserve (Fed).
🔇 Sem alarde? Analistas ponderam que o Fed evitará transmitir ao mercado amanhã um sinal cauteloso com uma pausa no aperto monetário. As apostas se orientam para um ajuste de 0,25 ponto porcentual, mas Bill Ackman, da Pershing Square, avaliou nas redes sociais que o Fed não elevará a taxa, pois a crise bancária já apertou o suficiente a economia. Em resposta ao comentário, Elon Musk sugeriu que o Fed reduzisse a taxa em pelo menos 0,50 ponto porcentual.
💵 Mais suporte. O Tesouro dos EUA estuda uma forma de ampliar temporariamente a cobertura federal de todos os depósitos além do limite atual de US$ 250 mil, sem depender da votação de um Congresso dividido. A iniciativa seria preventiva para dar mais suporte ao sistema caso o cenário piore.
💸 Perdas em títulos. A Pimco é a maior detentora dos chamados títulos nível 1 do Credit Suisse, que foram zerados após a aquisição do banco pelo UBS. A empresa tem US$ 807 milhões nesses títulos, segundo a Bloomberg. A Invesco, por sua vez, possui cerca de US$ 370 milhões e a exposição do BlackRock era de US$ 113 milhões até o final de fevereiro.
👔 Novo rumo. Os executivos do Credit Suisse se agitam em busca de uma nova posição no mercado e, segundo apurou a Bloomberg, recrutadores e credores rivais de todo o mundo todo estão recebendo uma enxurrada de chamadas desses banqueiros, que procuram um novo destino enquanto o tradicional banco suíço se prepara para ser absorvido pelo UBS. Mas esta busca colide com um momento difícil para o setor bancário.

🟢 As bolsas ontem (20/03): Dow Jones Industrials (+1,20%), S&P 500 (+0,89%), Nasdaq Composite (+0,39%), Stoxx 600 (+0,99%), Ibovespa (-1,04%)
Os mercados acionários globais dos EUA concluíram a sessão em tom positivo ante as decisões do fim de semana que buscaram acalmar os ânimos e recuperar a confiança no setor bancário. Ainda manteve o alerta a intensa queda dos papéis do First Republic Bank (mais de 90% em duas semanas) após a S&P Global reduzir de novo sua classificação de risco.
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Agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• Feriado: Japão
• EUA: Índice Redbook, Vendas de Casas Usadas/Fed, Estoques de Petróleo Bruto
• Europa: Zona do Euro (Índice ZEW de Percepção Econômica/Mar, Produção do Setor de Construção/Jan); Reino Unido (Licenciamento de Veículos/Fev, Dívida Líquida do Setor Público/Fev); Itália, França e Alemanha (Licenciamento de Veículos/Fev); Alemanha (IPC/Mar, Índice ZEW de Condições Atuais e Percepção Econômica/Mar)
• América Latina: Argentina (Balança Comercial/Fev)
• Bancos centrais: Discurso de Christine Lagarde e Andrea Enria (BCE)
• Balanços: Nike, JBS, Copel, Tencent
🗓️ Os eventos de destaque na semana →
Destaques da Bloomberg Línea:
• Americanas planeja venda da Natural da Terra, Puket e Imaginarium
• Balanço de US$ 8,6 tri do Fed entra na mira de investidores com crise bancária
• Este Nobel de Economia apontou os juros altos como um dos problemas do Brasil
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• Opinião Bloomberg: Não critique o UBS por sua decisão de adquirir o Credit Suisse
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