Legacy ‘vira a mão’ no câmbio e fica vendida no real e na bolsa brasileira

Gestora com mais de R$ 25 bilhões em ativos sob gestão também passou a se desfazer de papéis NTN-B em meio à pressão do governo para cortar a Selic

“O mundo está subindo mais juros enquanto estamos discutindo queda forçada"
Por Vinícius Andrade
03 de Março, 2023 | 11:49 AM

Bloomberg — A Legacy Capital, que tem mais de R$ 25 bilhões sob gestão, “virou a mão” na moeda brasileira e tem operado vendida (aposta na queda) no real contra o dólar, em meio à pressão do governo brasileiro sobre o Banco Central para um afrouxamento da política monetária.

“O mundo está subindo mais juros enquanto estamos discutindo queda forçada. Isso é bem preocupante para o comportamento do real”, disse Gustavo Pessoa, um dos sócios-fundadores da Legacy, que tem sede em São Paulo.

PUBLICIDADE

“Em termos relativos, nossos fundamentos estão piorando a galope”, disse Pessoa. A Legacy também tem expressado sua visão mais pessimista com o cenário doméstico a partir de posições vendidas na bolsa brasileira.

Em carta aos cotistas referente ao mês de janeiro, o fundo havia dito que possuía uma posição simultaneamente vendida em bolsa doméstica e em dólar contra o real. Agora, o fundo está “short” (aposta na queda) tanto em bolsa quanto no real.

Nesta última quinta-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que Roberto Campos Neto, presidente do BancoCentral, “só tem que pensar em como reduzir a taxa de juros” e que o Brasil pode enfrentar uma crise de crédito em breve caso os juros permaneçam em patamares elevados.

PUBLICIDADE

As dúvidas em relação às políticas fiscal e monetária no Brasil também levaram um outro multimercado a ficar vendido no real recentemente.

A Adam Capital, criada por Márcio Appel e André Salgado em 2016, disse que as incertezas “exigiram mudanças no portfólio do fundo”.

Segundo a Legacy, as NTN-Bs (título Tesouro IPCA+, que paga a inflação mais uma taxa) são “particularmente perigosas” em um ambiente de repressão financeira, que pode envolver maior intervenção do governo em preços administrados no Brasil. O fundo está se desfazendo “dos poucos lotes destes ativos que nos restavam”, segundo a carta de fevereiro.

PUBLICIDADE

A Legacy tem posições tomadas (que ganham com a alta das taxas) em juros nos Estados Unidos ”em tamanho moderado” e segue comprada (aposta na alta) em petróleo e ouro.

Veja mais em bloomberg.com

Leia também:

PUBLICIDADE

Exclusivo: Argentina atrasa pagamento ao Brasil por produção de notas de pesos

Arezzo compra marca italiana e mira ser plataforma global de calçados de luxo