Bradesco BBI vê reabertura do mercado de IPOs no Brasil após listagem da Compass

Executivos do banco disseram em entrevista à Bloomberg News que investidores estrangeiros e o sucesso da oferta da Compass indicam retomada gradual do mercado primário no Brasil, embora volatilidade global e eleições ainda limitem novas operações

Banco vê volta gradual das ofertas primárias no Brasil, com apoio de investidores estrangeiros e maior apetite por risco.
Por Rachel Gamarski - Leda Alvim

Bloomberg — A bem-sucedida oferta pública inicial de ações da Compass, a primeira no Brasil em quase cinco anos, indica que o mercado de capitais para renda variável no país reabriu, mesmo com a volatilidade global ainda limitando o ritmo de novas operações, segundo o Bradesco BBI.

Com investidores estrangeiros impulsionando um ano forte para o mercado acionário local, o apetite por novas ofertas voltou a crescer, disse George Costa e Silva, chefe de mercado de capitais do banco, em entrevista à Bloomberg News.

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Costa e Silva, cuja instituição foi uma das coordenadoras da oferta da Compass, destacou o retorno dos fundos especializados em infraestrutura, que estavam praticamente inativos desde a privatização da Sabesp em 2024.

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Segundo ele, porém, os investidores continuam bastante sensíveis ao preço, buscando um nível de “potencial de valorização” que justifique entrar no mercado em períodos de volatilidade.

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“O mercado está aberto”, disse André Moor, chefe de investment banking do Bradesco BBI. Essa mudança de percepção ganhou força após duas listagens realizadas nos Estados Unidos por fintechs brasileiras no início deste ano: PicPay e AGI— conhecida como Agibank —, que abriram caminho para a volta das empresas brasileiras ao mercado primário.

Moor afirmou que, para a janela de ofertas se abrir completamente, será necessário um arrefecimento dos conflitos globais e maior clareza sobre o desfecho das eleições presidenciais no Brasil no fim deste ano. Segundo ele, esses fatores têm pesado sobre o sentimento dos investidores por mais tempo do que muitos analistas esperavam.

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Uma vez definido o cenário político, ele espera uma onda de operações, especialmente nos setores financeiro, de utilities e de energia.

Sinais desse aumento de interesse puderam ser vistos na 14ª edição da Unlisted Conference, realizada pelo banco nesta semana em Nova York.

O evento, ampliado neste ano para atender à demanda crescente, reuniu 12 empresas fechadas e 45 investidores em mais de 100 reuniões individuais — um salto relevante em relação ao ano passado, quando o banco promoveu apenas um dia de encontros.

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O IPO da Compass marcou a primeira listagem no Brasil desde 2021. Em 2025, as empresas acessaram o mercado de ações principalmente por meio de ofertas subsequentes, que somaram cerca de R$ 22,9 bilhões (US$ 4,7 bilhões), segundo dados da B3.

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Neste ano, as ofertas já levantaram cerca de R$ 5,9 bilhões até 10 de março.

O aumento do interesse sugere que as empresas estão se preparando ativamente para uma retomada do mercado primário após um jejum de quase cinco anos.

Executivos do Bradesco esperam que setores intensivos em capital liderem a próxima onda de ofertas, desde que o atual ambiente favorável no mercado doméstico não seja prejudicado por novos choques geopolíticos.

Qualquer melhora em relação à guerra no Irã “e as grandes empresas, de maneira geral, terão chance de acessar o mercado”, disse Costa e Silva.

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