Tesouro deve apostar em títulos atrelados à taxa Selic diante de risco fiscal

Plano Anual de Financiamento para 2023 foi divulgado nesta quinta-feira (26)

Instituições financeiras devem seguir sendo principais detentores e sinalizações fiscais podem aumentar a participação de não-residentes na dívida pública federal
Por Felipe Saturnino

Bloomberg — O Tesouro deve mostrar a intenção de privilegiar emissões de LFT, títulos atrelados à taxa Selic, no Plano Anual de Financiamento para 2023, diante da piora da percepção de risco fiscal que elevou o nível da curva de juros futuros neste início de ano.

É provável ainda que aponte para uma necessidade de financiamento ao redor de R$ 1,4 trilhão para o decorrer do ano, quando o plano for divulgado nesta quinta-feira (26), segundo analistas.

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Isso implicaria uma emissão semanal média de entre R$ 28 bilhões a R$ 30 bilhões para manter constante o colchão de liquidez, que em novembro estava em R$ 1,14 trilhão, segundo dados oficiais.

“O Tesouro tende a ser comedido no sentido da composição ótima — deve avançar mais devagar na melhora da composição e tentar alongar os prazos”, disse Jeferson Bittencourt, economista da ASA Investments e ex-secretário do Tesouro. “As LFTs, tanto de três anos quanto de seis anos, que ele tem colocado nos últimos leilões ajudam bastante na rolagem e tiram o risco do investidor.”

Segundo Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Warren Renascença, o PAF indicará limites conservadores, apesar da diretriz de longo prazo do Tesouro de trocar gradualmente os títulos flutuantes por papéis prefixados e remunerados por índice de preços.

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“O momento de grande incerteza com relação aos riscos fiscais (e o consequente aumento dos prêmios de risco) restringe a capacidade de absorção” de risco pelo mercado, escreveu Goldenstein em relatório.

Colchão de liquidez

A corretora projeta uma participação entre 38% e 42% para as LFT em 2023, que devem ter fechado 2022 em torno de 38%, e prefixados devem ficar entre 23% e 27%. Além disso, prevê uma necessidade de financiamento de R$ 1,49 trilhão – emissão média semanal de R$ 29,8 bilhões, considerando 50 semanas de leilões em 2023, mas que poderia ser visto como teto.

Já o Santander (SANB11) calcula que seriam necessários R$ 28 bilhões de emissão semanal média para manter o nível de reserva de liquidez constante. “O nível que o Tesouro captou nas primeiras semanas foi por volta de R$ 18 bilhões, um pouco abaixo disso, dado a volatilidade de curto prazo”, diz Ítalo Franca, economista do banco.

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Instituições financeiras devem seguir sendo principais detentores e sinalizações fiscais podem aumentar a participação de não-residentes na dívida pública federal, que no penúltimo mês de 2022 era de 9,45%, diz Franca. “O prazo médio da dívida, que está em quase quatro anos, não deve ter alteração muito grande – se tiver muito ruído durante o ano, emite mais curto.”

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