Grupo Toky, dono de Tok&Stok e Mobly, pede recuperação judicial após pressão de juros

Grupo protocolou pedido de recuperação judicial em São Paulo sob segredo de justiça; endividamento havia chegado a 16 vezes o resultado operacional em 2024 após a fusão das duas redes

Mobly e Tok&Stok estão entre as maiores empresas de móveis e decoração do Brasil, com atuação mais destacada em canais digitais e em lojas físicas, respectivamente (Foto: Montagem/Divulgação)

Bloomberg Línea — O Grupo Toky, controlador das redes Tok&Stok e Mobly, decidiu entrar com um pedido de recuperação judicial para a companhia e suas subsidiárias.

O conselho de administração autorizou a medida em caráter de urgência em reunião realizada na segunda-feira (11), segundo fato relevante divulgado nesta terça-feira (12).

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Segundo a companhia, o pedido foi protocolado na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, sob segredo de justiça,.


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A companhia aponta o ambiente macroeconômico como fator central para a deterioração de sua situação financeira.

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No documento, a administração cita juros ainda elevados, maior endividamento das famílias e condições de crédito mais restritivas como causas da queda na confiança do consumidor e da postergação de decisões de compra no setor de móveis e decoração. Restrições temporárias nos níveis de estoque também teriam causado impacto na liquidez de curto prazo.

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A Grupo Toky afirma ainda que, apesar das negociações conduzidas pela administração para a reestruturação do endividamento junto aos credores, o passivo do grupo persistiu e se agravou.

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O pedido de recuperação judicial será submetido à ratificação de uma Assembleia Geral Extraordinária, cuja convocação foi aprovada pelo conselho de administração em 11 de maio.

O objetivo declarado da recuperação judicial é viabilizar a continuidade das operações, preservar empregos e criar condições para uma reestruturação ordenada do endividamento e da estrutura de capital do grupo.

O grupo encerrou 2025 com uma dívida líquida de R$ 401 milhões, de acordo com as demonstrações financeiras apresentadas em março, uma redução em relação aos R$ 592 milhões do ano anterior.

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Reestruturação em curso

O pedido ocorre em meio a um processo de reestruturação financeira que a companhia vinha conduzindo desde a fusão entre Mobly e Tok&Stok, em 2024. Em entrevista à Bloomberg Línea publicada em 29 de abril, o CEO Victor Noda ressaltou que o endividamento chegou a 16 vezes o resultado operacional da empresa no momento da integração das duas redes.

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A estratégia adotada pela administração envolvia a conversão de dívida em participação acionária. No ano passado, a SPX Capital — gestora que chegou ao grupo como credora após assumir ativos do fundo americano Carlyle — converteu parte de sua exposição com desconto de 60% sobre o valor da dívida e passou a deter 11% da companhia. O valor envolvido nessa operação foi de R$ 230 milhões.

Ações do Grupo Toky (TOKY3)

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Em abril, Noda disse que negociava nova rodada de conversão com Bradesco, Santander, Banco do Brasil e membros da família Dubrule, fundadores da Tok&Stok. A expectativa era de que operação poderia retirar entre R$ 300 milhões e R$ 480 milhões adicionais de dívida do balanço.

No primeiro balanço anual consolidado do grupo, divulgado em 31 de março, a receita líquida somou R$ 1,5 bilhão. A margem Ebitda saiu de menos de 5% para quase 16%, e a margem bruta avançou de 46% para quase 53%.

Apesar do desempenho operacional, a despesa financeira sobre o endividamento remanescente seguia pressionando o resultado líquido, de acordo com declarações de Noda à Bloomberg Línea.

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