Volatilidade retorna ao mercado com incerteza econômica e balanços decepcionantes

Enquanto esperam novos indicadores e resultados que podem influenciar o rumo dos negócios, investidores se voltam aos ativos de proteção

Estes são os eventos que orientam os investidores hoje
Por Bianca Ribeiro - Michelly Teixeira
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Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada de nota publicada originalmente às 5h57)

As preocupações com a capacidade de a economia dos Estados Unidos de resistir a uma recessão continuam colocando os investidores em estado de cautela e a volatilidade volta a predominar nesta manhã.

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No mercado de ações, as bolsas europeias registravam queda há pouco, com destaque para as perdas do setor de tecnologia. Em contrapartida, o resultado positivo da marca de luxo Hermes constituía o ponto de otimismo no pregão.

Também operavam voláteis os futuros de índices dos Estados Unidos. Antes em queda, os três principais contratos há pouco passavam a subir. O bitcoin, que caía no começo da manhã, mudava de sinal há alguns instantes.

O ouro subia de forma consistente, em torno dos 0,5%, enquanto o petróleo mantinha-se firme no azul. Já no mercado de renda fixa, o rendimento dos títulos da dívida norte-americana com vencimento em 10 anos se sustentavam em patamar elevado, a 4,11%, embora com pequena queda ante o pregão anterior.

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Os títulos de 10 anos do Reino Unido registravam pequena queda em seus prêmios, a 3,86%, enquanto a cotação da libra cai ante do dólar, refletindo o rumo incerto do governo do Reino Unido.

Há pouco, o vice-presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Ben Broadbent, disse que não está claro se as taxas de juros do país deveriam subir tanto quanto os investidores estão esperando. Ele sinalizou que levar o juro a mais de 5%, como estima o mercado, poderia ter um impacto muito forte para a economia do Reino Unido.

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→ O que move os mercados hoje

O clima de incerteza volta aos mercados. Os investidores ponderam o cenário de juros em alta, inflação persistente e risco de recessão. Isso somado à instabilidade no Reino Unido e alguns balanços trimestrais decepcionantes, como os da Tesla e Alcoa, que despertaram a cautela. Um novo conjunto de indicadores de atividade, discursos de integrantes do Federal Reserve (Fed) e resultados corporativos continuarão como catalisadores das operações de hoje.

🥃 Copo meio vazio. Enquanto esperam hoje por balanços de 22 empresas listadas no S&P 500 e de outras 25 que compõem o Stoxx 600, os investidores avaliam os números piores do que o esperado que foram divulgados ontem, após o fechamento dos mercados. A Alcoa contrariou a previsão de um lucro modesto e entregou um prejuízo de US$ 60 milhões no terceiro trimestre, motivado pelos altos custos de energia e queda de 20% nos preços do metal neste ano. Ao mesmo tempo, a Tesla vendeu menos do que o previsto no período como consequência de gargalos logísticos. A empresa nega que haja problemas com a demanda e Elon Musk promete um final de ano “épico”.

🛡️ Emergentes em baixa. O Goldman Sachs avalia que ações de mercados emergentes poderiam recuar ainda mais no curto prazo e sugere que os investidores optem por mercados defensivos até que o cenário global melhore. A perspectiva de lucros mais baixos para papéis desta categoria abrange América Latina, Sul e Sudeste da Ásia, Oriente Médio e Norte da África.

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💬 Vozes do Fed. O presidente do Fed de Chicago, Charles Evans voltou a defender o repique dos juros nos EUA, mas disse se preocupar com o efeito sobre a economia caso a trajetória de alta tenha que ser muito mais prolongada para controlar a inflação. James Bullard, presidente do Fed Saint Louis, por sua vez, descartou preocupações com as tensões financeiras na economia e disse que o Fed não deve reagir às quedas no mercado de ações, que se retraiu mais de 20% este ano nos EUA. Hoje a atenção se dirige aos pronunciamentos de Michelle Bowman, Lisa Cook e Philip Jefferson, todos do Fed.

🔦 Geopolítica sob o foco. A Ucrânia teve mais baixas em suas instalações elétricas nesta manhã, após novos ataques da Rússia com mísseis e drones. O apela das autoridades ucranianas é para que a população ser “consciente e frugal” no consumo. O apagão de energia hoje pode durar até 22h (horário local). Líderes da UE reunidos em Bruxelas discutem hoje uma forma de ajuda a essa emergência energética.

🔜 Na porta de saída? A gestão da primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss, parece perto do fim. A sequência de decisões econômicas controversas, mercados turbulentos e demissões na equipe de governo culminou ontem com uma votação parlamentar caótica envolvendo a retomada da extração de gás de xisto. Membros do Partido Conservador já querem que Truss deixe o governo imediatamente e não mais no dia 31, quando está previsto o anúncio de um novo plano econômico.

👺 Japão se protege. Na Ásia, os sinais de volatilidade voltaram a preocupar. O rendimento dos títulos de dívida do Japão com vencimento em 10 anos ultrapassou o limite superior de 0,25% da meta do banco central, o que levou o Bank of Japan (BoJ) a anunciar uma compra não programada de títulos para controlar o mercado. Os investidores estão em alerta para uma possível intervenção também no câmbio, uma vez que o iene atingiu um patamar que não era visto desde 1990, perto da marca de 150 ienes em relação ao dólar.

Mais um dia de sobe-e-desce
🟢 As bolsas ontem (19): Dow Jones Industrials (-0,33%), S&P 500 (-0,67%), Nasdaq Composite (-0,85%), Stoxx 600 (-0,53%), Ibovespa (+0,46%)

As bolsas norte-americanas caíram após dois dias de ganhos impulsionados por balanços corporativos. A dúvida sobre um prolongamento do aperto monetário por parte do Fed aumenta a probabilidade de uma recessão e continua preocupando os investidores. Segundo o dirigente do Fed, Neel Kashkari, se os níveis de inflação se mantiverem baixos, isso os “posicionaria em algum momento do próximo ano para uma possível pausa” nas taxas.

Saiba mais sobre o vaivém dos Mercados e se inscreva no After Hours, a newsletter vespertina da Bloomberg Línea com o resumo do fechamento dos mercados.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Vendas de Casas Existentes, Pedidos de Seguro Desemprego, Índice de Indicadores Antecedentes-Conference Board, Índice de Atividade Industrial-Fed Filadélfia/Out, Balanço Orçamentário

Europa: Zona do Euro (Transações Correntes/Ago, Cúpula de Líderes da UE); Reino Unido (Confiança do Consumidor GFK/Out); Alemanha (IPP/Set); França (Pesquisa em Empresas/Out); Portugal (Transações Correntes/Ago)

Ásia: Hong Kong (Taxa de Desemprego/Set); Japão (Índice de Preços ao Consumidor/Set)

América Latina: Brasil (Reunião do CMN); Argentina (Balanço Orçamentário/Set, Balança Comercial/Set, Atividade Econômica/Ago)

Bancos centrais: Discursam Michelle Bowman, Lisa Cook e Philip Jefferson (Fed)

Balanços: Volvo, L’Oreal, Hermes, Phillip Morris, AT&T, Blackstone, Danone

📌 Para amanhã:

• Reino Unido (Vendas no Varejo/Set). Discurso de John Willians (Fed)

• Balanços (Amex, Verizon, Renault, Biotech)

(Com informações da Bloomberg News)

Bianca Ribeiro

Bianca Ribeiro

Content Producer