Barcelona, Espanha — (Esta é a versão atualizada de nota publicada originalmente às 5h56)
Os mercados mostram fôlego nesta manhã, com os balanços corporativos dando suporte, ao menos até agora, para os investidores aproveitarem pechinchas e recuperarem parte das perdas recentes. Algumas incertezas foram dissipadas, como o plano de estímulo fiscal do Reino Unido, mas ainda restam dúvidas sobre a estratégia do Banco da Inglaterra no mercado de títulos da dívida. Também paira no ar a convicção de que os grandes bancos centrais continuarão firmes em sua luta contra escalada de preços.
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As bolsas europeias e os contratos futuros de índices norte-americanos subiam desde os primeiros negócios da manhã. Mas os mercados europeus reduziram o ritmo de ganhos diante de especulações sobre a estratégia do Banco da Inglaterra (BoE) no mercado de dívida. Mais cedo, os investidores repercutiam uma informação do Financial Times de que o BoE adiaria uma venda de títulos que programada para o dia 31, o que aliviaria a posição de alguns fundos de investimento e reduziria as incertezas do mercado com a economia inglesa. Mas segundo o BoE, essa informação seria “imprecisa” , o que levou os investidores a uma moderação do apetite por risco.
Com isso, a libra passou a recuar com mais força e o rendimento dos títulos da dívida de 10 anos do Reino Unido subia 8 pontos base para 4,03% há pouco. Nos Estados Unidos, o bônus de igual vencimento tinha rendimento ligeiramente em alta, a 4,02%. Além disso, a piora do Índice Zew de Sentimento Econômico da Alemanha reduziu o ímpeto para o risco.
Os contratos de petróleo WTI subiam e caíam constantemente, enquanto a cotação do ouro retrocedia.
→ O que move os mercados hoje
📊 Melhor que o esperado. O desempenho das empresas no terceiro trimestre, destacadamente dos bancos dos EUA, vem superando estimativas. Mas analistas alertam que muitas dessas previsões haviam sido rebaixadas recentemente, o que supõe um otimismo superficial com resultados que se previam melhores nos relatórios de junho. De todo modo, a temporada está se mostrando, pelo menos até agora, um antídoto para tirar as bolsas do fundo do poço.
🚘 Veículos aceleram. As vendas de carros novos na Europa cresceram 7,9% em setembro ante agosto. Foi o segundo mês consecutivo de expansão do setor, mas a entrega de 1,05 milhões de veículos no período está bem abaixo dos níveis pré-pandemia. Problemas na cadeia de suprimentos de chips e o cenário mais restrito da economia ainda ameaçam o setor.
🤔 Confiança ainda abalada. A confiança do investidor na Alemanha está combalida por preocupações com a recessão em meio à crise energética. Segundo o indicador ZEW de Sentimento Econômico, as expectativas no país melhoraram pouco, com alta de 2,7 pontos, mas ainda em território negativo, indo para -59.2 neste mês. A visão da situação econômica no país ficou 11,7 pontos abaixo do mês anterior, em -72,2 pontos.
〰️ Na corda bamba. O Reino Unido tenta recuperar sua credibilidade ao reverter o plano econômico de Liz Truss, cuja permanência no governo é cada vez mais duvidosa. Ainda assim, analistas ponderam que a reviravolta histórica observada nas últimas semanas deixa um vazio de perspectivas, uma vez que o país segue sem um plano de longo prazo em meio a uma crise global.
🪔 O inverno está chegando. A escalada da guerra da Rússia contra a Ucrânia e seus efeitos sobre a escassez de gás e petróleo para a Europa Ocidental continuam desafiando os governos a se equilibrarem entre alta de preços e estratégias de estoque para o inverno. A Alemanha decidiu nesta segunda-feira prolongar a vida de algumas usinas nucleares até a primavera. Nos EUA, espera-se a liberação de estoques de emergência da ordem de 10 milhões a 15 milhões de barris para apaziguar a pressão sobre os preços dos combustíveis, enquanto os estoques sazonais de diesel estão no menor nível desde 1982.

🟢 As bolsas ontem (17): Dow Jones Industrials (+1,86%), S&P 500 (+2,65%), Nasdaq Composite (+3,43%), Stoxx 600 (+1,83%), Ibovespa (+1,38%)
A melhora do humor prevaleceu nos mercados globais e se apoiou no desmantelamento do plano de estímulo fiscal do Reino Unido, bem como na temporada de balanços corporativos nos EUA, com destaque para o Bank of America (BoA). Nos EUA, os ganhos foram tão fortes que, a certa altura, mais de 99% das empresas americanas do S&P 500 operaram em alta.
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Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• EUA: Produção Industrial, Índice do Mercado Imobiliário NAHB, Índice Redbook; Fluxo de Capital/Ago, Estoques de Petróleo Bruto
• Europa: Zona do Euro e Alemanha (Índice ZEW de Percepção Econômica/Out); Reino Unido, Alemanha e França (Licenciamento de Veículos/Set); Itália e Espanha (Balança Comercial/Ago)
• Ásia: China (Preços de Imóveis/Set)
• América Latina: Brasil (IGP-10)
• Bancos centrais: Discursam Neel Kashkari (Fed), Isabel Schnabel (BCE) e Joachim Nagel (Bundesbank)
• Balanços: J&J, Roche, BHP, Netflix, Goldman Sachs, America Móvil, Omnicom
📌 Para a semana:
• Quarta: EUA (Licenças de Construção, Pedidos de Hipotecas, Livro Bege) Zona do Euro (IPC/Set); Reino Unido (IPC, IPP/Set); Discursam Neel Kashkari, Charles Evans e James Bullard (Fed); Balanços (Tesla, Procter & Gamble, Nestle, Abbot, ASML, IBM, Alcoa)
• Quinta: EUA (Pedidos de Seguro Desemprego, Índice Conference Board); Zona do Euro (Cúpula de Líderes da UE); Alemanha (IPP/Set); Discursos de Michelle Bowman, Lisa Cook e Philip Jefferson (Fed); Balanços (Volvo, L’Oreal, Hermes, Phillip Morris, AT&T, Blackstone, Danone)
• Sexta: Reino Unido (Vendas no Varejo/Set); Discurso de John Willians (Fed); Balanços (Amex, Verizon, Renault, Biotech)
(Com informações da Bloomberg News)








