Bloomberg Línea — Bom dia! Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia e ótima leitura!
O mercado de assessores de investimento, os agentes autônomos, foi um dos mais efervescentes da economia brasileira nos últimos anos, na esteira dos juros baixos e do aumento da competição para além dos grandes bancos. Histórias de crescimento meteórico, disputa de XP e BTG Pactual pelos maiores escritórios e profissionais contratados com luvas milionárias ganharam a Faria Lima e outras praças em um momento de euforia com o avanço do mercado de capitais do país.
Mas os juros baixos não só ficaram para trás como a economia voltou a conviver com uma realidade que muitos julgavam ter sido superada de vez: de taxas em dois dígitos, atualmente em 13,75% ao ano. Novo cenário, novo (ou velho) comportamento de muitos investidores, que ampliaram a preferência por produtos mais conservadores, reduzindo o apetite pela renda variável e para o giro da carteira. Isso tem afetado os ganhos e impactado em cheio o mercado de agentes autônomos.
Escritórios chegam até a reduzir o quadro de especialistas em renda variável e a disputa por profissionais do setor, que girava na casa de R$ 1 milhão, já não encontra mais suporte.
O mercado de agentes autônomos agora passa por um movimento de consolidação, com ampliação dos portfólios de serviços e produtos oferecidos, vistos por alguns players do setor como essenciais para se diferenciar em um mercado que conta com mais de 17 mil profissionais e 1.200 empresas de assessoria. Há também consolidação, com negócios de M&A (fusão e aquisição) entre escritórios.
A Bloomberg Línea conversou com empresários do mercado para entender como ficam os escritórios de assessores de investimento no cenário de juros elevados e de aumento da concorrência.
⇒ Leia mais: Da febre aos pés no chão: como o juro alto afetou o mercado de agentes autônomos

No radar dos Mercados
A semana começa sob a sombra da expectativa de juros maiores nos Estados Unidos, sustentada pela robusta geração de emprego no país, conforme o divulgado na sexta-feira. O olhar dos investidores migrará para o indicador de inflação de setembro e como, a partir da dinâmica dos preços, o Federal Reserve (Fed) arquitetará sua política monetária.
Na quarta-feira, o Fed publica a ata de sua reunião de setembro, que junto com as declarações de vários integrantes do banco central norte-americana pode dar pistas ao mercado. A abertura da temporada de balanços de empresas norte-americanas e novos desdobramentos da guerra da Rússia contra a Ucrânia são outros vetores para os negócios.
💲 Temporada de resultados. Os bancos saem na dianteira na divulgação dos balanços do terceiro trimestre, cuja largada acontece entre quinta e sexta-feira. Se esperam resultados menos robustos que os de exercícios anteriores, devido a um aumento das provisões e a uma menor demanda por crédito, situação que tem pouca chance de ser revertida pela onda recente de aumento de juros. JPMorgan, Citibank e Morgan Stanley apresentam seus números, enquanto no setor produtivo e de consumo se conhecerão as cifras de PepsiCo, Dominos’s Pizza e Delta. Os investidores estarão atentos, também, ao vaivém dos papéis da Apple, que divulga seu balanço no dia 27.
💸 Preços como protagonistas. A persistência da inflação em setembro pode ser a gota que falta para os investidores se convencerem de que o Fed não mudará sua estratégia restritiva em relação aos juros. O número será revelado na quinta-feira (13) e até lá os operadores continuam tomando nota dos recados, invariavelmente duros, dos dirigentes do Fed. A visão no momento é de que deve haver um novo aumento de 0,75 ponto percentual no próximo mês. Charles Evans, diretor da autoridade monetária, voltará a falar hoje e já avisou anteriormente que vê o juro chegando entre a um nível 4,5% a 4,75% em algum momento de 2023.
🪖 Geopolítica no radar. O clima geopolítico ficou mais instável após a Rússia atacar o centro de Kiev, além de Odesa, Dnipro e Lviv nesta madrugada. A ação sucede após explosão, no sábado, de uma ponte entre Crimeia e Rússia, ação que Vladimir Putin atribuiu à Ucrânia. Foi a primeira ofensiva contra Kiev em meses e muitos serviços já haviam sido retomados na região. Os investidores monitoram o resultado da reunião do Conselho de Segurança que Putin convocou para hoje.
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• Leia também sobre a agenda corporativa no Brasil e do mundo

🟢 As bolsas na sexta (7): Dow Jones Industrials (-2,11%), S&P 500 (-2,80%), Nasdaq Composite (-3,80%), Stoxx 600 (-1,18%), Ibovespa (-1,01%)
As bolsas de valores norte-americanas fecharam no vermelho na sexta-feira após a notícia de que o país continuou a gerar empregos solidamente em setembro, indicando que o mercado de trabalho segue resiliente mesmo com o aumento dos juros pelo Fed. O número de 263.000 novos postos de trabalho sustenta as expectativas de que o ciclo de aperto monetário deve prosseguir nos EUA.
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Agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• Feriado: Japão, Canadá, Argentina
• EUA: Índice de Tendências de Emprego-Conference Board/Set, Reuniões do FMI e do Banco Mundial (até 16/10)
• Europa: Zona do Euro (Confiança do Consumidor-Sentix/Out); Reino Unido (Vendas no Varejo/Set); Portugal (Balança Comercial/Ago)
• Ásia: Japão (Transações Correntes/Set)
• América Latina: Brasil (Boletim Focus)
• Bancos centrais: Discursos de Charles Evans e Lael Brainard (Fed), Joachim Nagel (Bundesbank)
📌 Para a semana:
• Balanços: JPMorgan Chase & Co, Citigroup Inc, Morgan Stanley, BlackRock, Delta Air Lines, Fast Retailing, Infosys, PepsiCo, TSMC, Tata Consultancy, UnitedHealth, U.S. Bancorp, Walgreens Boots, Wells Fargo, Wipro
• Terça: Relatório do FMI com perspectivas para a economia mundial. Discursos de Loretta Mester (Fed) e Andrew Bailey (BoE)
• Quarta: Ata do FOMC/Fed sobre a reunião de setembro. EUA (IPP/Set), Contratações de Hipotecas). Informe mensal da OPEP sobre o mercado de petróleo. Discursos de Michelle Bowman e Neel Kashkari (Fed) e de Christine Lagarde (presidente do BCE)
• Quinta: EUA (IPC, Pedidos Iniciais de Seguro Desemprego). Reunião dos ministros de Finanças e dos bancos centrais do G-20.
• Sexta: EUA (Vendas no Varejo/Set, Estoques das Empresas/Ago, Sentimento do Consumidor- Univ. de Michigan); China (IPC/Set, IPP/Set e Balança Comercial). Compra de emergência de bônus pelo Bank of England (BoE) prevista para terminar.
Destaques da Bloomberg Línea:
• O que Cosan, Vale e Elon Musk têm em comum? Negócio de R$ 23 bi responde
• É hora de voltar para ações de crescimento? Itaú BBA aponta as preferidas
• Por que o Partido Novo, ex-preferido da Faria Lima, encolheu nas eleições
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• Pra não ficar de fora: Intrigas, traições e nazismo: as origens da família fundadora da Porsche


