Bloomberg — A Meta Platforms (FB) e a Alphabet (GOOG), dona do Google, enfrentam investigações antitruste na União Europeia e no Reino Unido sobre um possível conluio na operação de anúncios online.
A Comissão Europeia e a Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido expressaram temores de que um acordo entre duas enormes companhias de tecnologia — já apelidado de “Jedi Blue” — possa tirar concorrentes do mercado de anúncios veiculados em websites e aplicativos.
Agências reguladoras em todo o mundo começaram a analisar o enorme poder que o Google (da Alphabet) e o Facebook (da Meta, assim como o Instagram e o WhatsApp) exercem sobre os mercados de anúncios – que movem os lucros dessas gigantes da tecnologia. As investigações anunciadas pela UE e pelo Reino Unido nesta sexta-feira (11) tocam nas mesmas questões que autoridades nos Estados Unidos já levantaram.
“Muitas publicações contam com a exibição de publicidade online para financiar conteúdo online para os consumidores”, afirmou a comissária de Concorrência da UE, Margrethe Vestager. Se as preocupações da UE se confirmarem, “isso restringiria e distorceria a concorrência no já concentrado mercado de anúncios digitais, em detrimento de tecnologias rivais de veiculação de anúncios, das publicações e, em última instância, dos consumidores”.
O Google já foi multado em mais de US$ 9 bilhões pela UE por outras supostas infrações antitruste. A Meta também está sendo investigada por suspeitas de uso indevido de dados coletados de anunciantes para competir contra eles no ramo de anúncios classificados.
Diferentemente das empresas menores voltadas para tecnologia de anúncios, o Google controla grandes segmentos do mercado de anúncios online ao operar um serviço de compra de anúncios para profissionais de marketing, um serviço de venda de anúncios para publicações, além de uma exchange na qual ambos os lados concluem transações em leilões rápidos.
Veja mais: Meta ameaça tirar Facebook e Instagram da Europa por questão de dados
Essas exchanges funcionam como plataformas de trading com lances automatizados. Concorrentes e publicações reclamam que o Google se aproveita dessa vasta rede — inclusive da exchange de anúncios — para beneficiar outras áreas da própria companhia e prejudicar rivais.
A Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido afirmou em outro comunicado que está investigando se “a conduta do Google pode ter afetado a capacidade de outras empresas de competir com o produto header bidding”, se referindo à tecnologia que permite a negociação direta de espaços publicitários na internet.
Os dois órgãos governamentais vão “cooperar de forma estreita”, afirmou a UE.
Segundo o Google, os argumentos apresentados pelos dois órgãos são “alegações falsas”.
“Este é um acordo documentado publicamente e em prol da competição que permite que o Facebook Audience Network participe do nosso programa Open Bidding, juntamente com dezenas de outras empresas”, afirmou o Google em comunicado.
A participação do Facebook “ajuda” a atingir o objetivo de trabalhar com redes e exchanges de anúncios para “aumentar a demanda por espaço publicitário, o que ajuda as publicações a gerar mais receita”, acrescentou o Google.
De sua parte, a Meta afirma que o “acordo não exclusivo de lances com o Google e acordos semelhantes que temos com outras plataformas de lances ajudaram a aumentar a concorrência na veiculação de anúncios”. A companhia declarou que vai “cooperar em ambos os inquéritos”.
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