Bloomberg — Publicamente, os bancos internacionais afirmam que o impacto da invasão russa na Ucrânia sobre os negócios será limitado. A portas fechadas, eles discutem as chances de um conflito nuclear.
O Goldman Sachs organizou na quinta-feira (24) uma conversa por telefone entre seus clientes e Alex Younger, que já comandou o serviço de inteligência MI6 da Grã-Bretanha e hoje atua como conselheiro do gigante de Wall Street. É a primeira vez em mais de 30 anos que a ameaça de confronto nuclear é uma possibilidade real, segundo ele.
O episódio é um exemplo chocante de como esse conflito empurrou os bancos — e o resto do mundo — para território desconhecido. Apesar de tantos meses de alertas e planejamento de cenários, a visão dos tanques russos cruzando a fronteira deixou o alto escalão dos bancos sem rumo.
Apenas o francês Société Générale, o italiano UniCredit e o austríaco Raiffeisen Bank International têm presença física na Rússia. No entanto, é difícil quantificar os custos indiretos da nova enxurrada de sanções anunciadas pelos EUA, União Europeia e Reino Unido. O índice Euro Stoxx de ações dos maiores bancos europeus caiu 11% esta semana, enquanto investidores avaliam os riscos para as operações de negociação de ativos financeiros e gestão de fortunas — e para a economia como um todo.
Veja mais: Quais sanções os EUA e o Reino Unido impuseram à Rússia?
Subitamente, os bancos foram forçados a mapear sua exposição em transações com contrapartes apoiadas por dinheiro russo, segundo um advogado que trabalha com grandes instituições financeiras.
O UBS agiu rapidamente para limitar sua exposição a ativos russos na quinta-feira, impondo chamadas de margem a alguns clientes da divisão de gestão de fortunas que usam títulos russos como garantia.
Os bancos de Wall Street não estão imunes. JPMorgan Chase, Citigroup e Bank of New York Mellon, entre outros, movimentam grandes quantias de dinheiro pelo mundo por meio do serviço de tesouraria. Por isso, eles estão na linha de frente da execução das sanções. Sempre que vier uma transação com uma entidade sancionada, os bancos precisam bloquear e congelar a operação.
“Mesmo quem não tem um banco russo sancionado como cliente não sabe ao certo se uma transação passará por um banco russo”, disse Eric Li, responsável pela área de transações bancárias na Coalition Greenwich. “A cadeia é muito complexa.”
Veja mais: Bancos da China restringem financiamento a commodities russas
Diferentemente da Rússia, outras nações sancionadas como Irã, Coreia do Norte e Venezuela têm poucos vínculos com o mundo global dos negócios. Agora os bancos precisam investigar as inúmeras maneiras pelas quais podem ter exposição a uma economia e a um sistema financeiro tão grandes quanto os da Rússia — ou mesmo aos oligarcas que enriqueceram durante o regime de Vladimir Putin.
Os bancos também precisam enfrentar um risco geopolítico impressionante: como ocorria na Guerra Fria, Putin se gabou de seu arsenal nuclear durante o discurso que ele usou para justificar a invasão.
Em uma entrevista coletiva na quinta-feira, quando lhe perguntaram se Putin estava ameaçando um ataque nuclear, o presidente americano, Joe Biden, respondeu: “Eu não faço ideia do que ele está ameaçando.”
A abrangência das sanções contra a Rússia é sem precedentes.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
- AGORA: Rússia está pronta para conversar com a Ucrânia, diz agência
- Petróleo é negociado perto de US$ 100 com temores por abastecimento na Europa
©2022 Bloomberg L.P.








