Mercado interrompe rali com atenção dirigida a geopolítica e ata do Fed

Predomina a queda entre os futuros de índices nos EUA e as bolsas europeias; dados macro da Europa também pesam nos negócios desta manhã

As variáveis que orientarão os mercados
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Barcelona, Espanha — O plano geopolítico continua marcando o rumo das bolsas internacionais, mas uma importante variável se incorpora às análises de hoje, a ata de política monetária do Federal Reserve (Fed). As bolsas europeias e os futuros de índices nos Estados Unidos tentaram, no começo da jornada de hoje, encadear novas altas, mas a maioria não resistiu devido às incertezas nos campos de geoestratégia e de política monetária. Além disso, a forte alta de ontem pode ser tentadora para que alguns investidores embolsem ganhos.

Enquanto a renda variável recua, os investimentos de “refúgio”, como o ouro e os títulos soberanos, trabalhavam estáveis. O petróleo, por sua vez, subia para perto dos US$ 93 por barril, recuperando-se da maior perda de um dia deste ano - hoje é dia de divulgação de dados sobre os estoques de petróleo cru nos EUA.

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No front empresarial, as ações da Ericsson caíam depois que o jornal Dagens Industri informou que o diretor-geral da empresa dissera que poderia ter repassado dinheiro à organização terrorista ISIS, com vistas a obter acesso a rotas de transporte no Iraque. E o CEO da Volkswagen AG, Herbert Diess, alertou para mais cortes de produção devido à crise de chips em sua fábrica principal em Wolfsburg, em meio a tensões crescentes sobre como fazer a maior fábrica de automóveis do mundo se adequar à era elétrica.

🔦 Geoestratégia em foco

O ambiente ainda é incerto e as tensões geopolíticas estão longe de uma solução imediata, mas a percepção é de que existe um aceno para uma conciliação. A Rússia anunciou o início de uma retirada de algumas forças após exercícios que dispararam o alarme dos Estados Unidos e da Europa sobre um possível ataque militar à Ucrânia.

Porém, o presidente norte-americano Joe Biden relativizou as declarações russas. Segundo ele, ainda que a saída de tropas russas da fronteira ucraniana seja algo positivo, os militares ainda mantêm uma posição de ameaça.

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👀 De olho na ata do Fed

É grande a expectativa quanto à ata do Fed referente à reunião de política monetária de janeiro. O mercado anda à caça de informações para conjeturar sobre as altas de juros que o Fed aplicará muito provavelmente já a partir de março, com o intuito de esfriar o consumo e conter a inflação.

Ontem, os dados sobre os preços ao produtor nos EUA mostraram que a inflação ainda tem motivos para permanecer nas alturas, o que exigiria uma política monetária mais austera, com juros maiores.

🇪🇺 Na Europa

💸 Do outro lado do Atlântico, os preços também seguem em alta. A inflação no Reino Unido acelerou inesperadamente pelo quarto mês consecutivo em janeiro, enunciando uma crise no custo de vida que só deverá piorar este ano.

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Outra notícia desta manhã diz respeito à produção industrial da zona do euro em dezembro, que veio bem acima do esperado - subiu 1,6% na comparação anual, contra uma expectativa de queda de 0,5% e uma variação também negativa de 1,4% da leitura anterior anterior. O dado ajuda a manter a tendência de uma retirada acelerada do estímulo monetário do Banco Central Europeu (BCE). Depois deste dado, o Stoxx 600 voltou à senda positiva.

Leia também o Breakfast, uma newsletter da Bloomberg Línea: No encalço das fake news

Ata do Fed e crise geopolítica estão no radar

🟢 As bolsas ontem: Dow (+1,22%), S&P 500 (+1,58%), Nasdaq (+2,53%), Stoxx 600 (+1,43%), Ibovespa (+0,82%)

Apesar das incertezas, o mercado acendeu o modo risco e foi às compras. Notícias sobre a crise geopolítica entre Rússia e Ucrânia acenaram com a possibilidade de uma saída não militar, apesar das declarações do presidente dos EUA, Joe Biden, de que a Rússia continua em uma posição ameaçante. O alívio no plano geopolítico ofuscou a forte alta dos preços aos produtores dos EUA de janeiro, o que reforça as perspectivas de mais pressão inflacionária e juros maiores.

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Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Ata da reunião de política monetária do Fed; Inventários de petróleo bruto EIA; Vendas no Varejo/Jan; Produção Industrial/Jan; Utilização da Capacidade Instalada/Fev; Dados sobre o mercado de hipotecas

Europa: Zona do euro (Produção Industrial/Dez); Reino Unido (Índices de Preços ao Consumidor e ao Produtor)

Ásia: China (Inflação ao Consumidor e ao Produtor/Jan); Japão (Índice de Atividade da Indústria Terciária, Balança Comercial) • Bancos Centrais: Pronunciamento de Joachim Wuermeling, do BC alemão

Balanços do dia: Nvidia, Cisco Systems, Applied Materials, AIG

Na América Latina: Brasil (Fluxo Cambial Estrangeiro)

📌 E para o resto da semana:

• Grupo de 20 ministros das finanças e governadores de bancos centrais se reúnem na Indonésia (quinta-feira)
• Discursos da presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, e do presidente do Fed de St. Louis, James Bullard (quinta-feira)
• Boletim econômico do Banco Central Europeu (quinta-feira)
• Fórum de Política Monetária dos EUA: palestrantes incluindo funcionários do Fed Charles Evans, Christopher Waller e Lael Brainard (sexta-feira)

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-- Com informações de Bloomberg News