Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) operava em queda no início do pregão desta quarta-feira (9), com investidores atentos aos dados macroeconômicos que pintam um cenário de provável extensão do atual ciclo de altas de juros pelo Banco Central.
Na mesma linha, o dólar subia, enquanto os juros futuros acompanhavam o movimento, seguindo a alta do IPCA de janeiro, como divulgado mais cedo pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e o recuo, em dezembro, das vendas no varejo do país.
- O IPCA teve alta mensal de 0,54% em janeiro, o maior avanço para o mês desde 2016. Segundo o IBGE, o resultado foi influenciado, principalmente, por alimentação e bebidas, com alta 1,11%, que teve o maior impacto no índice.
- Já as vendas no varejo tiveram queda mensal de 0,1% em dezembro, mas fecharam o ano de 2021 acumulando crescimento de 1,4% em relação a 2020
Ciclo de alta de juros
Segundo o diretor Diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra Fernandes, que fala agora pela manhã ao vivo em live do banco Modalmais, o ciclo de altas de juros, iniciado em março do ano passado, deve se estender “por um par de reuniões pelo menos”.
- Na última semana, o Copom, o Comitê de Política Monetária do BC, decidiu elevar a taxa básica de juros pela oitava vez consecutiva para 10,75%, o maior nível desde maio de 2017.
- Perto das 11h, o contrato do DI para janeiro de 2023 era negociado em leve alta de um ponto-base para 12,20%
- Mais cedo, após os dados de hoje, o economista-chefe da corretora Necton, André Perfeito, divulgou uma nota de revisão da previsão da casa para a taxa básica de juros, a Selic, de 12% para 12,25%.
- “Antes trabalhávamos com altas de 75 e 25 pontos base, mas no parece que o cenário de 100 pontos na próxima reunião irá se consolidar entre os investidores e assim achamos prudente tal revisão”, escreve.
Empresas pós-balanço
Lá fora, as ações da XP Inc. (XP), negociada na Nasdaq, subiam 4,45%, a US$ 33,47, após a empresa emplacar uma sequência de quatro trimestres de lucro na casa de R$ 1 bilhão.
- Com isso, o grupo fechou 2021 com lucro de R$ 4,003 bilhões, aumento de 76% em relação ao ano anterior (R$ 2,27 bilhões). O quarto trimestre respondeu por R$ 1,086 bilhão, crescimento de 51% na comparação com igual período do ano passado (R$ 721 milhões) e de 5% ante o terceiro trimestre de 2021 (R$ 1,039 bilhão).
Por aqui, as ações do Bradesco (BBDC4) caíam 6,43%, a R$ 21,27 após o tradicional banco brasileiro reportar um lucro líquido recorrente de R$ 6,61 bilhões no quarto trimestre de 2021, resultado 2,8% menor do que o obtido no mesmo período do ano anterior e também abaixo das estimativas médias dos analistas de R$ 6,97 bilhões do consenso Bloomberg. O intervalo de projeções variava de R$ 6,84 bilhões a R$ 7,32 bilhões.
- Também recuavam as ações do Banco Pan (BPAN4), com queda de 1%, a R$ 9,91, após o banco controlado pelo BTG Pactual mostrar ter se tornado mais seletivo na emissão de cartões de crédito para novos clientes, em meio ao aumento do indicador de inadimplência, captado no terceiro trimestre, quando o cenário macroeconômico azedou.
- A instituição financeira cortou pela metade o número de cartões emitidos entre outubro e dezembro, na comparação com o dado de julho a setembro. Mesmo assim, o Pan lucrou R$ 190 milhões, aumento de 11% em relação ao mesmo trimestre de 2020.
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Por volta das 11h, o principal índice de renda variável da Bolsa brasileira operava em queda de 0,11%, aos 111.986 pontos. Entre as maiores quedas, destacavam-se as ações do Bradesco e do Itaú.
Na ponta oposta, entre as maiores altas, destacavam-se as ações de Méliuz (CASH3) e Locaweb (LWSA3), com ganhos de 4,64% e 4,04%, respectivamente.
- O dólar (USDBRL) avançava 0,49%, negociado a R$ 5,2858
Cenário externo
Já nos Estados Unidos, o dia era de maior calmaria, com as principais bolsas do país subindo no pré-mercado após a trégua no rali nos prêmios dos títulos soberanos – uma reação aos próximos capítulos de aperto monetário sinalizados por bancos centrais mundiais.
A situação abre um melhor caminho para as bolsas, que ontem se reconduziram à cena positiva, apesar de que incertezas ainda pairam no ar. Nesta manhã, os futuros de índices norte-americanos sinalizavam alta, no mesmo passo das bolsas europeias.
- Nos EUA, os futuros dos mercados operavam em alta: o futuro do índice Dow Jones subia 0,72%, o S&P avançava 0,97%, enquanto o Nasdaq tinha ganhos de 1,28%
- Na Europa, destaque para o avanço de 0,71% do índice Stoxx 600
- Já o Bitcoin (BTC), subia 0,63%, a US$ 43.907
- Segundo estrategistas do JPMorgan liderados por Nikolaos Panigirtzoglou, o “valor justo” do Bitcoin está cerca de 12% abaixo do preço atual, com base na volatilidade em comparação com o ouro.
- Em relatório desta terça, eles calcularam o nível de valor justo em cerca de US$ 38 mil com base no Bitcoin sendo aproximadamente quatro vezes mais volátil que o ouro.
--Com a colaboração de Michelly Teixeira e informações da Bloomberg News
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