Barcelona, Espanha — Um nervoso janeiro ficou para trás, marcado por sucessivos ralis e um intenso processo de realocação de carteiras para fazer frente ao quadro de alta dos juros. Mas a volatilidade que caracterizou início do ano parece ainda estar à espreita. As bolsas europeias exibem valorizações na primeira manhã de fevereiro. Os futuros de índices dos Estados Unidos, no entanto, já oscilaram do positivo ao negativo nos primeiros negócios do dia.
Os prêmios dos bônus do Tesouro dos EUA voltavam a ceder, ao mesmo tempo que os títulos da Alemanha regressavam ao território negativo. O petróleo sobe perto da máxima de sete anos antes de reunião da Opep.
Ainda é cedo para inferir se o mercado já tocou o fundo - o cenário continua o mesmo. É certo que o giro no posicionamento do Federal Reserve (Fed), que agora defende abertamente uma política monetária mais restritiva para debelar a inflação, já foi bastante absorvido pelos investidores. Mas não totalmente.
🏦 O Fed está para iniciar o período de aumento de juros mais agressivo em décadas. Mas os maiores bancos de Wall Street estão divididos sobre quão rápido e até onde o banco central subirá as taxas de juros. Anteriormente, os economistas concentravam suas previsões em quatro altas de 0,25 ponto percentual dos juros em 2022. Agora, a maioria concorda que o Fed aumentará a taxa em 0,25 ponto porcentual em março, embora a Nomura Holdings veja a primeira alta de 0,50 ponto desde 2000.
🌎 O rumo dos mercados hoje também será indicado por uma bateria de índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de várias partes do globo. Estes números darão uma primeira indicação de como as distintas economias evoluíram desde o surgimento da variante ômicron.
📌 Outros dados macroeconômicos programados para hoje também medirão a temperatura das economias, como índices de desemprego, vendas no varejo e gastos de construção.
📊 Durante a semana, os balanços corporativos ganham destaque. Das 174 empresas do S&P 500 que apresentaram seus resultados, 81% superaram ou cumpriram as previsões dos analistas. Os lucros, até agora, ultrapassaram em 5,1% as projeções. No radar também estão decisões de política monetária: na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) e o Bank of England (BoE) arbitram sobre o futuro de suas taxas de juros.
Calma, mercado
Porém, alguns dirigentes do Fed trataram de contemporizar os últimos discursos hawkish de colegas do banco central para tentar acalmar os nervos do mercado. Quatro funcionários do Fed afirmaram que apoiarão as elevações de juros a um ritmo que não perturbe a economia, o que trouxe certo alívio às negociações, já que os investidores estavam inquietos pelas mensagens de “linha dura” da autoridade monetária.
“Você sempre quer ir aos poucos na economia. Não é do interesse de ninguém tentar perturbar a economia com ajustes inesperados”, disse a presidente do Fed de Kansas City, Esther George, ao Economic Club of Indiana. “Mas acho que o Federal Reserve terá que agir deliberadamente em suas decisões para começar a retirar a política acomodatícia.”
A chefe do Fed de São Francisco, Mary Daly, disse que as taxas podem subir já em março. Mas ela negou que o Fed esteja atrasado e citou vários riscos que a economia enfrenta, além da pandemia em andamento, incluindo ventos contrários à medida que o apoio fiscal desaparece. “Quando você está tentando levar uma economia de apoio extraordinário para uma que vai gradualmente colocá-la em um caminho autossustentável, você precisa ser dependente de dados”, disse ela à Reuters Breakingviews em uma entrevista ao vivo. “Mas você também precisa ser gradual e não disruptivo.”
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🟢 As bolsas ontem: Dow (+1,17%), S&P 500 (+1,89%), Nasdaq (+3,41%), Stoxx 600 (+0,72%), Ibovespa (+0,21%)
Apesar da alta de ontem, os três principais índices dos EUA não conseguiram fechar o mês no azul. O S&P 500 e o Nasdaq encerraram janeiro com uma perda superior a 5%, a maior desde que a pandemia começou em março de 2020, enquanto o Dow Jones Industrials caiu mais de 3%. Os mercados foram sacudidos pela incerteza gerada pelo discurso de aperto monetário pelo Fed, que tenta controlar uma inflação que em 2021 superou seu nível mais alto desde 1982.
Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• 🐅 Bolsas fechadas na China e em Hong Kong pelas festividades do Ano Novo Lunar.
• EUA: Índice Redbook, PMI industrial ISM (jan), Ofertas de Emprego JOLTs (dez), Estoques de Petróleo Bruto API (semana), Gastos de construção
• Europa: Zona do euro (Empréstimos bancários do BCE, Taxa de Desemprego, PMI Industrial/jan); Alemanha (Vendas no Varejo/dez, Taxa de Desemprego/jan), França (Índice de Preços ao Consumidor), Espanha e Itália (PMI industrial/jan), Reino Unido (Aprovações e Empréstimos Hipotecários/dez)
• Japão: Base monetária
• Bancos centrais: pronunciamento de Claudia Buch, vice-presidente do BC alemão
• Brasil: Balança comercial (jan), IPP (dez), PMI industrial (jan)
• Mais da América Latina: Chile (Índice de Atividade Econômica/dez), Colômbia (atas da reunião de política monetária), Peru (inflação/jan)
Balanços do dia:
• ExxonMobil, Paypal, UPS, Alphabet, AMD, Starbucks e General Motors
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